O desenvolvimento da próxima versão do Linux Mint avança com mudanças profundas na gestão de energia e na substituição de ferramentas históricas do ambiente de trabalho. A equipe de desenvolvimento confirmou a reintegração da hibernação nativa ao sistema operacional, além de apresentar três novos aplicativos gráficos projetados para monitoramento de hardware, gestão de arquivos compactados e uso avançado do terminal.
O retorno da hibernação com configuração automatizada
A gestão de energia em notebooks rodando Linux frequentemente esbarra nas limitações do modo de suspensão. Embora a suspensão seja rápida e confiável, ela mantém a memória RAM energizada. Se o computador passar vários dias fechado sem conexão à tomada, a bateria se esgota completamente e a sessão de trabalho é perdida.

A hibernação resolve esse problema ao salvar o estado da sessão diretamente no disco rígido (ou SSD) e desligar a máquina por completo, resultando em consumo zero de energia. No entanto, distribuições baseadas no Ubuntu removeram a hibernação padrão devido à complexidade técnica de configuração, que exige o dimensionamento correto de partições Swap e ajustes no carregador de inicialização.
Para contornar essa barreira técnica, o Linux Mint implementou uma página dedicada a Modos de Suspensão dentro da ferramenta de Administração do Sistema. O utilitário automatiza a ativação e verifica automaticamente potenciais problemas de compatibilidade, como a presença de restrições de SecureBoot ou a falta de espaço de troca (Swap) adequado.
A ferramenta também introduz o suporte à Suspensão Híbrida (que suspende e grava no disco simultaneamente) e à Suspensão seguida de Hibernação, um modo inteligente que mantém a máquina em suspensão rápida até que a bateria atinja um nível crítico, momento em que o sistema é forçado a hibernar para salvar os dados.
Superlight unifica o monitoramento de hardware e armazenamento

O gerenciamento de recursos do Linux Mint passará a ser feito pelo Superlight, um novo aplicativo projetado para apresentar o estado completo da máquina em tempo real. A ferramenta consolida gráficos de uso de CPU, memória RAM, SWAP, uso de rede, leitura e gravação de disco, temperatura geral e velocidade das ventoinhas.
Para dispositivos portáteis, o Superlight integra um histórico detalhado da bateria, registrando o nível de carga e as flutuações de entrada e saída de energia ao longo do tempo.
O utilitário também incorpora funções avançadas de análise de armazenamento. Em vez de depender de aplicativos de terceiros para entender o que está ocupando espaço no disco, o usuário tem acesso a um detalhamento visual da unidade. O sistema consegue identificar nativamente o espaço consumido por jogos da biblioteca Steam e por pacotes Flatpak, além de permitir a navegação hierárquica por pastas pesadas.
Velocitty e a modernização da linha de comando

O terminal padrão também sofreu reformulações com a chegada do Velocitty, uma aplicação desenvolvida em Python e baseada na biblioteca libAdwaita. O desenvolvimento ocorreu após a equipe avaliar projetos como o Ptyxis e o Ghostty, decidindo criar uma solução própria que integrasse melhorias visuais específicas.

O Velocitty adota um gerenciamento de abas fluido, semelhante ao funcionamento de navegadores web modernos, permitindo arrastar sessões entre diferentes janelas ou soltá-las para criar novas instâncias. O ambiente ganha indicadores visuais automáticos: a aba adquire a cor vermelha quando processos de superusuário (root, sudo ou pkexec) são executados, e a cor azul identifica sessões remotas via SSH ou SFTP.
A interface suporta paletas de cores personalizáveis e permite a criação de abas favoritas, onde o usuário pode pré-configurar o shell de preferência, comandos de inicialização (como o fastfetch acoplado ao shell fish) e definir títulos específicos para projetos recorrentes. O aplicativo também encurta caminhos longos de diretórios no cabeçalho para otimizar o espaço visual.
Nemo ganha painel de metadados e Unfold assume a descompactação

O gerenciador de arquivos Nemo recebeu uma atualização utilitária com a adição de um painel de visualização lateral, ativável através da tecla F7. O painel suporta a reprodução direta de áudio e vídeo, além de exibir imagens junto com seus metadados essenciais, como dados EXIF de fotografias (modelo da câmera e data de captura).
Na gestão de arquivos compactados, o antigo File Roller cede espaço ao Unfold, um gerenciador minimalista construído para lidar com os formatos 7zip e 7zip-RAR. O Unfold suporta criação, extração e leitura de arquivos protegidos por senha. Uma diferença estrutural importante em relação às ferramentas anteriores é o abandono do cache persistente de extração. O Unfold utiliza um diretório temporário isolado que é completamente apagado assim que o aplicativo é fechado, evitando o acúmulo de arquivos residuais ocultos no armazenamento.
Segurança comunitária e transição para o Xenity
Nos bastidores da distribuição, pacotes e dependências estão sendo atualizados. O Linux Mint introduziu nos repositórios da versão 22.x e do LMDE 7 o Xenity, um fork direto do Zenity 3.44 baseado em GTK3. A transição visa manter a compatibilidade visual e de sintaxe original da ferramenta de caixas de diálogo, substituindo a necessidade do antigo pacote nas extensões (Spices) do ambiente Cinnamon.
A infraestrutura web do projeto também passou por uma reestruturação de segurança. O site da comunidade do Linux Mint foi reescrito do zero, abandonando completamente o uso da linguagem PHP. A plataforma parou de armazenar senhas locais e delegou a camada de autenticação exclusivamente para o GitHub. Ao fazer login, o sistema vincula apenas o nome de usuário, e-mail e avatar da conta externa, eliminando riscos associados ao vazamento de credenciais próprias no banco de dados do projeto.
