Boas notícias para os gamers: o clássico Logitech G13 ganha suporte oficial no kernel Linux

Um clássico de volta ao jogo: macros, joystick analógico e iluminação RGB agora funcionam nativamente no Linux.

Por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
4 min

Se você ainda guarda com carinho aquele Logitech G13 — o “gamepad de uma mão” que virou lenda entre fãs de gaming em PC — hoje é dia de sorrir. Um novo patch do subsistema HID do kernel adiciona suporte nativo ao G13, trazendo para a era moderna um periférico descontinuado, mas muito querido. Em outras palavras: adeus gambiarras, olá “funciona out-of-the-box” nas distros atuais de Linux.

Funcionalidade completa: de macros ao joystick analógico

O novo driver (parte do hid-lg-g15) habilita tudo o que fez do G13 um clássico. As 22 teclas de macro (G1–G22)? Reconhecidas como teclas dedicadas. Os cinco botões de menu sob o LCD e o botão de gravação de macros? Também. O joystick do polegar — aquele analógico que fazia falta em jogos e em automações — agora é exposto como um segundo dispositivo de entrada, separado do “teclado” de macros. Por quê? Porque muitos jogos e bibliotecas esperam um joystick “de verdade”; ao dividir o G13 em dois dispositivos lógicos, o kernel maximiza a compatibilidade sem confundir o mapeamento de teclas.

A iluminação do G13 também foi tratada com carinho: a retroiluminação RGB é controlável pelo sistema, e os LEDs vermelhos dos botões de “preset” e “record” são expostos para você sincronizar com perfis, scripts e overlays. Em suma, é o pacote completo — teclas, analógico e luzes — do jeito certo.

Por que isso importa

Quem já tentou manter periféricos clássicos vivos no Linux sabe que “meia-boca” não basta. Suporte mainline significa manutenção contínua, APIs estáveis e integração direta com ferramentas do ecossistema — de mapeadores como input-remapper/antimicrox a camadas de compatibilidade para jogos. E há um detalhe inspirador aqui: a iniciativa veio da comunidade, com patch enviado, revisado em público e lapidado por desenvolvedores experientes do subsistema de entrada. É o modelo de desenvolvimento do kernel funcionando: hardware legado segue útil, sem aprisionar ninguém em softwares proprietários abandonados.

E a parte chata? Quase não tem

Houve uma discussão técnica interessante sobre como refletir corretamente o estado do backlight (aquela alternância rápida no botão de luz do próprio G13). A boa notícia é que, após a revisão, o driver trata esse estado de modo preciso — preservando a cor/nível escolhidos quando você liga e desliga a iluminação — e notifica o espaço de usuário de forma adequada. Para o usuário final, o que fica é a sensação certa: você ajusta a luz, ela “volta” como deixou.

Quando chega às distros?

O patch está em revisão pública e já recebeu sinais positivos (incluindo um Reviewed-by de quem entende do assunto). Se o ritmo continuar, a expectativa é que apareça numa próxima janela de mergeprovavelmente no Linux 6.18, sujeito ao fluxo normal de revisão e integração. Em termos práticos, distros rolling devem puxar o suporte rapidamente após o merge; nas LTS, ele pinta assim que a versão alvo chegar ao repositório base.

O que você precisa fazer

Nada além de plugar. O kernel expõe o G13 como dois dispositivos: um “teclado” para as macros e um joystick para o analógico/botões do polegar. A parte de RGB/LEDs aparece via sysfs (e integra com camadas usuais de controle de iluminação). A partir daí, é só mapear perfis por jogo — e, se você é do time automação, preparar macros que fazem inveja ao seu eu de 2010. Quem diria que um clássico poderia ganhar uma segunda vida tão elegante?

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