Intel Arc B770 surge em drivers: o vazamento do chip BMG-G31 e o silêncio da Intel

O chip apareceu nos drivers, a GPU não apareceu no palco, e o mercado quer respostas.

Por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

A comunidade de hardware voltou a ficar em alerta após a descoberta de referências explícitas ao chip BMG-G31 em pacotes recentes de firmware e ferramentas de desenvolvimento da própria Intel. O achado, compartilhado inicialmente por usuários atentos no Reddit e em fóruns de desenvolvimento Linux, reacendeu rumores sobre a existência da Intel Arc B770, uma GPU intermediária poderosa com 16 GB de VRAM que, curiosamente, não foi mencionada pela Intel durante a CES 2026. O contraste entre evidências técnicas concretas e o silêncio institucional levanta uma pergunta inevitável, a Intel está apenas adiando o anúncio ou existe algo mais profundo por trás dessa ausência?

Desde a estreia da linha Intel Battlemage, a expectativa do mercado era clara, a empresa precisava preencher o espaço entre modelos de entrada e soluções mais robustas, oferecendo uma placa capaz de competir diretamente com GPUs intermediárias da NVIDIA e da AMD. O surgimento do BMG-G31 nos drivers não apenas valida essa expectativa como também sugere que o desenvolvimento está em estágio avançado, tornando o mistério da Intel Arc B770 ainda mais intrigante.

O que o chip BMG-G31 revela sobre a nova geração

A identificação do BMG-G31 não veio de um vazamento tradicional de especificações ou benchmarks, mas de algo mais confiável para quem acompanha o ecossistema de software, o código. Referências ao chip apareceram em atualizações recentes do VTune Profiler, ferramenta oficial da Intel usada para análise de desempenho em CPUs e GPUs, além de menções diretas em drivers gráficos atualizados, especialmente no ambiente Linux.

Esse tipo de suporte preliminar raramente é acidental. Normalmente, quando um identificador de chip surge em ferramentas internas e drivers públicos, significa que o silício já existe, ainda que em amostras de engenharia. No contexto da arquitetura Intel Battlemage, o BMG-G31 é amplamente interpretado como o chip destinado aos modelos mais avançados da geração, posicionando-se acima das soluções já conhecidas.

Outro ponto relevante é a consistência do nome. A nomenclatura BMG segue o padrão adotado internamente pela Intel para Battlemage, enquanto o sufixo G31 sugere uma configuração mais complexa, possivelmente com maior número de unidades de execução, barramento de memória mais largo e suporte nativo a grandes quantidades de VRAM. Tudo isso reforça a tese de que estamos diante da base técnica da Intel Arc B770, mesmo sem confirmação oficial.

Intel

Por que a Intel está evitando falar da Arc B770?

Durante a CES 2026, a Intel optou por destacar apenas os modelos Arc B580 e Arc B570, ambos posicionados como soluções acessíveis para gamers e usuários gerais. Embora competentes dentro de suas propostas, essas GPUs não atendem à demanda de um público que busca mais fôlego gráfico, especialmente em resoluções mais altas, workloads de criação e aplicações de IA local.

A ausência de qualquer menção à Intel Arc B770 chama atenção porque rumores anteriores já indicavam um modelo com 16 GB de VRAM, exatamente o tipo de especificação que hoje define uma GPU intermediária relevante. Esse silêncio pode ser interpretado de algumas formas. Uma possibilidade é estratégica, a Intel pode estar aguardando ajustes finais de desempenho, consumo ou rendimento de fabricação antes de se comprometer publicamente.

Outra leitura mais cautelosa envolve posicionamento de mercado. Com a concorrência preparando novas gerações e reposicionando preços, anunciar cedo demais poderia limitar a flexibilidade da Intel. Ao manter a Intel Arc B770 fora do discurso oficial, a empresa ganha tempo para avaliar o cenário competitivo e ajustar clocks, preços e até recursos de software, como upscaling e aceleração por IA.

Também não se pode ignorar o histórico recente da linha Arc. A primeira geração sofreu críticas relacionadas a drivers, compatibilidade e desempenho inconsistente em APIs mais antigas. Evitar promessas prematuras pode ser uma tentativa de não repetir erros do passado, mesmo que isso gere frustração entre entusiastas.

O impacto para o mercado e para o usuário Linux

A possível chegada de uma GPU Intel 16GB no segmento intermediário teria impacto direto em várias frentes. Para gamers, mais memória de vídeo significa maior longevidade, melhor desempenho em jogos modernos e menos compromissos ao lidar com texturas de alta resolução. Em um cenário onde 8 GB já começam a ser um gargalo, 16 GB deixam de ser luxo e passam a ser um diferencial estratégico.

Para profissionais e entusiastas de tecnologia, o impacto é ainda mais amplo. Aplicações de renderização, edição de vídeo, modelagem 3D e, principalmente, cargas de trabalho de inteligência artificial local se beneficiam enormemente de VRAM abundante. Uma Intel Arc B770 bem posicionada poderia se tornar uma alternativa real a modelos mais caros da concorrência.

No universo Linux, o interesse é ainda maior. A Intel construiu, ao longo dos anos, uma reputação sólida em drivers de vídeo Intel com forte suporte open source. O fato de o BMG-G31 já aparecer em drivers e ferramentas públicas indica que, quando essa GPU chegar ao mercado, o suporte inicial tende a ser mais maduro do que vimos em lançamentos anteriores. Para usuários de Linux que dependem de estabilidade, transparência e integração com o kernel, isso é um diferencial significativo.

Conclusão e o futuro das GPUs Intel

O vazamento do BMG-G31 não é apenas mais um rumor perdido em fóruns, ele representa um sinal técnico concreto de que a Intel está preparando algo maior do que revelou até agora. A ausência da Intel Arc B770 na CES 2026, longe de encerrar a história, adiciona uma camada de mistério que só aumenta a atenção do mercado.

Se a Intel conseguir alinhar desempenho competitivo, preço agressivo e a já reconhecida qualidade de seus drivers, especialmente no Linux, a Intel Arc B770 pode se tornar o produto que consolida a empresa como uma terceira força real no mercado de GPUs dedicadas. Até lá, cada atualização de driver e cada nova referência ao Intel Battlemage continuará sendo analisada com lupa por entusiastas e profissionais.

O futuro das GPUs Intel ainda está sendo escrito, mas os indícios deixados pelo BMG-G31 sugerem que a história está longe de terminar.

Você daria uma chance para a Intel Arc B770 frente às opções atuais da NVIDIA e da AMD? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão.

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