O dia em que Edward Snowden se apresentou ao mundo parte 4

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O dia em que Edward Snowden se apresentou ao mundo parte 4

Confira abaixo a parte 2 da série de postagens, “O dia em que Edward Snowden se apresentou ao mundo, lembrando que recomendamos ler a Parte 1, Parte 2 e a Parte 3 antes de prosseguir. 


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Então, me acalmei ao encontrar Gill Phillips, advogada-chefe do The Guardian, que decidiu fazer uma escala em Hong Kong durante a sua viagem da Austrália a Londres para ajudar Ewen e eu com as questões jurídicas. Disse que queria explorar todas as formas possíveis para oGuardian proteger Snowden. “Alan [Rusbridger, diretor do jornal britânico] foi categórico de que temos que dar todo o apoio legal que pudermos”, explicou. Tentamos falar mais, porém como ainda havia alguns jornalistas à espreita, ficamos sem privacidade.
Finalmente encontrei o meu leitor com os dois advogados em Hong Kong. Discutimos onde poderíamos conversar sem ser seguidos, e decidimos ir todos para quarto de Gill. Ainda perseguidos por alguns repórteres, fechamos a porta na cara deles. Fomos direto ao ponto. Os advogados queriam falar imediatamente com Snowden para que ele os autorizasse formalmente a representá-lo. Assim, poderiam começar a agir em seu nome.
Gill fez uma pesquisa no Google sobre aqueles advogados – a quem acabávamos de conhecer – e antes de levá-los até Snowden conseguiu descobrir que eles eram realmente bem conhecidos e se dedicavam a questões relacionadas com os direitos humanos e asilo político, e que tinham boas relações no mundo político de Hong Kong. Enquanto Gill tentava organizar a situação de forma improvisada, entrei no programa de bate-papo. Snowden e Laura estavam online.
Laura, que agora estava hospedada no hotel de Snowden, tinha certeza que os jornalistas também conseguiriam achá-los em questão de tempo. Snowden estava ansioso para sair. Conversei com ele sobre os advogados, que estavam prontos para ir ao seu quarto. Disse que tinham que buscá-lo e levá-lo a um lugar seguro. Havia chegado o momento, afirmou, “de começar a parte do plano no qual peço ao mundo proteção e justiça”. “Mas eu tenho que sair do hotel sem ser reconhecido pelos repórteres”, disse ele. “Caso contrário, vão me seguir a qualquer lugar que eu vá”. Transmiti estas preocupações aos advogados. “Ele tem alguma ideia de como evitar isso?”, questionou um deles.
Eu fiz a pergunta a Snowden. “Estou fazendo algumas coisas para mudar a minha aparência”, disse ele, insinuando que já tinha pensado nisso antes. “Eu vou ficar irreconhecível”.
Agora seria certamente impossível encontrar Snowden, ou ajudá-lo a sair da cidade; havia chegado a um momento que me sentia, tanto física como emocional e psicologicamente, totalmente esgotado.
A esta altura, concluí que os advogados tinham de falar diretamente com ele. Antes disso, precisavam que Snowden dissesse uma frase do tipo “pela presente, os contrato”. Enviei a frase a Snowden, que me digitou as palavras de volta. Em seguida, os advogados ficaram em frente ao computador e começaram a conversar com ele.
Depois de dez minutos, os dois advogados disseram que estavam indo imediatamente para o hotel de Snowden com a ideia de sair sem serem vistos. “O que vão fazer com ele depois?”, perguntei. Certamente o levariam até a missão da ONU em Hong Kong e solicitariam formalmente a sua proteção contra o governo dos EUA, alegando que Snowden era um refugiado em busca de asilo. Ou então, disseram, tentariam encontrar uma “casa segura”.


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Em qualquer caso, o problema era como tirar os advogados do hotel sem que alguém pudesse segui-los. Tivemos uma ideia: Gill e eu sairíamos do quarto, desceríamos até a recepção e atrairíamos a atenção dos jornalistas, que esperavam do lado de fora para nos seguir.
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