Review: Rosa R8 MATE, uma breve análise!

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No começo dessa turbulenta década, quando a distribuição Linux franco-brasileira Mandriva estava afundando nos erros cometidos por seus gestores a comunidade em torno dela começou a se organizar e surgiram dois forks, ambos na França: o OpenMandriva Lx e o Mageia, que alcançou grande sucesso, tendo inclusive uma ativa comunidade de usuários brasileiros.
Mas, nas estepes geladas da Rússia (eu sempre quis escrever isso) uma empresa chamada Rosalabs resolveu usar o Mandriva 2011 como base para sua distribuição desktop. Surgiu assim o Rosa Fresh, que essa semana chegou na versão R8. Eu resolvi baixar uma ISO para testar, em nome da nostalgia que o Mandriva me trás, já que ele foi o sucessor do Conectiva, a primeiríssima distribuição Linux a rodar num PC nessa casa.
Escolhi a versão MATE de 64 bits e o que encontrei me surpreendeu a ponto de eu querer dividir o que eu vi, já que o Rosa não é muito conhecido por aqui e dificilmente vemos algo mais do que o anúncio de uma nova versão nos blogs que falam de Linux. Não vai ser um review exaustivo ou completo — creio que o melhor nesse caso seria um vídeo, mas eu não tenho traquejo social para fazer um.
Rodei o Rosa Fresh R8 numa máquina virtual construída no Virtualbox com 2GB de RAM e 16GB de HD. O host é um notebook Acer com um Intel Core I5 e 6Gb de RAM rodando o Linux Mint “Rosa” (coincidência, né ?) 17.3 com o MATE. Então, sem mais delongas, vamos começar.

Instalação

Depois de um boot tranquilo pelo Live DVD, a instalação do Rosa foi prática, indolor e rápida. Não deu nem para tomar um café. As perguntas de praxe sobre o particionamento, aí ele já vai direto para a cópia dos arquivos, sem mais delongas. Não exibe mensagem, porcentagem, nada. Só depois da cópia ele pede criação de usuário e senha, além da senha do root. Depois é só reiniciar e… deu um bug. Uma mensagem estranha, provavelmente tendo a ver com os adicionais de convidado do Virtualbox. Foi só reiniciar de novo (o que seríamos de nós, que trabalhamos com informática se não fosse o reset, não é mesmo ?) que tudo funcionou bem.

Primeiras impressões

A tela de boot do Grub2 é bem bonita, em tons de azul. Um grande avanço para quem tinha que “camelar” com o LiLo a uns anos atrás… A tela de login mantém o mesmo padrão de azul. Eu a achei particularmente bela, mas isso vai do gosto de cada um.

Depois de iniciar o Rosa Fresh R8 MATE apresenta o que poderíamos chamar de um desktop “clássico”. Uma barra de tarefas, um menu iniciar, um relógio no canto inferior direito com ícones de status ao lado, até um papel de parede meio sem graça, tudo no melhor estilo “Windows”. Sem barras de pesquisa, sem widgets, sem frescuras. Isso me agrada, mas pode parecer simplista demais para quem vem por exemplo, do KDE ou do Windows 10.


O tom de azul é constante em todo o sistema. Eu achei até de bom gosto, apesar do estilo dos ícones me ter parecido meio “antiquado” — hoje a “moda” são os ícones flat, mas vá lá, é uma questão de gosto mesmo.


No quesito configurações o Rosa não apresenta novidades. Usa o painel de controle clássico do MATE, sem modificações dignas de nota. Arroz com feijão, e nada mais.

Programas (me recuso a escrever “aplicativos”)

No quesito programas pré-instalados, o Rosa foi bem econômico. Econômico, demais, eu diria. Praticamente um Tio Patinhas.
Por exemplo: nada de OpenOffice completo, só o Writer e o Calc. Não que o Base, o Math ou o Draw vão fazer falta, mas pelo menos o Impress eles podiam ter colocado, né ?
Não há também nenhum gravador de DVD/CD, gestor de downloads, programa para acessar a webcam ou de edição de áudio e vídeo. Parece que na Rússia a ordem é: se vira, mané ! E isso pode ser bom. A ISO fica menor (1,4 Gb) e você pode instalar o que quiser. Infelizmente, isso afasta usuários mais leigos, que não sabem instalar programas sozinhos. Curiosamente, no quesito codecs, não tive que mexer um dedo, estava tudo instalado. Dizem que esse negócio de direitos autorais não é muito respeitado lá pelos lados de Moscou mesmo…
O pessoal do Rosa também fez algumas escolhas estranhas. O navegador, por exemplo, não é o Firefox, nem o Chrome, nem o Chromium. É o Pale Moon. Nunca ouviu falar ? É um navegador baseado no Firefox focado na arquitetura 64bits e que diz ser mais rápido do que a raposa flamejante. Bem, eu já o havia testado antes, no Windows 10 do trabalho e, se existe diferença de velocidade, ela foi imperceptível para mim. No Rosa, ele pareceu bem rápido, tanto para abrir como para a navegação casual, mas não fiz testes com muitas abas abertas (cheguei no máximo a três).


Outros programas também são bem incomuns. O media player é o Rosa Media Player, que me pareceu ser uma customização do Mplayer. Já o reprodutor de MP3 é o desconhecido, pelo menos para mim, DeaDBeef (!!!) que nem está na versão 1.0. Ambos são bem simples, porém cumprem o que prometem.

Atualizações e repositórios

Já no primeiro boot pós instalação o Rosa pediu para ser atualizado. Nada de muito grave, só alguns pacotes de rotina, pelo que eu vi. Até onde entendi da estrutura do Rosa, as versões não são rolling release, o que eu até prefiro. Na hora da atualização, um detalhe curioso: alguns pacotes ainda mantém o nome do Mandriva, vejam só:


No quesito repositório, você não precisa habilitar nada. Vem tudo habilitado por padrão. Codecs e flash já vem instalados desde o início. Não há mirrors locais dos repositórios, então o download pode demorar um pouco.
Os repositórios parecem ser bem abastecidos de softwares. De todos os programas que eu instalo por padrão para mim só senti falta do Variety, que eu uso para variar o papel de parede, mas não tentei uma instalação manual. O gerenciador de pacotes é o RPM Drake, que me pareceu muito com o bom e velho Synaptic que, curiosamente, surgiu no Conectiva — e foi obra de um brasileiro.


Instalei também, sem sustos, o Google Chrome, baixado do seu site oficial. Funcionou sem precisar adicionar PPA ou qualquer outra configuração, só precisando baixar algumas dependências. Ponto para o Rosa, na minha opinião.
Há ainda um curioso programa chamado Rosa Freeze. Se eu entendi direito, ele “congela” alguns diretórios do sistema, habilitando provavelmente o atributo read-only. Não consegui pensar num bom motivo para um programa desse estar disponível para o usuário final, mas pode ser útil em locais públicos como escolas ou bibliotecas.

Desempenho e considerações finais

O Rosa Fresh R8 inicia com pouco mais de 350 Mb de RAM. Achei um valor bom, ainda mais considerando que estava rodando em máquina virtual.

O desempenho foi muito bom. Durante um dia inteiro de trabalho, usando como se fosse meu PC principal, não houve nenhum travamento sequer. O sistema todo é bem responsivo, abrindo os programas com rapidez, sem engasgo.
Não fiz testes com jogos, nem com edição de áudio e vídeo, porque não faço isso regularmente.
Eu recomendaria o Rosa Fresh R8 MATE para um usuário que já tenha alguma experiência com Linux e quer, ou precisa, de um desktop leve, tradicional e estável. Se bem “azeitado” antes por alguém com conhecimento, pode servir também para iniciantes, tipo a sua mãe, que só querem sentar na frente do PC e usar, sem saber fazer nada muito mais complexo do que clicar num programa e esperar ele abrir.
Se tivesse sido lançado a seis meses atrás, quando formatei meu PC pela última vez, com certeza o Rosa seria uma alternativa a ser estudada para se transformar no meu SO principal. Foi uma boa surpresa, sem dúvida.


Colaborador: Henderson Bariani
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