Pular para o conteúdo
Notícias e tutoriais sobre Linux
Cibersegurança

Vulnerabilidade no Nuclei permite execução de código malicioso em modelos não validados

Vulnerabilidade Nuclei

Uma grave falha de segurança foi descoberta no Nuclei, um scanner de vulnerabilidades de código aberto amplamente utilizado. A vulnerabilidade, identificada como CVE-2024-43405, tem uma pontuação de severidade de 7,4 em 10 e afeta todas as versões do Nuclei posteriores à 3.0.0. Caso explorada com sucesso, ela permite que invasores contornem a verificação de assinaturas e potencialmente executem códigos maliciosos.

Como a vulnerabilidade afeta o Nuclei?

Vulnerabilidade Nuclei

O Nuclei é projetado para identificar vulnerabilidades em aplicativos modernos, infraestruturas e plataformas de nuvem. O processo de varredura utiliza arquivos YAML, conhecidos como templates, para enviar requisições específicas que ajudam a localizar falhas no sistema. Contudo, a falha descoberta afeta diretamente a maneira como a verificação de assinatura é realizada, possibilitando que códigos maliciosos sejam injetados em templates sem comprometer a assinatura legítima.

Segundo a Wiz, empresa de segurança que identificou a vulnerabilidade, a falha ocorre devido a uma inconsistência entre o processo de verificação de assinatura e o parser YAML, responsável por interpretar os templates. Isso cria uma brecha que permite que um invasor inicie uma sequência de comandos maliciosos ao burlar a verificação de assinatura.

Como os invasores podem explorar a falha?

A exploração dessa vulnerabilidade depende da manipulação do processo de verificação de assinatura, o que permite que os invasores insiram caracteres especiais, como “\r” (retorno de carro), em lugares estratégicos. Esses caracteres são tratados de maneira diferente pelo mecanismo de verificação de assinatura e pelo parser YAML. A primeira linha de verificação da assinatura, que é validada corretamente, ignora qualquer linha subsequente que também contenha assinaturas. No entanto, essas linhas ignoradas ainda podem ser processadas pelo YAML e executar comandos, comprometendo a segurança do sistema.

De acordo com Guy Goldenberg, pesquisador da Wiz, essa falha representa um ponto único de falha, visto que a verificação de assinatura é o único método atualmente disponível para garantir a integridade dos modelos. Com a falha, invasores podem criar modelos maliciosos que se aproveitam dessa falha de verificação para realizar ataques como execução arbitrária de comandos ou exfiltração de dados.

Medidas de mitigação

O ProjectDiscovery, desenvolvedor do Nuclei, já corrigiu a falha na versão 3.3.2 do Nuclei, lançada em setembro de 2024. A versão mais recente, 3.3.7, inclui correções adicionais. A recomendação para os usuários é atualizar imediatamente para evitar que a falha seja explorada por agentes maliciosos. Além disso, é crucial que organizações validem e isolem corretamente modelos fornecidos por fontes não confiáveis, a fim de impedir que código malicioso seja executado.

Esse incidente destaca a importância de manter práticas rigorosas de validação e verificação de segurança em ferramentas utilizadas para auditoria de vulnerabilidades. A adoção de medidas proativas pode ajudar a prevenir que brechas como essa comprometam a integridade de sistemas críticos.

QUEM ESCREVE
Jardeson Márcio

Sobre o autor

Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.