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Qual o valor do kernel Linux?

Qual o valor estimado do custo de desenvolvimento de uma distro Linux? Alguém já se perguntou quanto custaria desenvolver do zero linha por linha o Linux? Essa pergunta já fora feita e respondida pela Linux Foundation em 2008,em um estudo sobre os custos de desenvolvimento do Linux. Contudo, a resposta, ainda que muito bem respondida foi pouco divulgada por essas bandas de cá.
Mas o que nos leva a voltar ao tema, é a importância de criar a cultura de que não há almoço grátis, nem no mundo dos negócios e tão pouco no mundo da colaboração. A questão senhores, é que free software não é a mesma coisa que open source. Ainda que pareçam a mesma coisa. E para ambos há o custo do desenvolvimento, que tanto pode ser custeado por todos e depois transformado em negócio ou produto, ou criado um produto, este ser liberado sem custo a todos e vendido serviços em torno deste. Todavia, esse tópico discutiremos em outros artigos.

O que nos interessa aqui é falar sobre o custo do desenvolvimento do Linux, que podemos traduzir como o valor da inovação. Pois quanto custa pra Microsoft, por exemplo desenvolver o Windows? Não temos os números exatos, das versões mais novas. Mas analisando os números envolvidos no desenvolvimento e equipe do Windows Vista, podemos chegar às seguintes conclusões: A MS empregava em 2006, 10 mil engenheiros no desenvolvimento do Vista, cada um custava à MS US$200 mil/per ano em salário e impostos. Logo, podemos constatar que o desenvolvimento do Vista, custou só em salários à MS: US$10 bilhões. Não é um número desprezível, sem dúvida. Contudo, não foi só isso, pois gastaram também com localização, documentação, treinamento, marketing, merchandise. Mais uns US$10 bilhões em cima da conta do desenvolvimento. Porém, tendo em vista que o Windows Vista era um produto e foi vendido mundialmente, podemos supor que a MS faturou pelo menos umas 10 vezes esse valor.
E o Linux, quanto vale o kernel? – A resposta é: cerca de US$1,4 bilhão para o kernel do Linux e cerca de US$10.8 bilhões para o Red Hat Fedora 9 versão de desenvolvimento, que era a versão corrente da época que foi feita a pesquisa.
Fedora 9 tem 204,5 milhões de linhas de código, e de acordo com a metodologia utilizada estima-se que para desenvolver essa quantidade tão colossal de código seria necessário envolver 59.389 pessoas-ano.
É muito difícil estimar quais são os custos diretos e indiretos para montar uma distribuição Linux. David Wheeler, um cientista da computação no mundo do código aberto (não a David Wheeler que obteve primeiro PhD mundial em ciência da computação em 1951 que inventou a sub-rotina de programação), publicou um estudo que calcula o custo de desenvolvimento de uma distribuição Linux através da contagem de linhas de código na distro, vendo quantas pessoas-ano seria necessário para desenvolver, e levando em consideração desembolso de salários, benefícios e despesas gerais para cobrir esses custos. Assim como se teria que fazer para criar um sistema operacional proprietário a partir do zero.
Em 2001, Wheeler estimou que custaria US$ 600 milhões para criar o Red Hat 6.2, lançado em 2000 – que tinha 17 milhões de linhas de código e demandaria cerca de 4.500 pessoas-ano para desenvolvê-lo. Há seis anos, quando estes cálculos foram atualizados, foi atrelar o custo de desenvolvimento inerente ao Red Hat 7.1, que teve mais de 30 milhões de linhas de código e exigiu cerca de 8.000 pessoas-ano de esforço, no total.
A Linux Foundation também calculou o custo de criação do kernel Linux, e por sugestão de Wheeler de volta em 2002, usou um método de análise de custo ligeiramente diferente para isso. O kernel 2.6.25 usado no Fedora tem 6,8 milhões de linhas de código, e envolveu 7,557 pessoas-ano para fazer o kernel a um custo de apenas US $ 1,4 bilhão.
A metodologia utilizada para os cálculos foi baseada em pesquisas feitas sobre a forma como são produzidos software proprietário dentro de uma software house, e não para o código aberto. Visto que até então nenhum estudo havia sido feito para mensurar o valor e os custos envolvidos nesse segmento.
Resolvemos levantar essa questão dos custos e valores que envolvem a criação e manutenção do kernel Linux e de uma grande distro,justamente para exaltar o quão grandioso é esse movimento do software livre. Pois ele consegue envolver uma quantidade tão grande de pessoas, corporações, e tempo, que torna esse movimento uma das coisas mais valiosas do mundo atualmente. Mesmo sendo um estudo desatualizado, esses valores representam um farol do quão valioso são esses sistemas que usamos todos os dias e que defendemos tanto. O Linux só se tornou valioso e passou a ter valor monetário para as corporações, porque as grandes distros, que são em sua maioria mantidas por empresas,- excetuando o Projeto Debian, que nunca teve uma empresa como mantenedora,- se tornaram produtos valiosos e funcionais para atender demandas de mercados ímpares: desde a indústrias aeroespacial à miniplacas lógicas, como Rapsberry PI.
No final, das contas, foi o mercado que tornou o Linux essa potência econômica. Foi a adoção em massa da indústria de TI que nos trouxe até aqui e foi por conta da inovação tecnológica que o Linux se tornou omnipresente desde o advento do Android. Nosso principal produto feito do kernel Linux. Ainda temos muito que avançar, há muita ideologia envolta nas comunidades de desenvolvimento(e isso é bom)por que mantém a chama acesa e nos move para frente, sem nos preocuparmos exatamente com “orçamentos”(?). O Linux é a maior invenção tecnológica da era da informação, depois do PC e para ele, o céu já não é mais limite. Visto que estamos em Marte embarcados no Curiosity, um projeto que custou à NASA: US$2,5 bilhões. E que teria custado certamente 10 vezes mais se não fosse o software livre.

Artigo colaborativo criado por Leandro França.
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