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Kernel Linux recebe patches iniciais para o Apple A18 Pro e o inédito MacBook Neo

O início do porte para a nova geração!

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Os primeiros passos para rodar sistemas operacionais de código aberto nos futuros processadores da Apple já começaram. Uma nova série de patches enviada à lista de discussão do Kernel Linux propõe a adição de suporte inicial ao chip Apple A18 Pro, identificado tecnicamente como SoC t8140. Além de preparar o terreno para a compatibilidade de hardware, o envio dos códigos revelou o nome de um dispositivo ainda não detalhado pelo mercado: o “MacBook Neo”.

O conjunto de seis patches foi submetido pela desenvolvedora Yureka Lilian na última sexta-feira (4) e tem como objetivo adicionar as árvores de dispositivos (device trees) e as amarrações (dt-bindings) necessárias para o funcionamento básico do novo silício.

O que isso significa na prática

Quando a Apple lança uma nova geração de processadores Apple Silicon, o hardware possui especificidades fechadas que impedem a inicialização imediata de sistemas como o Linux. Projetos de engenharia reversa e adaptação, encabeçados por desenvolvedores da comunidade e do projeto Asahi Linux, precisam mapear os componentes internos do chip para que o Kernel Linux consiga “conversar” com eles.

Os patches enviados agora representam o esqueleto inicial desse mapeamento para a geração A18 Pro. Eles ensinam o sistema a reconhecer o processador, gerenciar os estados de energia, lidar com interrupções de hardware e operar o relógio de segurança (watchdog).

A menção ao “MacBook Neo” (codinome j700) nos arquivos do sistema é um indicativo de que a Apple está desenvolvendo uma nova linha de portáteis baseada no A18 Pro, visto que os desenvolvedores costumam extrair esses codinomes diretamente do firmware original dos dispositivos da maçã durante o processo de porte.

Detalhes técnicos do suporte inicial

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Segundo a desenvolvedora responsável pela submissão, a arquitetura de hardware desta geração permaneceu amplamente inalterada em relação aos chips Apple Silicon anteriores, o que facilita o reaproveitamento de drivers já existentes.

O pacote de submissão inclui:

  • Compatibilidade para os núcleos de CPU do Apple A18 Pro.
  • Adição do identificador t8140 para o gerenciador de energia (apple,pmgr e pmgr-pwrstate).
  • Suporte ao controlador de interrupções da Apple (apple,aic2) para o novo SoC.
  • Adição do watchdog (apple,wdt).
  • A árvore de dispositivos mínima para inicializar o MacBook Neo (t8140-j700.dts e arquivos relacionados).

Limitações atuais e próximos passos

O estágio atual do código é estritamente inicial e focado em desenvolvedores. Para que o Linux consiga inicializar no MacBook Neo, os usuários precisarão de alterações no m1n1, o gerenciador de boot customizado utilizado em Macs com Apple Silicon, de forma semelhante ao que ocorreu com a geração M4.

Além disso, a inicialização em modo SMP (Symmetric Multi-Processing), que permite o uso de múltiplos núcleos de processamento simultaneamente, depende da aplicação de patches adicionais que evitam o uso das instruções WFI (Wait For Interrupt) e WFIT, contornando comportamentos específicos da arquitetura de energia da Apple.

O código atualmente encontra-se em fase de proposta. A estratégia de integração prevê que as alterações passem pela revisão dos mantenedores do Kernel Linux e sejam unificadas através da árvore “apple-soc”, antes de chegarem à versão principal (mainline) do sistema.

QUEM ESCREVE
Emanuel Negromonte

Sobre o autor

Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre GNU/Linux, Software Livre e Código Aberto, dedica-se a descomplicar o universo tecnológico para entusiastas e profissionais. Seu foco é em notícias, tutoriais e análises aprofundadas, promovendo o conhecimento e a liberdade digital no Brasil.