A corrida global pela inteligência artificial está mudando silenciosamente a cadeia de suprimentos da tecnologia, e os smartphones começam a sentir o impacto direto dessa disputa. Relatórios recentes da Coreia do Sul indicam aumentos de até 100% nos preços da DRAM, um componente essencial em dispositivos móveis, impulsionados pela demanda explosiva por servidores de IA. Nesse cenário, Samsung e SK Hynix apertam o cerco, enquanto a Apple tenta proteger o lançamento do iPhone 18 em um mercado cada vez mais pressionado por custos.
O que antes parecia um problema restrito a data centers agora ameaça chegar ao bolso do consumidor final. A memória que alimenta modelos de linguagem, IA generativa e computação em larga escala é a mesma que garante desempenho fluido em smartphones premium. Em 2026, essa disputa se torna um dos fatores centrais para entender o preço do iPhone 18 e a dinâmica do mercado de tecnologia.
A crise da DRAM e o fator inteligência artificial
A DRAM vive um momento de desequilíbrio estrutural. Fabricantes globais redirecionaram parte significativa de sua capacidade produtiva para atender à demanda por módulos de memória de alto desempenho usados em servidores de IA, especialmente em combinações com GPUs e aceleradores dedicados. Esse movimento reduziu a oferta disponível para eletrônicos de consumo, como smartphones, tablets e notebooks.
A situação se agrava porque a memória usada em dispositivos móveis de ponta, como LPDDR5X, exige processos avançados de fabricação e margens mais apertadas. Para os fabricantes, tornou-se mais lucrativo priorizar contratos de longo prazo com empresas de IA e provedores de nuvem do que atender o mercado de consumo, historicamente mais sensível a preço.
O resultado é um efeito dominó. Menos oferta de DRAM para smartphones, preços mais altos por gigabyte e um aumento direto no custo de produção de aparelhos premium em 2026. A crise da DRAM deixa de ser apenas um problema industrial e passa a influenciar decisões estratégicas de gigantes como Apple, Samsung e outras marcas globais.
Samsung vs. Apple: o fim da era dos preços baixos?
A pressão se intensifica quando se observam os números. A Samsung já sinalizou aumentos de cerca de 80% nos preços da DRAM, enquanto a SK Hynix trabalha com reajustes que podem chegar a 100% em alguns contratos. Esses percentuais refletem não apenas a escassez, mas também o poder de barganha das fabricantes de memória em um mercado altamente concentrado.
Para a Apple, a situação é particularmente delicada. Informações da indústria indicam que a empresa conseguiu garantir preços de memória apenas para o primeiro semestre de 2026. Isso significa que o planejamento do iPhone 18 ocorre sob incerteza, especialmente para modelos lançados no segundo semestre, quando novos contratos precisarão ser renegociados em um ambiente de custos mais elevados.
Historicamente, a Apple se beneficiou de acordos antecipados e de seu enorme volume de compras para suavizar oscilações de preço. No entanto, a atual crise da DRAM sugere que esse modelo pode estar chegando ao limite. A disputa direta com a Samsung, que é ao mesmo tempo fornecedora e concorrente no mercado de smartphones, adiciona uma camada extra de complexidade à equação.
A estratégia de Ming-Chi Kuo: Apple vai absorver o custo?
Segundo análises atribuídas a Ming-Chi Kuo, um dos mais respeitados analistas da cadeia de suprimentos da Apple, a empresa pode optar por absorver parte do aumento de custos em vez de repassá-lo integralmente ao consumidor. A estratégia teria como objetivo manter o preço do iPhone 18 relativamente estável, preservando competitividade e ampliando participação de mercado em um momento de retração global do consumo.
Essa decisão, no entanto, não seria isenta de consequências. Absorver o aumento no custo de memória implica redução de margem de lucro, algo sensível mesmo para uma empresa com o poder financeiro da Apple. O movimento faria sentido estratégico se a empresa enxergar o ciclo de 2026 como crucial para consolidar seu ecossistema, especialmente com recursos avançados de IA embarcados no dispositivo.
A aposta é arriscada, mas coerente com o histórico da Apple. Em ciclos anteriores, a empresa já preferiu sacrificar margem no curto prazo para fortalecer sua base instalada e aumentar receitas recorrentes com serviços. A diferença agora é a escala da crise da DRAM, que pode se prolongar além de um único ciclo de produto.
Conclusão: o que o consumidor deve esperar até o fim de 2026
Para o consumidor, o cenário aponta para um mercado mais tenso e menos previsível. Mesmo que a Apple consiga conter o impacto inicial no preço do iPhone 18, a tendência de médio prazo é de dispositivos mais caros, especialmente em segmentos que dependem de grandes quantidades de memória de alto desempenho.
O efeito não se limita à Apple. Fabricantes Android, que em muitos casos operam com margens menores, podem ser forçados a repassar aumentos mais rapidamente. Isso pode resultar em smartphones premium mais caros ou em cortes de especificações para manter preços competitivos, afetando diretamente a experiência do usuário.
Até o final de 2026, a crise da DRAM deve continuar moldando decisões estratégicas em toda a indústria. A inteligência artificial, ao mesmo tempo em que impulsiona inovação, redefine prioridades e expõe os limites da cadeia global de semicondutores. Para quem acompanha o setor de tecnologia, entender essa dinâmica é essencial para compreender não apenas o futuro do iPhone, mas o rumo de todo o mercado móvel.
