Firefox 148 permite desativar IA e devolve controle total ao usuário

Firefox 148 dá ao usuário o poder de decidir quando a IA deve ou não participar da navegação.

Por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...
5 min

Desativar IA no Firefox deixou de ser apenas um desejo de parte da comunidade para se tornar uma opção concreta. Em um momento em que navegadores estão cada vez mais saturados por recursos baseados em inteligência artificial, muitas vezes ativados por padrão e sem transparência clara, a Mozilla decidiu seguir um caminho diferente. Com o Firefox 148, a empresa introduz um controle global que permite bloquear funcionalidades de IA diretamente nas configurações do navegador, reforçando sua histórica defesa da escolha do usuário e da privacidade digital. A mudança surge após debates intensos na comunidade, especialmente entre usuários de Linux e entusiastas de software livre, que questionam até que ponto a IA deve ser imposta como padrão na experiência de navegação.

O que muda no Firefox 148

O Firefox 148, com lançamento previsto para o ciclo estável de atualizações no primeiro semestre de 2026, adiciona uma opção clara e centralizada chamada “Bloquear melhorias de IA”. Ao ativar esse controle, o navegador desativa de forma global todos os recursos baseados em inteligência artificial integrados à experiência padrão, sem exigir ajustes individuais espalhados por menus avançados. A proposta é simples, mas poderosa, oferecer ao usuário a decisão final sobre quais tecnologias deseja utilizar. Diferentemente de abordagens adotadas por concorrentes, a Mozilla não esconde a funcionalidade nem condiciona o uso do navegador à aceitação de sistemas inteligentes automáticos.

Quais recursos de IA podem ser gerenciados

Com a nova opção de bloqueio, o usuário passa a controlar diretamente diferentes frentes de IA presentes no navegador. Entre os recursos afetados estão traduções automáticas de páginas, que utilizam modelos de linguagem para interpretar conteúdos em outros idiomas. Também entram na lista as ferramentas inteligentes para PDFs, como resumos automáticos e extração de contexto. Outro ponto relevante é o gerenciamento de abas, onde algoritmos sugerem agrupamentos ou encerramento automático com base no comportamento do usuário. Os previews inteligentes de links e páginas, que antecipam conteúdo antes do clique, também podem ser desativados. Por fim, há o controle sobre chatbots integrados, incluindo serviços de terceiros como Claude, Gemini e até experiências experimentais similares ao ChatGPT, quando habilitadas. Tudo passa a obedecer a uma única decisão do usuário.

A filosofia da Mozilla sob nova direção

A introdução desse controle no Firefox 148 não é um movimento isolado, mas um reflexo da filosofia que a Mozilla busca reafirmar sob sua atual liderança. O CEO Anthony Enzor-DeMeo destacou recentemente que a empresa acredita em “controle real e transparência total”, defendendo que tecnologias emergentes devem servir às pessoas, e não o contrário. Segundo ele, a inteligência artificial pode ser útil, mas nunca deve ser imposta como um requisito invisível. Essa postura dialoga diretamente com a tradição da fundação, que historicamente se posiciona contra práticas invasivas e modelos de negócios baseados na coleta excessiva de dados.

Por que isso importa para o usuário Linux

Para usuários de Linux, a possibilidade de desativar IA no Firefox tem um peso ainda maior. Esse público costuma valorizar a soberania digital, o entendimento do que roda em seu sistema e a liberdade de escolha sobre cada componente de software. Ao oferecer um controle global sobre os recursos de IA da Mozilla, o Firefox 148 se diferencia de navegadores como o Google Chrome, que avançam rapidamente na integração de IA sem oferecer alternativas claras de desligamento completo. Em ambientes Linux, onde o navegador muitas vezes é visto como uma extensão do próprio sistema, essa transparência fortalece a confiança e reforça o Firefox como uma opção alinhada aos princípios do software livre.

Conclusão e impacto para o futuro

O lançamento do Firefox 148 marca um ponto importante no debate sobre inteligência artificial nos navegadores. Ao permitir que o usuário escolha se quer ou não utilizar esses recursos, a Mozilla envia uma mensagem clara ao mercado, inovação não precisa vir acompanhada de imposição. Para quem se preocupa com privacidade, desempenho ou simplesmente prefere uma navegação mais tradicional, a opção de bloqueio global representa respeito e maturidade.

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