Cisco CVE-2026-20045: falha zero-day crítica permite acesso root e RCE

Falha zero-day crítica na Cisco permite RCE e acesso root, atualização imediata é essencial para evitar comprometimento total do sistema.

Por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...
6 min

A Cisco confirmou e corrigiu uma vulnerabilidade zero-day crítica, identificada como CVE-2026-20045, que estava sendo explorada ativamente “in the wild” contra ambientes corporativos. A falha permite RCE em sistemas de comunicação unificada amplamente utilizados, abrindo caminho para obtenção de privilégios de root sem autenticação prévia. O impacto é considerado imediato e severo, especialmente para organizações que utilizam soluções de voz e colaboração como infraestrutura central de negócios.

De acordo com o comunicado de segurança, a exploração bem-sucedida da CVE-2026-20045 possibilita controle total do sistema afetado, colocando em risco chamadas, mensagens, dados sensíveis e a própria continuidade operacional. A empresa já disponibilizou atualizações de segurança, reforçando que não existem mitigações alternativas eficazes além da aplicação dos patches oficiais.

O que é a vulnerabilidade CVE-2026-20045

A CVE-2026-20045 é uma vulnerabilidade de execução remota de código (RCE) localizada na interface de gerenciamento baseada em HTTP de determinados produtos da Cisco. A falha está relacionada à validação inadequada de solicitações HTTP maliciosas, permitindo que um invasor não autenticado envie comandos especialmente construídos ao sistema vulnerável.

Na prática, isso significa que um atacante remoto pode explorar a vulnerabilidade sem a necessidade de credenciais válidas. Basta que a interface de administração esteja exposta, mesmo que parcialmente, para que o ataque seja iniciado. Esse tipo de falha é particularmente crítico em ambientes corporativos, onde tais sistemas costumam ter alto nível de privilégio e acesso a múltiplos serviços internos.

Por se tratar de uma vulnerabilidade de segurança já explorada ativamente, o risco deixa de ser teórico. A existência de exploits funcionais aumenta significativamente a probabilidade de comprometimento, sobretudo em redes que ainda não aplicaram o patch da Cisco correspondente.

O risco do acesso root

O aspecto mais grave da CVE-2026-20045 é a possibilidade de escalonamento para privilégios de root após a execução inicial do código. Uma vez explorada a falha de RCE, o invasor consegue executar comandos com permissões elevadas, assumindo controle completo do sistema operacional subjacente.

Com acesso root, o atacante pode instalar backdoors persistentes, modificar configurações críticas, interceptar comunicações, capturar credenciais e até se mover lateralmente para outros sistemas da rede. Em ambientes de telefonia IP e colaboração, isso pode resultar em espionagem corporativa, interrupção de serviços e violação de requisitos regulatórios.

Esse cenário reforça por que falhas desse tipo são classificadas como críticas. Não se trata apenas de um risco técnico isolado, mas de uma ameaça direta à integridade da infraestrutura de TI e à segurança da informação da organização.

Produtos e versões afetadas

A Cisco informou que múltiplos produtos de comunicação unificada são impactados pela CVE-2026-20045. Abaixo está a lista dos principais sistemas afetados e suas respectivas versões vulneráveis.

  • Cisco Unified Communications Manager (Unified CM)
    Versões 12.5, 14 e 15
  • Cisco Webex Calling Dedicated Instance
    Versões 12.5, 14 e 15
  • Cisco Unity Connection
    Versões 12.5, 14 e 15

Sistemas que executam essas versões e não receberam a atualização de segurança permanecem vulneráveis à exploração. A recomendação é verificar imediatamente o inventário de ativos e confirmar quais instâncias ainda não foram corrigidas.

Resposta da CISA e urgência na atualização

A gravidade da falha na Cisco levou a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) a incluir a CVE-2026-20045 em seu catálogo de vulnerabilidades exploradas ativamente. A agência estabeleceu o prazo de 11 de fevereiro para que organizações federais apliquem as correções necessárias.

Um ponto crítico destacado tanto pela Cisco quanto pela CISA é a ausência de soluções alternativas. Não há configurações de contorno, desativação de serviços ou regras de firewall que eliminem completamente o risco. Apenas a instalação do patch da Cisco resolve a vulnerabilidade de forma efetiva.

Esse posicionamento reforça o caráter urgente da atualização. Ambientes que postergarem a aplicação das correções permanecem expostos a ataques que já estão ocorrendo no mundo real, aumentando a superfície de risco a cada dia.

Conclusão e recomendações de segurança

A correção da Cisco CVE-2026-20045 evidencia uma tendência preocupante no cenário de ameaças atual. Infraestruturas de rede e comunicação, tradicionalmente consideradas confiáveis, tornaram-se alvos prioritários de ataques sofisticados e altamente direcionados.

Para administradores de rede e equipes de SecOps, a principal recomendação é clara. Manter um ciclo rigoroso de atualizações, com monitoramento constante de boletins de segurança e resposta rápida a vulnerabilidades de segurança críticas, deixou de ser uma boa prática opcional e passou a ser uma exigência operacional.

Além da aplicação imediata dos patches, é fundamental revisar a exposição das interfaces de gerenciamento, reforçar controles de acesso e ampliar a visibilidade sobre eventos suspeitos. Em um contexto onde falhas zero-day exploradas “in the wild” se tornam cada vez mais frequentes, a postura proativa é o único caminho para reduzir riscos reais à continuidade do negócio.

Compartilhe este artigo
Sair da versão mobile