Liberte Seu Roteador Com Sistemas WRT – Parte 1

O que começou em 2004 com a vontade de aprender como os equipamentos funcionavam, acabou tornando-se o movimento de firmwares alternativas para roteadores, os sistemas WRT. Nesta segunda parte da série “Liberte Seu Roteador Com Sistemas WRT” falaremos um pouco mais sobre as opções existentes, e dividirei a experiência de quem já aplicou estas firmwares em modelos distintos.

Nota: Se você não leu o primeiro artigo, ele se encontra aqui: Liberte Seu Roteador Com Sistemas WRT – Parte 1.

Um pouco mais de história

Nota: Esta parte do artigo contém detalhes talvez enfadonhos de história e pode ser irrelevante para você que quer apenas melhorar seu roteador. Pode pular, se você acha que não precisa saber sobre o assunto, ou acha que já há intrigas demais na internet.

Como dito na Parte 1, alguns hackers do Linux começaram a mexer nos códigos-fonte da Linksys, obrigada juridicamente a revelá-los por descumprimento das cláusulas da licença GPL. Isto gerou uma das primeiras ondas de firmwares alternativas para o famigerado WRT54G: OpenWRT, DD-WRT, HyperWRT(descontinuado) e Tomato.
Houve uma ovelha negra nesta descendência: Sveasoft. Esta empresa utilizava os códigos fontes do OpenWRT e lançava apenas o arquivo de firmware, ou fazia lançamentos onde os códigos-fonte não correspondiam com a firmware lançada, quebrando assim as exigências da licença GPL de distribuição dos binários(programa) juntamente com seus códigos-fonte. Faziam um procedimento similar ao que a fabricante Linksys já fazia.
Em 2006, o projeto OpenWRT acusou publicamente a Sveasoft e proibiu que utilizasse códigos dele,  a não ser que as partes licenciadas na GPL fossem devidamente distribuídas com seus códigos-fonte. Como na época o OpenWRT possuía um foco no usuário avançado, o desenvolvedor Sebastian Gottschall(apelido “brainslayer”) criou o DD-WRT, com o intuito de popularizar e facilitar o acesso a estas firmwares alternativas para o WRT54G. O Sveasoft acabou caindo no esquecimento e irrelevância.
O DD-WRT também sofre de alguns resquícios de comportamentos da Sveasoft, tendo um processo muito complicado para customizações por parte do usuário e imponto travas que dificultam alterações de perfumaria(logos, cor, marca…) na interface web do roteador. Brainslayer considera justificáveis tais “travas” pela necessidade que possui de ganhar dinheiro desenvolvendo o DD-WRT e proteger sua marca, já que este hobby se tornou seu emprego. Outro detalhe importante é que os desenvolvedores do DD-WRT não se importam em embutir drivers proprietários(que não possuem licença aberta e distribuição dos códigos-fonte) nos roteadores, como é mostrado neste exemplo do fórum onde o desenvolvedor “Kong” explica como funciona inserção do driver da antena wifi no roteador da marca Netgear. Apesar de tudo, esta firmware continua sendo utilizada e se expande para suportar novos roteadores diariamente. Alguns fabricantes como a Buffalo até utilizam o DD-WRT de fábrica.
O projeto OpenWRT também teve problemas recentemente apesar de seu alto grau de transparência com licenças e grande nível técnico de seus membros. Desenvolvedores insatisfeitos com a morosidade na implementação de funções novas nesta firmware alternativa, e descontentes com a burocracia na escolha de novos membros, resolveram fundar o LEDE(Linux Embedded Development Environment). Os líderes de ambos projetos começaram a se falar recentemente, resolvendo as diferenças em uma manobra que começou em Maio de 2017, unificando a marca OpenWRT novamente, mas tendo que ceder a algumas exigências de desenvolvedores reentrantes do LEDE. Há males que vem para bem! O processo foi finalizado em Janeiro de 2018.
Depois de histórias dignas de novela mexicana, os projetos DD-WRT e OpenWRT se mostraram os mais aptos a continuar nos fornecendo firmwares alternativas para nossos roteadores.

Nota 2: A utilização do termo “hacker” nesta série denota pessoas de criatividade e com sede de aprendizado(intuito original da palavra). “Hackers do Linux” são os empolgados que fazem esta tecnologia crescer diariamente por meio de programação, palestras, workshops, matérias, divulgação, etc.

DD-WRT x OpenWRT. Qual usar?

Eles são nos dias de hoje os principais jogadores neste mundo das firmwares alternativas. Claro que há outras opções se você buscar por “3rd party firmware modelo_do_meu_roteador” no Google, mas estas são claramente as duas opções mais relevantes existentes e com maior documentação disponível na internet. Em uma outra parte desta série abordaremos as firmwares menos famosas de forma mais resumida.
Como devo escolher entre um e outro? Aqui vão algumas dicas no modelo perguntas e respostas:

  1. Qual deles suporta melhor modelos em que o fabricante não libera os drivers(cof, cof, Broadcom)? – DD-WRT sem dúvida. Eles são mais flexíveis ou menos criteriosos na utilização destes drivers. Se você não é um paranoico por achar que algo nestes drivers pode capturar informações sobre você, ou acha que isto é irrelevante pois você já usa drivers deste tipo na sua placa de vídeo, não há o que se preocupar.  Neste item, o OpenWRT acaba embarcando no bonde com drivers desenvolvidos por hackers do Linux, ou aguardando o fabricante abrir seus segredos de indústria e disponibilizar o código-fonte.
  2. Qual deles tem a interface web mais fácil de usar? DD-WRT também ganha esta. Sua interface é bastante fácil, e um utilizador menos avançado na informática pode configurar diversos aspectos sem dificuldades. O OpenWRT tem melhorado bastante, mas o seu forte é a linha de comando.
  3. Qual deles tem o processo de instalação mais fácil? Nenhum. Cada roteador pode ter seu procedimento especial de aplicação da firmware. Para modelos menos “exóticos” o procedimento é quase o mesmo: Acessar o roteador, e nos menus administrativos procurar por “atualização de firmware” e apontar o arquivo do DD-WRT ou OpenWRT.
  4. Qual deles possui sistema de pacotes e maior variedade de software? OpenWRT. Como o foco dele é parecer uma distribuição GNU/Linux, pela linha de comando dá pra instalar quase tudo. Falo sério aqui, e o link com a lista de grupos de pacotes disponíveis prova isto. Neste páreo o DD-WRT fica pra trás, tendo algumas soluções de contorno para instalar pacotes provenientes do OpenWRT, ou exigindo ao usuário que compile sua própria versão do DD-WRT com o software que deseja embutir.
  5. Qual deles possui a melhor documentação? Aqui eu também dá um empate. Os fóruns de ambos os projetos bem como suas wikis são bastante completos(porém em inglês).

Tive experiências boas e ruins com ambas as firmwares. Em um WRT160N hardware V3 da Linksys, o DD-WRT voava, suportando mais carga e sendo mais estável que a firmware de fábrica. Um dia converti para o OpenWRT e me arrependi bastante, pois o sinal da wifi ficou fraquíssimo mesmo com a potência configurada manualmente, e usando apenas redes padrão G(2.4GHz). Até a interface de configuração era lenta demais conectando pela rede cabeada. Com o DD-WRT cheguei a hospedar um servidor proxy e um servidor de Teamspeak num micro velho em meados de 2009, com acesso somado de 40 pessoas, e o DD-WRT de “controlador de tráfego” para o que vinha da internet. Este roteador foi vendido recentemente e ainda está operando na casa de um amigo.
Já o WDR3600 hardwade v1.4 da TPLink se mostrou ineficiente com o DD-WRT. Sinal wifi ruim, dificuldades em configurar o cliente de OpenVPN, e diversas outras perdas de tempo me fizeram testar o OpenWRT nele. Por possuir um SoC Atheros, fabricante conhecido por ter drivers livres, a transição foi fácil e todo o hardware foi totalmente suportado. No OpenWRT dá pra “fazer chover” neste modelo e consegui atingir os seguintes pontos em um projeto com este hardware: Suporte a múltiplos links de internet, cliente OpenVPN que faz a rediscagem automática na troca de link, cliente zabbix e snmp para monitoramento, suporte a modens 3g/4g nas portas usb, marcação de vlans, e ainda sobra espaço no seu “gigantesco” disco de 8MB.
Por isto, a aplicação destas firmwares bem como a escolha depende de relatos na internet, da leitura de fóruns, experiência pessoal e da pesquisa de roteadores mais compatíveis, caso você ainda irá adquirir um. No próximo artigo, falaremos sobre versão de hardware e iniciaremos as explicações sobre o procedimento de aplicação das duas firmwares.
Até breve!

Redação
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