Gemini Skills fica gratuito com o fim dos Gems no Google

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Google libera as Gemini Skills de graça e anuncia o fim dos Gems para novembro de 2026.

O Gemini Skills está entrando em uma nova fase justamente quando o Google começa a reorganizar a forma como os usuários criam assistentes personalizados. O recurso, que transforma instruções reutilizáveis em habilidades capazes de atuar dentro das conversas, já está disponível para usuários com contas pessoais do Google, ampliando o acesso a uma função que antes estava associada à experiência dos Gems.

A mudança não é apenas uma troca de nome. O Google confirmou que os Gems serão descontinuados gradualmente a partir de novembro de 2026, enquanto as configurações e arquivos compatíveis serão convertidos para Skills. O cronograma varia conforme o tipo de conta, o que torna importante entender a transição antes que os antigos assistentes deixem de existir.

Neste artigo, você vai entender como funcionam as Skills do Gemini, como acioná-las, quais recursos ainda estão limitados, quando os Gems serão encerrados e o que muda para quem utiliza instruções personalizadas e arquivos de conhecimento no dia a dia.

O que muda com a transição dos Gems para as Gemini Skills

Os Gems foram criados para permitir que o usuário configurasse versões personalizadas do Gemini para determinadas tarefas. Era possível definir instruções específicas, adicionar arquivos de conhecimento e utilizar aquele assistente personalizado em uma experiência separada.

As Gemini Skills mudam esse modelo ao levar a personalização para dentro da própria conversa.

Em vez de abrir necessariamente um assistente específico, o usuário poderá chamar uma Skill diretamente no chat. A mecânica atual permite utilizar o caractere / seguido pelo nome da habilidade. O Google também informa que o acionamento por @ deverá chegar posteriormente.

Essa mudança aparentemente simples tem uma consequência importante: a personalização deixa de ficar tão isolada.

Uma Skill pode ser usada no contexto de uma conversa normal e, segundo o Google, o Gemini também poderá reconhecer automaticamente quando determinada Skill é relevante para uma solicitação. Além disso, diferentes Skills podem ser combinadas na mesma conversa, formando fluxos de trabalho mais complexos.

Na prática, imagine uma Skill configurada para transformar textos técnicos em artigos, outra para revisar SEO e uma terceira para estruturar informações em determinado formato. Em vez de alternar entre diferentes Gems, o novo modelo permite combinar essas habilidades conforme a tarefa.

Essa arquitetura aproxima o Gemini de um conceito mais modular de assistente pessoal.

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Limitações temporárias das Gemini Skills

A transição, entretanto, não significa que todos os recursos dos Gems estejam imediatamente disponíveis nas Skills.

O próprio Google informa que as Skills ainda não funcionam com alguns recursos do Gemini, incluindo Canvas e Deep Research. Também existem limitações envolvendo ferramentas como geração de vídeo, geração de música e Guided Learning.

Outro detalhe importante envolve os arquivos de conhecimento.

O Google afirma que os Gems serão convertidos automaticamente para Skills quando forem descontinuados, incluindo arquivos compatíveis. Para quem quiser fazer a migração manual antes disso, entretanto, os arquivos precisam ser baixados individualmente e depois enviados para a nova Skill. Arquivos do GitHub ainda não são suportados pelas Skills.

Portanto, quem depende de um Gem complexo não deveria simplesmente esperar pela conversão automática sem antes verificar como suas instruções, arquivos e ferramentas serão utilizados no novo formato.

Cronograma oficial de encerramento dos Gems

O fim dos Gems não acontecerá simultaneamente para todos os usuários.

O cronograma divulgado pelo Google estabelece:

  • Novembro de 2026: contas pessoais do Google;
  • Março de 2027: contas do Google Workspace para empresas, organizações, negócios e ambientes enterprise;
  • Junho de 2027: contas educacionais do Google Workspace.

A empresa afirma que os Gems serão automaticamente recriados como Skills quando forem retirados. Também existe a possibilidade de realizar a recriação manualmente antes da data de encerramento.

Isso significa que usuários de contas pessoais são os primeiros a enfrentar a mudança. Para quem mantém automações ou fluxos de produtividade baseados em Gems, novembro de 2026 deve ser tratado como um marco importante.

Google versus OpenAI: caminhos diferentes na customização de IA

A mudança do Google acontece em um momento particularmente interessante para o mercado de inteligência artificial.

Enquanto o Google está levando a personalização dos Gems para Skills integradas diretamente ao chat, a OpenAI também anunciou uma mudança estrutural no funcionamento dos GPTs personalizados.

Segundo a documentação oficial da OpenAI, os GPTs personalizados estão programados para ser descontinuados, com uma migração planejada para plugins capazes de combinar instruções reutilizáveis, arquivos de referência e aplicativos conectados. A data padrão anunciada para a descontinuação é 11 de dezembro de 2026, com uma extensão para determinados ambientes Enterprise que tenham adiamento aprovado.

Há, portanto, uma curiosa convergência entre as duas plataformas.

O Google está transformando Gems em Skills, enquanto a OpenAI está direcionando GPTs personalizados para Plugins. Nos dois casos, a ideia deixa de ser simplesmente manter um chatbot independente com uma configuração fixa e passa a privilegiar componentes reutilizáveis dentro de fluxos de trabalho.

Mas existe uma diferença relevante na experiência.

No Gemini, a Skill foi concebida para ser acionada dentro de qualquer conversa e pode até ser aplicada automaticamente quando o sistema identifica sua relevância. Já a proposta de migração da OpenAI concentra instruções, arquivos e aplicativos conectados em um plugin, preservando a lógica de um fluxo mais estruturado.

Para o usuário, a disputa deixa de ser apenas sobre qual modelo responde melhor.

Agora, a arquitetura de personalização, a portabilidade das instruções e a facilidade para construir automações também passam a fazer parte da competição entre os grandes fornecedores de IA.

Como preparar e migrar suas instruções personalizadas

A melhor estratégia para quem depende de Gems é não esperar novembro chegar para descobrir o que será perdido.

O primeiro passo é fazer um inventário dos Gems realmente utilizados. Não é necessário preservar cada experimento criado ao longo dos anos. Concentre-se nos assistentes que fazem parte de tarefas recorrentes, como produção de conteúdo, programação, análise de documentos, pesquisa, revisão ou organização de informações.

Depois, abra cada Gem importante e registre suas instruções personalizadas.

Vale preservar também exemplos de comandos utilizados com frequência. Eles funcionarão como uma espécie de teste de regressão para verificar se a nova Skill continua entregando resultados semelhantes.

O segundo passo é separar os arquivos de conhecimento.

Documentos, PDFs, imagens e outros materiais utilizados pelo Gem devem ser identificados e mantidos em uma cópia local ou em outro armazenamento seguro. O Google afirma que os arquivos compatíveis serão transferidos automaticamente durante a migração, mas quem quiser recriar a Skill antecipadamente deverá baixar os arquivos e enviá-los novamente.

Em seguida, recrie as instruções na nova Skill e teste o comportamento.

Não basta verificar se o Gemini responde. É importante comparar qualidade, formato, consistência e utilização dos arquivos de referência.

Um bom teste pode usar três níveis:

  1. Tarefa simples, para confirmar se as instruções básicas são obedecidas.
  2. Tarefa intermediária, envolvendo arquivos ou múltiplas regras.
  3. Tarefa complexa, reproduzindo uma situação real de trabalho.

Também é importante identificar dependências de recursos que ainda não são compatíveis com Skills. Se um Gem depende fortemente de Canvas, Deep Research ou outras ferramentas atualmente não suportadas, a migração automática pode não reproduzir exatamente o fluxo original.

Para usuários que trabalham com automações, manter uma cópia das instruções em um arquivo de texto ou repositório também é uma medida simples contra o chamado lock-in de plataforma. Se Google, OpenAI ou qualquer outro fornecedor alterar novamente sua arquitetura, as regras essenciais do seu fluxo de trabalho continuarão sob seu controle.

A mesma lógica vale para quem utiliza GPTs personalizados no ChatGPT. A OpenAI recomenda revisar instruções, arquivos de referência, aplicativos conectados e prompts conhecidos antes da migração. Ações personalizadas não são transferidas automaticamente, e a empresa recomenda testar as integrações reconstruídas antes de depender delas.

O impacto para a produtividade dos usuários

A chegada das Gemini Skills para contas pessoais representa uma mudança importante na estratégia do Google. Em vez de manter a personalização como uma função isolada, a empresa está transformando as habilidades em componentes que podem participar diretamente das conversas.

Para o usuário gratuito, isso reduz uma barreira de acesso. Para o Google, cria uma oportunidade de tornar o Gemini mais integrado aos fluxos cotidianos de produtividade.

A possibilidade de combinar Skills, acioná-las diretamente com / e futuramente com @, além da aplicação automática quando forem relevantes, aponta para um Gemini menos dependente de assistentes separados e mais próximo de uma plataforma modular.

Ao mesmo tempo, a transição mostra que a personalização de IA ainda está longe de ser um recurso estável. Google e OpenAI estão alterando suas arquiteturas quase simultaneamente, e usuários que investiram tempo na criação de assistentes precisam acompanhar essas mudanças para evitar perda de produtividade.

No fim, a grande disputa não envolve apenas Gemini contra ChatGPT. Ela envolve quem conseguirá transformar instruções, arquivos, ferramentas e aplicativos em um ambiente de IA realmente reutilizável.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.