Como criar scripts no Linux para automatizar tarefas

Transforme seu terminal em uma máquina de produtividade: automatize rotinas e elimine erros com Shell Scripts.

Por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
7 min
Comando Linux script: maximize sua produtividade no terminal agora mesmo

Escrever os mesmos comandos no terminal todos os dias é um desperdício de tempo e talento. Com scripts simples, você transforma sequências manuais e repetitivas em ferramentas de um clique, eliminando erros humanos e liberando sua agenda para o que realmente importa.

Um Shell Script é um arquivo de texto executável que contém uma série de comandos do terminal, processados sequencialmente pelo interpretador do sistema (como o Bash). Funciona como uma “receita de bolo” que o Linux lê e executa automaticamente, linha por linha.

Resumo da atualização:

  • Estrutura: Guia prático de criação com sintaxe moderna (Shebang portátil).
  • Segurança: Explicação detalhada sobre permissões de execução (chmod).
  • Produtividade: Uso de variáveis para backups dinâmicos e datados.

O que você precisa saber antes de começar

Para criar scripts eficientes em 2026, você não precisa ser um programador avançado, mas deve dominar a base do terminal. A maioria das distribuições Linux (Ubuntu, Fedora, Mint) utiliza o Bash como interpretador padrão, embora o Zsh tenha ganhado popularidade.

A lógica é simples: se você consegue digitar um comando no terminal, você consegue colocá-lo em um script. A diferença é que o script permite lógica condicional (se/então), loops (repetição) e variáveis.

Como criar e executar seu primeiro script

Vamos criar um script de backup real e funcional. Em vez de apenas copiar arquivos, ele criará um arquivo compactado com a data atual, algo essencial para rotinas profissionais.

1. Abra seu editor de texto

Você pode usar editores gráficos ou via terminal. Para este tutorial, usaremos o nano pela simplicidade.

Digite no terminal:

Bash
nano backup_automatico.sh

2. Defina o interpretador (Shebang)

A primeira linha é crucial. Ela diz ao Linux qual programa deve ler o arquivo.

Escreva na primeira linha:

Bash
#!/usr/bin/env bash
# O comando acima garante compatibilidade entre diferentes distros

3. Escreva a lógica do script

Vamos criar um script que define variáveis (data e diretórios) e executa a compressão.

Copie e cole o código abaixo:

Bash
# Define a data atual no formato Ano-Mes-Dia (ex: 2026-05-12)
DATA_ATUAL=$(date +%F)

# Define diretórios de origem e destino
ORIGEM="/home/seu_usuario/documentos"
DESTINO="/home/seu_usuario/backups"
ARQUIVO="backup_docs_$DATA_ATUAL.tar.gz"

# Cria o diretório de destino se ele não existir
mkdir -p $DESTINO

echo "Iniciando backup de $ORIGEM..."

# Compacta os arquivos
# c = create, z = gzip, v = verbose (mostra na tela), f = file
tar -czvf "$DESTINO/$ARQUIVO" "$ORIGEM"

echo "Sucesso! Backup salvo em: $DESTINO/$ARQUIVO"

4. Salve o arquivo

No nano, pressione Ctrl+O para salvar e Enter para confirmar. Depois, Ctrl+X para sair.

5. Conceda permissão de execução

Por padrão, arquivos de texto não são executáveis no Linux por segurança. Você precisa alterar isso.

Execute:

Bash
chmod +x backup_automatico.sh

DICA: Se estiver em um servidor compartilhado, use chmod u+x para dar permissão apenas ao seu usuário, aumentando a segurança.

6. Execute o script

Para rodar seu novo programa, chame-o pelo caminho relativo.

Digite:

Bash
./backup_automatico.sh

Solução de problemas comuns

Mesmo scripts simples podem falhar. Aqui estão os erros mais frequentes em 2026 e como resolvê-los.

Erro: “Permissão negada” (Permission denied)

Isso ocorre quando você pula o passo 5. O Linux enxerga o arquivo apenas como texto.

Solução: Verifique as permissões com o comando ls -l nome_do_script.sh. Se não houver um x na string de permissões, rode o chmod +x novamente.

Erro: “Comando não encontrado” (Command not found)

Se você tentar rodar digitando apenas backup_automatico.sh, o Linux não o encontrará, pois o diretório atual não está na variável $PATH do sistema.

Solução: Sempre use o prefixo ./ antes do nome do script (ex: ./script.sh) ou mova o arquivo para a pasta /usr/local/bin se quiser executá-lo de qualquer lugar.

Erro de sintaxe (Syntax error)

Um erro comum ao copiar scripts do Windows para o Linux é a diferença nas quebras de linha (CRLF vs LF).

Solução: Use a ferramenta dos2unix nome_do_script.sh para converter o formato do arquivo, garantindo que o interpretador Bash consiga lê-lo corretamente.

ALERTA: Jamais execute scripts baixados da internet sem ler o conteúdo antes. Comandos maliciosos como rm -rf / podem ser ofuscados dentro de scripts aparentemente inofensivos.

Perguntas Frequentes (FAQ)

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