A exclusividade do Aston Martin chega ao fim e marca um novo capítulo na estratégia da Apple para o carro conectado. Segundo informações de Mark Gurman, o Apple CarPlay Ultra começa a expandir para marcas mais acessíveis, com Hyundai e Kia no radar para o segundo semestre de 2026. A notícia não é apenas sobre compatibilidade, ela sinaliza uma mudança profunda na forma como software e veículo passam a funcionar como um único sistema. Ao mesmo tempo, escancara uma divisão cada vez mais clara na indústria automotiva entre quem abraça a integração automotiva da Apple e quem prefere manter controle total sobre dados, interfaces e receitas recorrentes.
O Apple CarPlay Ultra representa a evolução mais ambiciosa do CarPlay desde o seu lançamento. Não se trata mais de espelhar aplicativos do iPhone na central multimídia, mas de assumir uma camada central da experiência digital do veículo. Para consumidores, especialmente usuários de iPhone, isso pode significar uma experiência mais fluida, consistente e inteligente dentro do carro.
O que muda com o CarPlay Ultra
O Apple CarPlay Ultra foi projetado para ir além da tela central. Ele se integra diretamente ao painel de instrumentos digital, exibindo velocímetro, conta-giros, autonomia, navegação curva a curva e alertas do veículo com a identidade visual da Apple. Essa integração profunda transforma o sistema em uma interface unificada, algo que até então era controlado exclusivamente pelas montadoras.
Outro avanço importante é o controle de funções nativas do carro. Com o CarPlay de próxima geração, o motorista pode ajustar rádio, climatização, modos de condução e até configurações avançadas sem sair do ecossistema da Apple. Tudo acontece de forma contextual, com comandos de voz via Siri e interação direta na tela.
Além disso, o sistema passa a acessar dados em tempo real dos sensores do veículo. Informações como pressão dos pneus, temperatura externa, nível de combustível ou carga da bateria em elétricos são apresentadas de forma visualmente integrada, mantendo padrão de leitura e usabilidade consistente.
Além do espelhamento: Diferença entre a versão padrão e a Ultra
No CarPlay tradicional, a Apple depende das APIs disponibilizadas pela montadora e atua apenas como uma camada de espelhamento de apps como Mapas, Música e Mensagens. Já o Apple CarPlay Ultra funciona como um sistema quase nativo, com múltiplas telas, personalização avançada e acesso direto a dados veiculares.
Essa diferença muda completamente o jogo. Enquanto o modelo antigo coexistia com o sistema da montadora, o novo sistema para carros da Apple passa a ser parte estrutural da experiência de direção. Para o usuário, isso significa menos fragmentação e mais previsibilidade. Para as montadoras, significa abrir mão de parte do controle da interface e, potencialmente, da relação direta com o cliente.
Hyundai e Kia no radar para 2026
A entrada de Hyundai e Kia no ecossistema do Apple CarPlay Ultra é estratégica. As duas marcas têm forte presença global, preços mais acessíveis e grande penetração entre consumidores jovens e conectados. De acordo com as projeções, os primeiros modelos compatíveis devem chegar no segundo semestre de 2026.
Entre os possíveis destaques está o IONIQ 3, que pode se tornar uma vitrine do CarPlay de próxima geração em um veículo elétrico de volume. A escolha faz sentido, já que a linha IONIQ é fortemente associada à inovação, software e eletrificação. Para a Apple, essa parceria amplia drasticamente o alcance do sistema, saindo do nicho premium para um público muito mais amplo.
Para Hyundai e Kia, a adoção do Apple CarPlay Ultra também funciona como diferencial competitivo. Em um mercado onde hardware tende a se commoditizar, a experiência digital passa a pesar cada vez mais na decisão de compra. Oferecer uma integração profunda com o iPhone pode ser decisivo para muitos consumidores.
A grande divisão: Por que GM e Tesla dizem não?
Nem todas as montadoras, porém, veem essa expansão com bons olhos. GM e Tesla já deixaram claro que não pretendem adotar o Apple CarPlay Ultra. O motivo central não é técnico, mas estratégico. Essas empresas querem manter controle total sobre dados dos veículos, experiências digitais e, principalmente, receitas de assinaturas de software.
Ao permitir que a Apple assuma a interface principal, a montadora corre o risco de se tornar invisível para o usuário final. Além disso, perde a capacidade de coletar dados de uso e de vender serviços diretamente, algo que se tornou fundamental no modelo de negócios automotivo moderno.
Outras marcas adotam uma postura intermediária. BMW, por exemplo, mantém suporte ao CarPlay, mas com limitações claras sobre o que pode ser controlado pelo sistema da Apple. Rivian também demonstra cautela, priorizando seu próprio software para preservar diferenciação e identidade da marca.
Essa divisão evidencia um conflito maior, quem controla o software controla a experiência, os dados e o relacionamento com o cliente. O Apple CarPlay Ultra coloca a Apple no centro dessa disputa.
O impacto para consumidores e para o futuro do carro conectado
Para o consumidor, a expansão do Apple CarPlay Ultra para Hyundai e Kia pode representar um ganho real de usabilidade, segurança e consistência. A familiaridade do ecossistema da Apple reduz a curva de aprendizado e cria uma experiência mais previsível, independentemente da marca do veículo.
Ao mesmo tempo, essa mudança levanta questões importantes sobre dependência tecnológica e padronização excessiva. Se todos os carros oferecem a mesma interface, onde fica a identidade da montadora? Esse debate ainda está longe de terminar.
O que parece claro é que o carro moderno está se tornando uma plataforma de software sobre rodas. A chegada do Apple CarPlay Ultra a modelos mais acessíveis acelera essa transformação e pressiona a indústria a decidir de que lado quer estar. Para muitos compradores, a resposta pode ser simples, a melhor experiência digital pode, sim, influenciar diretamente a escolha do próximo carro.
