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Cloud Desktop pode ou não dar certo?

Cloud Desktop pode ou não dar certo?

A seis anos, o mega portal de busca Google fez o anuncio de um novo sistema operacional baseado em Linux, chamado Chrome OS, para trabalhar exclusivamente com aplicativos web. Apesar de ser considerado como Software Livre, no inicio, a ideia era a de não disponibilizar o download para instalação, em vez disso, o sistema operacional só viria em hardware específico de fabricação dos parceiros da Google. Pouco depois, mudaram de ideia e liberaram o código-fonte para quem tivesse interesse.

Muitos enxergaram a ideia da Google como uma nova e definitiva forma de levar e consolidar o Linux no Desktop (como se a Canonical já não estivesse fazendo um excelente trabalho), mas aí começaram a enxergar alguns problemas: o sistema é basicamente o navegador Chrome modificado para trabalhar no modelo Desktop, mas não existem aplicações nativas, off-line, que permitiriam por ex, que uma pessoa digite um simples texto durante uma viajem, quando estivesse transitando por uma região sem sinal de Internet, ou mesmo em um avião, durante uma viagem mais longa, impediria o usuário do Chromebook de fazer qualquer coisa. Se o SO depende de uma conexão com a Internet para fazer basicamente tudo, principalmente no Brasil, as barreiras de uso são bem variadas: nem todas as cidades possuem sinal 3G e as que dizem ter, a qualidade é bastante instável e lento. Em cidades pequenas, costuma-se ter alguma empresa que implanta algumas torres de sinal de rádio, mas a velocidade costuma ser pior que o próprio 3G. 


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O uso de um Chromebook fica limitado a locais específicos, como o local de trabalho, dentro da casa do portador e alguns lugares com wireless público (como alguns shoppings). Claro que ninguém compraria uma máquina dessas, ou mesmo instalaria o Chrome OS para jogos ou mesmo para aplicações pesadas, como renderização 3D, mas, mesmo limitando ao uso básico e específico, como digitar textos, consultar informações bancárias, acessar o CRM e ERP da empresa, o que fazer em ocasiões como no dia em que ocorreu o apagão da Internet e celular, como no final de Abril de 2012? Nem uma Cloud Private resolveria o problema, visto que para acessar aplicativos Office, como o Google Docs, ou Zoho Office é obrigatório o acesso a Internet. 
Depois de muito tempo e muitas dúvidas, a Google resolveu reconsiderar algumas questões que estavam sendo um terrível freio de adoção a seu SO. Adotando particularidades do MacOS, uma nova versão do Chrome está sendo projetada para lembrar um pouco mais um sistema Desktop padrão, do que um navegador web que vinha sendo até então.
Então, agora ele tem chance de decolar? Essa dúvida ainda permanece! As noticias sobre essa mudança na interface limita-se a dizer exatamente isso: que a interface mudou. Só! Ninguém tem noticia de que agora será possível instalar programas tradicionais do Linux, ou qualquer outra coisa. Então, aquele problema comentado antes continua: estou viajando de avião ou transitando por um local que não tem sinal 3G, não poderei usar meu Chromebook? Não poderei revisar uma apresentação, ouvir uma música, digitar uma carta, etc…? Muitos sonham que o Chrome OS supere o Ubuntu, que seja a forma definitiva do Linux começar a dominar o Desktop empresarial, mas parece que isso não vai acontecer tão cedo (se é que um dia vai). 


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Se ao menos o Libre Office viesse pré instalado, ou tenha a opção de fazê-lo posteriormente, junto a um player de música, daqueles bem básicos, como o Audacius, o mero interesse em usá-lo será por curiosidade e nada além disso. Na mesma época de anuncio do ChromeOS, foi lançado o JoliOS, uma modificação do Ubuntu para trabalhar da mesma forma: apenas com programas web. Os empecilhos foram os mesmos: sem Internet, sem utilidade. Em 2007, já cogitava-se a existência, ou pelo menos o desenvolvimento de um SO da Google, principalmente quando um funcionário declarou que a empresa usava uma versão totalmente personalizada do Ubuntu. 
Pouco depois, surgiu o gOS, que todos acreditaram ser esse projeto, tendo em vista que ele possuía atalhos no Desktop para diversos serviços da Google. (na verdade, o G, vem de Good) Na minha opinião, essa sim seria a forma correta de trabalho do Chrome OS: enfase de uso em soluções na nuvem, porém, com a possibilidade de instalação posterior de programas. Brinquei com esse sistema por alguns dias e gostei do que vi. Antes de sair de casa, conectei o Thunderbird e baixei meus e-mails recentes para lê-los posteriormente, precisava de uma carta de apresentação para um projeto que já tinha começado a escrever no DOC da Google. Bastou copiar o conteúdo para o Writer (que já vinha pré-instalado), salvar e editá-lo posteriormente.
Hoje, infelizmente, esse gOS acabou, visto que haviam poucos interessados em mantê-lo, mas pode muito facilmente ser re-criado, não como uma distribuição específica, mas um tema do Superkaramba que disponibiliza atalhos para os diversos aplicativos em nuvem hoje existentes, permitindo a personalização de quais atalhos deixar no Desktop (por ex, ao invés de usar o Office da Google, optar pelo Zoho Office, Think Free ou mesmo o da Microsoft. Trocar o gmail por Yahoo, ou uma conta particular). 


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Principalmente no Brasil, não adianta fazer um Sistema Operacional que funcione única e exclusivamente na Nuvem, ter programas offline também é fundamental, pois do contrário, barreiras a produtividade surgirão aos montes, prejudicando a todos os que optarem em usar um sistema como esse. Muito mais rápido, produtivo e barato seria trabalhar na criação de Gadgets que incluam atalhos ao Desktop, independente da distribuição.
Artigo enviado e escrito por: Daigo Asuka
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