Por que nunca haverá o “ano do desktop Linux”? Esqueçam isso, por favor.

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Eu amo o desktop Linux. O Linux Mint 17.2 é o melhor ambiente de trabalho de todo ecossistema linux para desktop,oriundo das grandes distro. Mas hoje, eu acredito que não há nenhuma maneira para desktop Linux se tornar relevante nesse atual nicho de mercado. Sim, atentem bem para o termo(nicho). O desktop está com seus dias contados. Então, nunca haverá “Ano do Linux no desktop.”
Bem, não me interpretem mal, o Linux para tablets e smartphones Android e Chrome OS ou Chromebooks, vão se tornar o sistema operacional do usuário final mais popular nos próximos 5 anos no máximo. Mas, e o desktop? Isso é outra história.
Um exemplo pessoal: tenho 3 notebooks, dois rodando alguma distro Linux e um com Windows para tarefas triviais, que estão mais para acesso da família que meu. Além deles, tenho 3 smartphones: Dois Nexus e um iPhone. Resumo da ópera: uso muito mais os smartphones que os notebooks. Para praticamente tudo. Eu sempre fui hard user dos meus notebooks. Atualmente, consigo gerenciar muito mais minha vida pelos dispositivos mobile que pelos notebooks. Tanto que quando viajo a trabalho, nem levo mais qualquer um dos notebooks. Sinal dos tempos? Certamente.

O Chrome OS, assim como o Windows 10, pode trabalhar sem uma conexão à Internet ou acesso à nuvem, mas ambos só realmente mostram a sua melhor vantagem com as respectivas nuvens em ação. Ambos são sistemas operacionais de desktop/nuvem híbrida.

Goste ou não, eles também são o futuro dos sistemas operacionais, inclusive para desktop. Ou o que sobrar desse mercado, pois não. Segundo estudo realizado pelo IDC, as vendas mundiais nesse ano devem regredir em 8,7% e não devem melhorar até 2017. Aqui no Brasil o buraco é ainda mais embaixo. Nossa queda será de 38%, também segundo estudo da IDC. Nos fazendo despencar no ranking mundial de compradores de desktops. A expectativa da IDC Brasil é que o Brasil encerre 2015 com a venda de 7,4 milhões de computadores, volume que representa uma queda de 29% frente a 2014, quando foram comercializados 10,3 milhões de PCs no país.
E o Windows com isso?
Atualização gratuita do Windows 10 também tem sido o fator de desarticulação no mercado de PC. Com a liberação gratuita do Windows 10, milhares de máquinas que estavam caminhando para obsolescência e consequente troca, ganharam sobrevida. Empurrando as vendas para baixo, o que segurou o mercado nacional de PC foram as compras domésticas, pois as corporativas recuaram 30%. Mas então, podemos dizer que a MS virou um tipo de Robin Hood do desktop, visto que em todos seus lançamentos anteriores, eram seguidos de uma troca de quase todos os desktops em nível mundial. Atualizando o parque tecnológico e mantendo sua base instalada sempre atualizada. Os fabricantes  agradeciam aos céus essas atualizações. Porém, e agora?
Agora, a MS já identificou a mudança de onda e está se preparando para mudança no mercado de TI. Onde tudo é serviço e já sabe que vender licença para desktops está com dias contados. Em vinte anos esse mercado será ínfimo ou não existirá mais. Já anteveram a onda e trataram de se preparar para porrada. E não duvidem, eles têm peso suficiente para influenciar qualquer mercado e o mercado residual de PC sobreviverá ainda um tempo, mas logo vai tratar de migrar em peso para o único nicho que ainda está a crescer: os dispositivos móveis.

Olhem os caso dos Chromebooks: A maioria deles vêm somente com meras unidades de 32 GB (SSD). Por que? Como o Google oferece um mínimo de 100GBs de livre armazenamento no Google Drive por dois anos para cada dispositivo, qual a necessidade de um HD parrudo instalado? No caso da Pixel, você recebe um Terabyte de armazenamento por três anos. Do lado da Microsoft, quem assina Office 365 obtém armazenamento ilimitado no Onedrive.

O armazenamento local? Quem precisa de armazenamento local?

Google e Microsoft não estão te vendendo mais software, estão vendendo SAAS e IAAS a valores irrisórios às vezes e ainda assim eles estão ganhando muito dinheiro.

Enquanto isso na Apple, o Mac OS X está rumando a mil por hora para nuvem, mas como a maioria dos usuários sabem, essa migração tem sido problemática para eles, pois não estavam antevendo essa guinada de mercado, tão claramente como o Google e a MS. O iCloud da Apple tem um longo caminho a percorrer.

Um caminho inverso e digo isso com certo grau de lamento, fez a Canonical quando encerrou seu serviço de cloud, o Ubuntu One. Primeiro serviço de cloud para Linux nativo e convergente. Algo pioneiro, que nos deixou orfãos muito cedo. 3 anos depois o mercado de cloud estourou e a Canonical ficou de fora. Mais um tirou no pé dado pelo Shuttleworth.

E onde entra o Linux nisso? Ora, ele está em tudo. Nós ganhamos. Estamos na palma da mão com nossos Androids rodando em nosso smartphones e rodando inclusive em Marte no robô Curiosity. Mas não ganhamos e não venceremos a guerra pelos desktops. Isso já era e olhemos para frente.
Haverá algumas pessoas que ainda vão usar desktops convencionais. Estes são aqueles que querem o controle real sobre o seu hardware e software. Eles são os únicos que querem a segurança real. Em suma, são as mesmas pessoas que já estão usando Linux.

Então, em 2020, de uma forma muito limitada, Linux poderá ser o “desktop” padrão e sistema operacional. Só que não haverá muitos desktops tradicionais ainda em uso. Muita gente estará trabalhando com um pé na nuvem e outro em uma variedade de dispositivos, inclusive vestíveis, que estarão funcionando e nos servindo como os desktops nos servem  ainda. A Internet das coisas(IoT)dará um enorme impulso no mercado de Linux Embarcado, sistema que hoje, já é opção preferencial da indústria.  Portanto, lutar pelo desktop é a mais pura perda de tempo. Não falemos mais nisso, por favor.


Colaborador: Leandro França de Mello

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