O Mac Studio M5 chegou cercado por expectativas relacionadas ao desempenho dos novos chips da Apple, mas as primeiras análises indicam que uma das maiores evoluções está em um componente menos chamativo: o SSD. Testes realizados com o novo desktop profissional mostram velocidades de armazenamento muito superiores às da geração anterior, especialmente em configurações com SSD de 4 TB.
Além do armazenamento, o novo Mac Studio combina os chips M5 Max e M5 Ultra com grandes quantidades de memória unificada, Thunderbolt 5 e aceleradores dedicados para cargas de inteligência artificial. A proposta é atender desde desenvolvedores e cientistas de dados até profissionais que trabalham com renderização, edição de vídeo, compilação de projetos e inferência de IA local.
Os resultados iniciais também ajudam a dimensionar a evolução do M5 Ultra. Um registro do Geekbench 7 chegou a 52.516 pontos em multi-core e 3.774 em single-core, indicando um avanço de aproximadamente 35% em multi-core sobre o M3 Ultra. O resultado foi posteriormente acompanhado por testes de unidades de produção que mantêm o desempenho em patamar semelhante.
O destaque do SSD no Mac Studio M5
A principal surpresa das primeiras análises está no armazenamento. A Apple afirma que o novo Mac Studio pode alcançar até o dobro do desempenho de armazenamento da geração anterior, graças a uma nova arquitetura SSD baseada em PCIe de sexta geração.
Na prática, porém, um teste independente foi ainda mais expressivo.
O Macworld avaliou uma configuração equipada com M5 Max de 18 núcleos, GPU de 40 núcleos, 128 GB de memória unificada e SSD de 4 TB usando o Blackmagic Disk Speed Test. O resultado mostrou aproximadamente 2,6 vezes mais velocidade de leitura e 2,1 vezes mais velocidade de gravação em comparação com um Mac Studio equipado com M4 Max.
A diferença é relevante porque armazenamento rápido não beneficia apenas quem copia arquivos grandes. Em uma workstation utilizada para desenvolvimento, ciência de dados ou produção audiovisual, o SSD pode participar de diversas etapas do fluxo de trabalho.
Projetos com milhares de arquivos, máquinas virtuais, bibliotecas de dependências, bancos de dados locais e arquivos de vídeo podem exigir operações constantes de leitura e gravação. Nesses cenários, aumentar substancialmente a taxa de transferência reduz o tempo gasto em tarefas que tradicionalmente ficam limitadas pelo armazenamento.
Para desenvolvedores, isso pode aparecer durante compilações grandes, indexação de projetos e manipulação de datasets. Em fluxos de IA, a vantagem também pode aparecer ao carregar modelos, conjuntos de dados e arquivos intermediários.
É importante, entretanto, não transformar o resultado do benchmark em uma promessa de ganho equivalente em todas as aplicações. O Blackmagic Disk Speed Test mede desempenho de armazenamento em condições específicas, enquanto aplicações reais podem ser limitadas por CPU, GPU, memória, software ou pelo padrão de acesso aos arquivos.

Mac Studio M5 Ultra avança no Geekbench 7
O segundo grande destaque está no M5 Ultra, que representa o topo da nova geração de chips para o Mac Studio.
A configuração mais poderosa possui 36 núcleos de CPU, até 80 núcleos de GPU, Neural Engine de 32 núcleos e até 512 GB de memória unificada. A largura de banda de memória chega a 1,2 TB/s, característica especialmente importante para aplicações que movimentam grandes quantidades de dados.
O primeiro resultado publicado no Geekbench 7 para o M5 Ultra de 36 núcleos registrou 3.774 pontos em single-core e 52.516 em multi-core. O M3 Ultra de 32 núcleos, usado como referência por não ter existido um M4 Ultra, apresenta médias de aproximadamente 2.920 e 39.059 pontos, respectivamente.
Isso representa aproximadamente 30% de vantagem em single-core e 35% em multi-core. Outros testes realizados após a chegada das unidades de produção continuam mostrando o M5 Ultra na mesma faixa de desempenho, embora pequenas diferenças sejam esperadas entre máquinas, versões de software e condições de execução.
No Geekbench 7 Metal, resultados iniciais também apontaram um avanço expressivo na GPU. Um registro chegou a 366.744 pontos, contra uma média de 230.420 para o M3 Ultra, embora benchmarks gráficos isolados não representem necessariamente o desempenho em aplicações profissionais específicas.
A própria Apple posiciona o M5 Ultra para tarefas de grande escala, incluindo modelos de linguagem executados inteiramente no dispositivo. A combinação de até 512 GB de memória unificada e alta largura de banda permite trabalhar com modelos que seriam difíceis de acomodar em máquinas convencionais.
Mac Studio M5 Ultra mira a IA local
O interesse pelo Mac Studio M5 Ultra não está restrito aos benchmarks tradicionais. A quantidade de memória disponível e a arquitetura integrada tornam o computador particularmente interessante para IA local, principalmente quando o objetivo é executar modelos sem depender integralmente de serviços em nuvem.
A Apple afirma que o M5 Max pode alcançar até 3,9 vezes mais desempenho em processamento de prompts no LM Studio em relação ao Mac Studio com M4 Max. Também há ganhos anunciados em geração de imagens e tarefas de vídeo.
O M5 Ultra amplia essa proposta ao oferecer até 512 GB de memória unificada. Para desenvolvedores que trabalham com LLMs, agentes de IA, embeddings e processamento de grandes datasets, a capacidade de memória pode ser tão importante quanto a velocidade bruta da CPU.
Testes independentes começam a reforçar essa característica. O Tom’s Hardware, por exemplo, avaliou o M5 Ultra em cargas de trabalho de workstation e testes voltados a IA local, destacando seu desempenho em comparação com outras plataformas destinadas a esse tipo de processamento.
Também existe uma vantagem arquitetural importante: CPU, GPU e memória trabalham dentro de um sistema de memória unificada. Isso reduz a necessidade de movimentar determinados dados entre pools separados de memória, embora o resultado concreto dependa da aplicação e de como o software utiliza os recursos disponíveis.
Para quem trabalha com Linux, servidores ou estações de trabalho tradicionais, a comparação fica mais complexa. Uma máquina customizada pode oferecer maior liberdade para escolher GPU, memória, armazenamento e sistema operacional. O Mac Studio, por outro lado, entrega uma plataforma compacta e integrada, com consumo, acústica e gerenciamento de hardware tratados pelo próprio fabricante.
O preço do Mac Studio M5 também pesa na análise
Todo esse desempenho tem um custo significativo. Nos Estados Unidos, o Mac Studio com M5 Max parte de US$ 2.499 (aproximadamente R$ 12.763), enquanto a configuração inicial com M5 Ultra começa em US$ 5.499 (aproximadamente R$ 28.085), considerando a cotação de US$ 1 = R$ 5,1071 em 21 de setembro de 2026.
Essas conversões são apenas referências cambiais. Elas não representam os preços oficiais da Apple no Brasil e não incluem impostos, taxas de importação ou outros custos associados à comercialização do produto.
As configurações testadas pelos veículos especializados podem custar muito mais. O modelo M5 Max analisado pelo Macworld, com 128 GB de memória e 4 TB de SSD, chegou a US$ 6.899 (aproximadamente R$ 35.236) na conversão pela cotação atual.
Já uma unidade M5 Ultra avaliada pelo The Verge, equipada com 36 núcleos de CPU, 80 núcleos de GPU, 256 GB de memória e 4 TB de armazenamento, custava US$ 12.299 (aproximadamente R$ 62.825).
Essa diferença entre o preço inicial e configurações de alto desempenho mostra como a expansão de memória e armazenamento pode alterar completamente o custo final de uma workstation baseada no Mac Studio.
O contexto do mercado de memória também não pode ser ignorado. A demanda de infraestrutura para IA está pressionando a oferta de DRAM e NAND, enquanto fabricantes direcionam capacidade para aplicações de servidores e data centers. A TrendForce projetou para o terceiro trimestre de 2026 aumentos de 13% a 18% nos preços contratuais de DRAM e de 10% a 15% para NAND Flash.
A pressão já afetou a própria linha Mac Studio. Antes da chegada do M5, a Apple havia retirado temporariamente a opção de 512 GB de memória unificada do Mac Studio anterior em meio à escassez global de DRAM.
Portanto, parte do custo das configurações de alta capacidade precisa ser analisada dentro de um cenário maior de oferta e demanda de semicondutores, especialmente porque sistemas voltados para IA competem diretamente por componentes de memória de alta capacidade.
Mac Studio M5 como estação de trabalho técnica
O novo Mac Studio M5 representa uma evolução que vai além do aumento tradicional de desempenho do processador. O conjunto reúne M5 Max ou M5 Ultra, memória unificada de alta capacidade, SSD significativamente mais rápido, Thunderbolt 5, Ethernet de 10 Gb, Wi-Fi 7 e suporte a múltiplos monitores.
Para profissionais que compilam grandes projetos, processam datasets, trabalham com vídeo 8K, renderização 3D ou modelos de IA, os ganhos aparecem em diferentes pontos do fluxo de trabalho.
O SSD merece atenção especial porque os primeiros testes mostram uma diferença maior do que a própria Apple havia indicado. Ao mesmo tempo, o M5 Ultra demonstra que a empresa continua aumentando a capacidade de processamento local sem abandonar a estratégia de integração entre CPU, GPU e memória.
Isso não significa que o Mac Studio seja automaticamente a escolha adequada para qualquer workstation. Servidores Linux, PCs com GPUs dedicadas e estações customizadas continuam oferecendo vantagens importantes em expansão, escolha de componentes, compatibilidade de software e possibilidade de atualização.
A questão mais interessante, portanto, não é apenas quanto o Mac Studio M5 Ultra consegue marcar em um benchmark, mas quanto desse desempenho se converte em produtividade no trabalho cotidiano.
Para quem depende de IA local, grandes projetos de software ou processamento profissional de dados, a combinação de memória abundante e armazenamento extremamente rápido pode ser tão relevante quanto os números de CPU e GPU.
