Pular para o conteúdo
Notícias e tutoriais sobre Linux
Google

YouTube adotará o codec AV2 em 2027; veja as novidades

Streaming mais eficiente e aberto na web.

Imagem de logomarca do YouTube

A busca por vídeos em resoluções cada vez maiores, com melhor qualidade de imagem e menor consumo de internet, está impulsionando a evolução dos codecs de vídeo. Nesse cenário, o codec AV2 representa um novo passo na estratégia de tornar o streaming mais eficiente, com tecnologias abertas e livres de royalties. O YouTube confirmou que pretende começar a disponibilizar vídeos codificados nesse formato na versão web da plataforma no início de 2027.

A novidade dá continuidade ao trabalho iniciado com o AV1, que já ocupa uma posição importante na distribuição de vídeos pela internet. Desenvolvido pela Alliance for Open Media (AOMedia), o AV2 promete melhorar a compressão de imagens, permitindo transmitir conteúdo com qualidade equivalente usando menos dados ou entregar imagens melhores com a mesma taxa de bits. A mudança também abre possibilidades para experiências com múltiplos vídeos simultâneos e novas aplicações de comunicação em tempo real.

Apesar do potencial, a chegada do novo padrão não significa que todos os computadores, celulares e televisores poderão aproveitar imediatamente seus benefícios. O suporte dos navegadores, a capacidade de processamento dos dispositivos e a futura incorporação de decodificadores em hardware serão fatores decisivos para a adoção em larga escala.

O que é o codec AV2 e qual é o salto de desempenho esperado

O AV2 é a nova geração de tecnologia de compressão de vídeo criada pela Alliance for Open Media para suceder o AV1. A especificação foi publicada em 2026, após anos de desenvolvimento envolvendo empresas como Google, Amazon, Apple, Intel, Netflix e Samsung.

Um codec determina como um vídeo é comprimido para armazenamento ou transmissão e como é reconstruído durante a reprodução. Quanto mais eficiente for esse processo, menos dados serão necessários para entregar determinada qualidade visual. Essa característica é especialmente importante para plataformas como o YouTube, que distribuem conteúdo para milhões de pessoas com diferentes velocidades de conexão e capacidades de processamento.

Segundo as estimativas divulgadas durante o desenvolvimento do formato, o AV2 pode alcançar uma eficiência de compressão entre 25% e 32% superior à do AV1, dependendo da métrica, do conteúdo e das condições de teste. Isso não significa necessariamente que todos os vídeos ficarão 32% menores. O resultado varia conforme as características das imagens, as configurações de codificação e a qualidade pretendida.

A vantagem central está na possibilidade de equilibrar melhor qualidade e consumo de banda. Para os serviços de streaming, isso pode reduzir os custos de distribuição. Para o público, pode significar reprodução mais estável e melhor aproveitamento das conexões disponíveis.

EairHtEa gifs nos comentarios do youtube

Mais qualidade com menor taxa de bits: o impacto na banda

A taxa de bits, também chamada de bitrate, indica a quantidade de dados transmitidos por segundo. Vídeos em 4K e 8K exigem taxas elevadas para preservar detalhes, especialmente em cenas com movimentos rápidos, texturas complexas e mudanças frequentes de iluminação.

Com o AV2, o YouTube poderá buscar duas melhorias complementares: manter uma qualidade de imagem semelhante à atual usando menos dados ou elevar a qualidade visual sem aumentar proporcionalmente o bitrate.

Para quem assiste a vídeos em redes móveis, conexões compartilhadas ou internet sujeita a oscilações, essa eficiência pode fazer diferença. Uma transmissão que exige menos banda tem mais chances de continuar reproduzindo sem interrupções quando a conexão perde velocidade temporariamente.

Isso não elimina todos os problemas de buffering. A estabilidade também depende da latência, do congestionamento da rede, da distância até os servidores e da capacidade de adaptação do reprodutor. Ainda assim, reduzir a quantidade de dados necessária para transmitir um vídeo é uma maneira direta de melhorar a experiência de streaming.

A economia pode beneficiar também quem possui franquias limitadas de dados móveis. Entretanto, o consumo real dependerá do perfil de qualidade selecionado, da duração da reprodução e da implementação adotada pelo YouTube.

Novos horizontes com multiview e videoconferências

O potencial do AV2 vai além de reproduzir vídeos convencionais com maior eficiência. A tecnologia também foi projetada para atender a aplicações que envolvem múltiplos fluxos de vídeo e experiências visuais mais complexas.

Entre as possibilidades estão transmissões com multiview, recurso que permite acompanhar diferentes ângulos de um mesmo evento, e aplicações de videoconferência que precisam equilibrar qualidade de imagem, uso de banda e resposta em tempo real.

A equipe de engenharia do Chrome destacou o potencial do AV2 para viabilizar novas experiências na web, incluindo vídeos com múltiplas perspectivas e chamadas em alta definição mais eficientes. Em eventos esportivos, por exemplo, esse tipo de recurso pode permitir alternar entre câmeras ou visualizar diferentes perspectivas simultaneamente.

É importante, porém, distinguir potencial técnico de disponibilidade imediata. A adoção dessas experiências dependerá da integração do codec aos navegadores, aos serviços e às aplicações que decidirem utilizá-lo. Recursos que exigem baixa latência também precisam de ajustes específicos na captura, codificação, transmissão e decodificação dos vídeos.

Os planos do YouTube e o desafio da aceleração por hardware

O YouTube não está começando do zero. A plataforma já avançou significativamente na distribuição de conteúdo em AV1, e a empresa informou que mais de 90% do catálogo, ponderado pelo tempo de exibição, estava disponível nesse formato em 19 de março de 2026.

A chegada do AV2 será gradual. O plano anunciado prevê disponibilizar transmissões nesse codec para a versão web do YouTube no início de 2027, sem que isso represente uma migração imediata de todo o catálogo. A plataforma poderá selecionar quais vídeos serão oferecidos no novo formato e manter alternativas para dispositivos incompatíveis.

A decisão de começar pela web é relevante porque navegadores como o Google Chrome constituem uma base importante para testar e distribuir novas tecnologias. Também permite avançar na implementação de software antes que o suporte esteja disseminado em diferentes categorias de hardware.

O principal obstáculo, entretanto, será a decodificação. Os codecs modernos podem exigir uma quantidade considerável de processamento, e o AV2 apresenta desafios adicionais em relação ao AV1. Quando um dispositivo não possui aceleração específica para o formato, o processador central, ou CPU, precisa executar o trabalho por software.

Em computadores potentes, isso pode ser suficiente para reproduzir vídeos em determinadas resoluções. Em notebooks mais modestos, celulares e equipamentos compactos, porém, a decodificação por software pode aumentar o consumo de energia, elevar a temperatura e provocar quedas na fluidez, principalmente em resoluções elevadas.

O que muda para navegadores, GPUs e sistemas operacionais

Para aproveitar o codec AV2 de maneira eficiente, não basta que o YouTube disponibilize os vídeos. É necessário que diferentes componentes do sistema consigam interpretar o formato e reproduzi-lo com desempenho adequado.

Os navegadores precisam incorporar suporte à decodificação, enquanto os sistemas operacionais e suas interfaces multimídia devem permitir que os aplicativos utilizem os recursos disponíveis. No Linux, por exemplo, a integração com APIs de vídeo e os drivers gráficos será importante para que o processamento possa ser transferido do processador central para o hardware compatível.

Nas GPUs, a evolução depende da inclusão de unidades específicas de decodificação de vídeo. Tecnologias como VA-API, bastante relevante no ecossistema Linux, e mecanismos próprios de fabricantes ajudam os aplicativos a aproveitar esses recursos. Entretanto, o suporte existente para AV1 não garante compatibilidade com AV2.

A mesma questão se aplica aos SoCs móveis, que integram CPU, GPU e outros componentes em um único chip, e às Smart TVs. Esses produtos precisam de implementação compatível em seus circuitos, firmwares, sistemas e aplicativos. Uma atualização de navegador, isoladamente, não cria um decodificador de hardware que o equipamento não possui.

A experiência do AV1 mostra por que essa transição exige paciência. Embora o padrão tenha sido lançado em 2018, sua adoção em hardware e software ocorreu progressivamente. Foram necessários novos processadores, placas gráficas, dispositivos móveis e atualizações de programas para ampliar a compatibilidade.

Com o AV2, a história pode se repetir. O lançamento na web em 2027 deverá representar um marco para a distribuição do formato, mas não uma garantia de suporte universal. Durante a transição, a compatibilidade com codecs anteriores continuará sendo importante para evitar que usuários com equipamentos mais antigos percam acesso ao conteúdo.

Para quem utiliza Linux, vale acompanhar a evolução dos navegadores, dos drivers e dos projetos multimídia de código aberto. Ferramentas de reprodução e codificação também precisarão amadurecer, assim como as implementações utilizadas por serviços de streaming e aplicações profissionais.

O futuro dos codecs abertos na web e na indústria

A importância do AV2 não se limita aos ganhos de compressão. O projeto também evidencia o papel da Alliance for Open Media na criação de padrões que podem ser implementados por diferentes empresas e distribuídos sem a cobrança de royalties prevista para o uso do formato.

A AOMedia reúne organizações de diferentes áreas da indústria tecnológica para desenvolver especificações abertas de mídia. Seu trabalho com o AV1 demonstrou que uma iniciativa desse tipo pode conquistar espaço em serviços de vídeo, navegadores e dispositivos de diferentes fabricantes. O AV2 busca ampliar esse resultado, acompanhando a demanda crescente por conteúdo de alta resolução e aplicações interativas.

É importante esclarecer que um codec aberto e livre de royalties não é necessariamente a mesma coisa que um software de código aberto. O codec define as regras técnicas de codificação e decodificação, enquanto as implementações são os programas que colocam essas regras em prática. No caso do AV2, a AOMedia disponibiliza especificações e recursos de referência para apoiar o desenvolvimento de implementações compatíveis.

Essa distinção interessa especialmente à comunidade de software livre. Padrões abertos podem reduzir barreiras para a criação de ferramentas independentes, favorecer a interoperabilidade e diminuir a dependência de tecnologias controladas exclusivamente por um fornecedor. Isso não elimina todas as disputas relacionadas a patentes, desempenho ou custos de implementação, mas cria condições mais favoráveis para a participação de diferentes projetos.

A adoção pelo YouTube também pode estimular fabricantes de chips, desenvolvedores de navegadores e criadores de software multimídia a acelerar seus trabalhos. Quanto maior for a demanda por conteúdo em AV2, maior será o incentivo comercial para oferecer suporte ao formato.

Por outro lado, a eficiência anunciada precisa ser acompanhada de testes independentes e avaliações em condições reais. Os ganhos de compressão não contam toda a história: velocidade de codificação, consumo de energia, qualidade visual percebida e custo de processamento também influenciam a viabilidade do padrão.

O AV2 tem potencial para tornar o streaming mais eficiente, mas seu sucesso dependerá da combinação entre qualidade técnica, compatibilidade e adoção pela indústria. A previsão para o início de 2027 coloca o YouTube entre os primeiros grandes serviços a estabelecer um cronograma público para a distribuição do novo formato.

Para usuários de Linux, profissionais de TI e entusiastas de hardware, acompanhar essa evolução será uma oportunidade de avaliar como os padrões abertos podem melhorar a infraestrutura de vídeo sem exigir uma troca imediata de todos os equipamentos.

QUEM ESCREVE
Jardeson Márcio

Sobre o autor

Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.