Brasil assume posição única no mundo com decisão sobre faixa adicional para o Wi-Fi

Emanuel Negromonte
4 minutos de leitura

Com mais de 200 milhões de cidadãos e PIB de R$ 7,4 trilhões, o Brasil tem, de longe, a maior economia e população das Américas (excluindo os Estados Unidos) Está também entre as maiores economias do mundo, e agora alcançou nova posição de destaque, tornando-se líder mundial na disponibilização de faixa adicional para o Wi-Fi.

Em 28 de fevereiro deste ano, os cinco conselheiros da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) votaram por unanimidade para abrir todos os 1.200 MHz da nova frequência de 6 GHz para uso não licenciado. Assim, o país tornou-se o primeiro a autorizar dispositivos internos de baixa potência (LPI) e de potência muito baixa (VLP) em todos os 1200 MHz. A decisão entra em vigor imediatamente, o que significa que os dispositivos Wi-Fi 6E (estendido) podem começar a se inscrever para obter a certificação e entrar no mercado ainda em 2021.

Isso foi possível pela decisão também unânime da Federal Communications Commission, órgão regulador dos Estados Unidos, de abrir a banda de 6 GHz em abril passado, dando o tiro de largada na corrida global para desbloquear mais espectro e aliviar o congestionamento das redes Wi-Fi de hoje, fornecendo velocidades multi-gigabit que irão liberar novas aplicações e enormes benefícios aos usuários. Essa decisão também autorizou o LPI em todos os 1200 MHz e estabeleceu regras técnicas para a operação ao ar livre em 850 MHz desse espectro. No entanto, a operação do VLP ainda é o assunto de um intenso processo de regulamentação e os dispositivos externos têm uma série de importantes obstáculos técnicos e procedimentais a serem eliminados antes que possam chegar ao mercado em 6 GHz.

Nas Américas, Chile e Guatemala abriram 1200 MHz para LPI, porém não migraram para nenhuma outra classe de dispositivo Wi-Fi 6E. Em abril, a Europa finalizará a abertura de 500 MHz para LPI e VLP (sem operação externa). E, em uma decisão dividida, a Coreia do Sul permitiu todos os 1200 MHz para LPI, mas apenas 500 MHz para dispositivos VLP.

Portanto, o Brasil ocupa uma posição única – entregando um aumento impressionante de 200% no espectro de banda média disponível para Wi-Fi (de 580 MHz para 1780 MHz), e faz isso para as duas classes de dispositivos principais. Isso inclui sete canais de 160 MHz de largura, que são capazes de fornecer 10 Gbps hoje com a tecnologia Wi-Fi 6 – um número que dobrará com o Wi-Fi 7.

Liderança é importante. Visão é importante. Com esta decisão, a Anatel declarou o interesse do Brasil em expandir o acesso ao Wi-Fi para seus cidadãos, empresas, agências governamentais e outros usuários. Estimativas recentes apontam que o Wi-Fi pode gerar US $125 bilhões em valor econômico para o Brasil em 2025 – e US $3,5 trilhões globalmente. O Wi-Fi impulsiona a concorrência em serviços de comunicação, o que reduz os preços de acesso à banda larga que, por sua vez, impulsiona a revolução digital nos negócios e reduz a exclusão digital. Wi-Fi é um insumo econômico vital – semelhante à energia, aço, concreto ou mão de obra – que sustenta a fabricação, distribuição, compra e transporte de produtos em todo o mundo.

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