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Liberte Seu Roteador Com Sistemas WRT – Parte 1

Descubra os sistemas WRT e como eles podem aprimorar seu roteador

Hoje em dia, raros são os lares que não possuem um roteador wireless e alguns até contam com equipamentos cedidos pela operadora de internet. Mas há quem prefira adquirir um roteador com características mais avançadas: maior alcance, possibilidade de criar rede de visitantes, estética etc. Nestes casos, sistemas WRT são opções de firmware que expandem as funcionalidades do seu roteador.
Nesta série de artigos exploraremos desde a história destas firmwares baseadas no kernel Linux, até as opções de configuração mais avançadas que podemos alcançar com estes sistemas, e as diferenças existentes entre estas.

Introdução: Conceitos básicos

Antes de prosseguir, faremos uma revisão de algumas palavras-chave deste universo que são as firmwares alternativas para roteadores. Listaremos aqui palavras bastante utilizadas, que muitos leitores conhecem mas é bom sempre reforçar. Vamos lá:

  • Firmware: Um programa que interage diretamente com o hardware. É um conceito aberto e muitas coisas podem ser uma firmware: A BIOS é uma espécie de firmware, a firmware que está gravado sua placa de rede e pode ser atualizado através de comandos, o arquivo de firmware da placa wifi dentro do GNU/Linux, uma ROM customizada do Android, o sistema de uma calculadora científica, o arquivo intel-ucode para processadores de gerações mais modernas da fabricante Intel, e claro, alguns Linux que são customizados para rodar em roteadores. Quase todo equipamento eletrônico no mundo possui firmwares.
  • SSID: Nome de uma rede sem fio podendo conter até 32 caracteres.
  • GPL: General GNU Public License(Licença Pública Geral GNU) é uma licença de software que garante que juntamente com os programas, os seus códigos-fonte sejam distribuídos, permitindo ao usuário que modifique, aprimore e até mesmo redistribua estas alterações para outros. No conceito de Software Livre, a GNU GPL é a licença utilizada.
  • SoC: System on-a-Chip. Também é um conceito bastante amplo. No universo dos roteadores e celulares, trata-se dos circuitos integrados que compõem um dispositivo e estão embarcados no mesmo hardware, contendo CPU, Ram, Interfaces de Rede, Modens 3G/4G. Veremos mais adiante o quão importante é saber e pesquisar qual o SoC de um determinado equipamento para a aplicação de uma firmware WRT.
  • Versão de Hardware: Apesar dos roteadores terem um modelo como os carros, o mesmo modelo do mesmo fabricante pode ter diferenças de hardware(similar ao ano do carro). Isto pode acontecer porque uma determinada peça não é mais produzida e o fabricante do roteador precisa adaptar com alternativas, ou o fabricante de roteadores deseja que sua firmware não seja modificada e adiciona hardware que é mais difícil de ter a firmware alterada, ou até mesmo por limitações impostas pela regulamentação de um país. Estes e outros fatores podem gerar versões novas de hardware para um modelo de roteador. Veremos mais pra frente como saber a versão de hardware pode ser importante para a aplicação de outras firmwares no seu roteador.
  • Código-fonte: Conjunto de palavras ou símbolos que após alguns processos são transformados em software. Similar a receita de uma comida, e seu produto final após o processo. A GPL(acima) é uma licença que contempla a forma como códigos-fonte são obrigados a serem distribuidos ou disponibilizados.
Nota: Os termos “firmware alternativa”, “firmware de terceiros” ou “software alternativo” poderão ser utilizados alternadamente nesta série de artigos para significar a mesma coisa: Firmwares desenvolvidas pela comunidade que sobrepõem o software padrão dos roteadores. Da mesma forma, “firmware padrão”, “firmware de fábrica” e “software do fabricante” poderão ser utilizados para denotar a firmware que vem embarcada no equipamento e suas atualizações.

Um Pouco de História

Quase todas as firmwares alternativas para roteadores, possuem a sigla WRT. Isto acontece pelo fato do primeiro roteador a ter uma firmware alternativa se chamar WRT54G do fabricante Linksys:

Linksys WRT54G – Fonte:Wikipedia

Em meados de 2003, alguns hackers do kernel Linux conseguiram provar que este roteador utilizava o Linux 2.4.5 e outros projetos de código aberto embarcados como o BusyBox. Após várias tentativas frustradas de contato com esta empresa, ações legais obrigaram que os fontes fossem disponibilizados para download no site do fabricante. A discussão completa que culminou na liberação dos códigos-fonte ocorreu na lista do kernel Linux LKML e pode ser encontrada aqui: Linksys WRT54G and the GPL(em inglês).
Tendo o código-fonte em mãos, diversos programadores descobriram como interagir com o hardware, expandindo as funcionalidades já existentes, adicionando novas opções de configuração e até melhorando a estabilidade de operação destes roteadores. O fato jurídico do WRT54G foi o estopim para a criação de vários projetos de firmwares baseadas no kernel Linux, deixando o legado do WRT no nome de vários deles(DD-WRT, OpenWRT, TomatoWRT, FreeWRT, DebianWRT, HyperWRT, etc). Alguns destes projetos foram descontinuados, mas os maiores ainda existem e suportam uma grande quantidade de equipamentos.
Sabido então dos fatos que começaram este movimento de alteração das firmwares dos roteadores, vamos abordar os motivos que podem levar você a libertar seu roteador do software que ele possui de fábrica.

Razões para trocar ou manter a firmware do seu roteador

Temos uma lista resumida dos motivos que podem te levar a trocar a firmware do seu roteador, e pontos de precaução que podem fazer com que você queira permanecer com a disponibilizada pelo fabricante, ou aguardar até que uma nova versão saia.
Porque optar por uma firmware alternativa:

  • Mais funcionalidades que o software padrão do equipamento;
  • Em boa parte dos casos, maior estabilidade que a firmware de fábrica;
  • Serviços de VPN cliente e servidor;
  • Opções mais avançadas de QoS para garantir banda para dispositivos ou protocolos específicos;
  • Opções mais avançadas de Port Forwarding(encaminhamento de portas) pra quem joga online;
  • Ajuste de potência de antenas;
  • Criação de múltiplas redes wifi e redes visitantes;
  • Melhores relatórios de utilização dos recursos do roteador;
  • Suporte a hardware maior como impressoras e modens USB 3G/4G;
  • Suporte a múltiplos links de Internet;
  • Instalação de pacotes como uma distribuição GNU/Linux de desktop e servidores(se o tamanho do disco permitir);
  • Mais serviços disponíveis: Impressão, sistema de arquivos, VoIP, UPnP, Cache de DNS, são alguns exemplos;
  • Possibilidade de acesso SSH para tirar onda de hacker com os amigos(brincadeira… mas o SSH está liberado sim);
  • Correção de problemas de segurança que o fabricante não fará em modelos descontinuados e pode negligenciar em modelos que ainda estão no mercado;
  • Criação de Scripts e customização de itens que não estão na interface web. Aqui o céu é o limite e você pode conectar um painel de fotografias digitais no seu roteador para exibir a senha da rede visitantes, e randomizá-la através de um script. Exemplo disponível aqui;

Porque manter a firmware original de um roteador:
É triste, mas nem sempre podemos alterar a firmware de um roteador. Abaixo, há um compilado das maiores causa da firmware de fabrica ser mantida em um equipamento:

  • Garantia é finalizada ao trocar a firmware do roteador;
  • Funcionalidades da firmware padrão já são boas o bastante para o uso diário;
  • Seu roteador é concedido pelo provedor de internet, que controla as atualizações do equipamento com mão de ferro;
  • Falta de performance relatada pelos usuários da firmware alternativa em seu modelo de roteador;
  • Ausência de suporte em alguma característica(sem rede 5Ghz, sem rede padrão AC, sem USB…);
  • Firmware alternativa é beta. Nestes casos uma atualização da versão beta pode danificar para sempre(brickar) seu roteador;
  • Procedimento de aplicação da firmware pode ser muito complexo e suscetível a erros. Veremos mais adiante que alguns modelos de roteador requerem procedimentos específicos pelo menos na primeira aplicação de uma firmware alternativa;
  • Firmware proprietária tem alguma funcionalidade/perfumaria interessante ao usuário(rede visitantes com check-in em rede social);
  • Hardware é bloqueado para não receber firmware sem a assinatura do fabricante;
  • A firmware alternativa exige um conhecimento que envolve baixar os códigos-fonte e fazer o processo de compilação(transformação em software propriamente dito);

Note que alguns dos critérios acima são subjetivos, passando pela preferência de cada um, enquanto outros transcendem a escolha do leitor(como o último item) e apenas um planejamento antes da aquisição do equipamento pode neutralizá-lo.
Se você não deseja alterar a firmware padrão do seu roteador, aguarde o próximo artigo para mesmo assim aprender mais sobre as alternativas existentes no mercado. Agora, se você já vê vantagens em alterar seu roteador para torná-lo um equipamento mais completo, no próximo artigo falaremos sobre os maiores projetos desta área, as diferenças entre eles, os hardwares que suportam e dicas para escolher um equipamento mais apto a receber firmwares alternativas.
Até breve!