Meta lança Ray-Ban Gen 3 e versão sem câmera

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Conheça os novos Ray-Ban Gen 3 e os óculos inteligentes sem câmera da Meta.

Os Ray-Ban Gen 3 representam uma nova etapa na estratégia da Meta para transformar óculos inteligentes em dispositivos de uso cotidiano. Apresentados durante o Meta Connect 2026, os novos modelos combinam design mais fino, maior autonomia, novos controles e recursos avançados de áudio, enquanto a empresa também apresentou uma proposta diferente: os Ray-Ban Meta Audio, primeiros óculos da companhia dedicados exclusivamente a áudio e inteligência artificial, sem câmera.

A decisão chama atenção porque coloca lado a lado duas abordagens. De um lado, os óculos inteligentes Ray-Ban continuam avançando como dispositivos capazes de capturar fotos e vídeos. Do outro, a Meta aposta em um produto que elimina justamente um dos componentes que mais geram questionamentos sobre privacidade digital, a câmera.

Essa divisão também mostra como o mercado de wearables está mudando. Os óculos já não são apresentados apenas como acessórios tecnológicos, mas como uma alternativa para determinadas funções que tradicionalmente pertenciam aos smartphones e fones de ouvido sem fio. Nesse cenário, a estratégia da Meta passa a ser oferecer diferentes níveis de recursos, com ou sem câmera.

Ray-Ban Gen 3: mais bateria, áudio spatial e design refinado

Os Ray-Ban Gen 3 chegam com 27 combinações de cores e lentes, distribuídas entre três estilos: Aviator, Zena e Wayfarer. A Aviator marca uma expansão importante da família, enquanto a Zena introduz uma armação no formato gatinho. O Wayfarer, por sua vez, continua como uma das opções mais reconhecíveis da linha.

A construção também foi revisada. A Meta afirma que a nova geração tem uma estrutura mais fina e confortável, além de pontas das hastes com ajuste profissional. A proposta é tornar o dispositivo mais próximo da experiência de usar um óculos convencional durante todo o dia, reduzindo uma das barreiras tradicionais dos wearables: o desconforto depois de várias horas de utilização.

Outra mudança está no botão de ação personalizável, que permite acessar rapidamente a Meta AI. O controle físico complementa os comandos de voz e pode ser particularmente útil em situações nas quais o usuário não quer ou não consegue interagir verbalmente com o dispositivo.

A autonomia também recebeu atenção. Os Ray-Ban Gen 3 oferecem até nove horas de bateria, segundo a Meta, aproximadamente uma hora a mais do que a geração anterior. Para um produto que depende de processamento, conectividade, áudio, microfones e câmera, esse ganho pode ser relevante para quem pretende utilizar os óculos durante boa parte do dia.

O modelo mantém ainda uma câmera de 12 MP, capaz de gravar vídeos em 3K Ultra HD. A geração também adiciona fotos dinâmicas, permitindo selecionar o melhor quadro de uma captura. Como nas gerações anteriores, existe um LED integrado destinado a indicar às pessoas próximas quando fotos ou vídeos estão sendo registrados.

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Imagem: Meta

Ray-Ban Gen 3 e a captação de voz com áudio spatial Dolby Atmos

Uma das mudanças mais importantes para quem utiliza os óculos para chamadas e comandos de voz está no novo conjunto de seis microfones. De acordo com a Meta, o sistema consegue reduzir em mais de 90% o ruído de fundo, ajudando a manter a voz compreensível em ambientes movimentados ou com vento.

Essa evolução é especialmente importante porque a voz é uma das principais interfaces dos óculos com Meta AI. Quanto melhor a captação, menor a dependência de condições ambientais favoráveis para executar comandos, realizar chamadas ou interagir com recursos de inteligência artificial.

O áudio também ganha uma dimensão mais interessante com a chegada da captura em Dolby Atmos. A Meta afirma que seus óculos com IA serão os primeiros dispositivos de consumo capazes de capturar e reproduzir vídeos com áudio espacial de 360 graus usando essa tecnologia. O recurso está previsto para chegar posteriormente neste ano.

É importante diferenciar essa função de simplesmente ouvir música com som espacial. Neste caso, a novidade está relacionada à captura do conteúdo audiovisual, permitindo que o vídeo registrado pelos óculos tenha uma camada sonora espacial destinada a tornar a reprodução mais imersiva.

Na prática, isso transforma os óculos em uma espécie de dispositivo de captura mais completo. A câmera registra a cena, enquanto o sistema de microfones contribui para registrar o ambiente sonoro de maneira espacializada.

Ray-Ban Meta Audio: a resposta da Meta aos dilemas de privacidade

A novidade mais curiosa do Connect 2026, porém, pode ser justamente aquela que não possui câmera.

Os Ray-Ban Meta Audio são os primeiros óculos da Meta desenvolvidos especificamente como produtos de áudio. Eles combinam alto-falantes, microfones e acesso à inteligência artificial em uma armação convencional, mas sem o componente de captura de imagens presente nos Ray-Ban Gen 3.

A proposta coloca os óculos em uma posição intermediária entre fones de ouvido e wearables. O usuário pode ouvir músicas e podcasts, atender chamadas e conversar com um assistente de IA sem precisar colocar um dispositivo dentro dos ouvidos.

A Meta informa que os óculos pesam apenas 43 gramas e oferecem até 12 horas de autonomia com uma carga. O estojo acrescenta até outras 48 horas de energia. Há ainda ajustes nas pontas das hastes, plaquetas nasais ajustáveis ou substituíveis e dobradiças com sobre-extensão para melhorar o conforto.

O produto chega em 23 combinações de cores e lentes, distribuídas entre os estilos Clubmaster e Burbank, e é compatível com diversas prescrições oftálmicas. O preço inicial é de US$ 349, com envio previsto para 13 de outubro.

Assistentes virtuais e concorrência direta com fones de ouvido topo de linha

A ausência da câmera muda bastante a percepção do produto.

Óculos com câmera carregam uma questão social que vai além da tecnologia. Mesmo quando existe um indicador luminoso para sinalizar uma gravação, pessoas próximas podem não saber exatamente quando estão sendo capturadas ou como aquele conteúdo será utilizado posteriormente.

Os Ray-Ban Meta Audio eliminam uma parte importante dessa preocupação ao retirar completamente a capacidade de registrar imagens. Isso não significa que todos os problemas de privacidade desapareçam, já que os óculos continuam equipados com microfones, conectividade e recursos de IA. Porém, a remoção da câmera reduz significativamente o potencial de vigilância visual associado a esse tipo de dispositivo.

A Meta não apresentou o modelo oficialmente como uma resposta direta a leis ou movimentos globais de privacidade. Ainda assim, a existência de uma alternativa sem câmera é significativa em um mercado no qual a aceitação social dos óculos inteligentes continua sendo um desafio.

Também há uma lógica comercial evidente. Por US$ 349, o Ray-Ban Meta Audio entra em uma faixa próxima à de fones de ouvido premium, mas tenta oferecer uma experiência diferente: áudio sem bloquear os ouvidos, chamadas, comandos de voz e acesso à IA integrados à armação.

A empresa, portanto, não está apenas tentando vender outro wearable. Está testando se o consumidor aceita transformar um objeto tradicionalmente passivo, os óculos, em uma interface permanente para serviços digitais.

Modelos Meta e colaborações com cultura pop

A expansão anunciada no Connect 2026 não ficou limitada aos Ray-Ban.

A Meta também ampliou sua própria linha de Meta Glasses, incluindo os novos formatos Capri e Nova, além de novas versões e colaborações. A estratégia envolve aumentar a variedade de estilos para que os óculos inteligentes sejam percebidos menos como gadgets e mais como acessórios pessoais.

Entre as iniciativas está uma nova coleção desenvolvida em parceria com LISA, além de uma nova opção de cor para os Meta Glasses desenvolvidos com Kylie Jenner. A empresa também anunciou modelos mais acessíveis e edições limitadas.

Essa aproximação com nomes da cultura pop revela outro componente da estratégia. Para popularizar uma categoria tecnológica, especificações técnicas podem não ser suficientes. Design, identidade e associação cultural podem ajudar a transformar um dispositivo experimental em um produto desejável para um público mais amplo.

A Meta afirma que pretende chegar ao fim de 2026 com mais de 100 opções de óculos com IA, considerando as marcas Ray-Ban, Oakley e Meta Glasses.

O futuro dos wearables e o desafio da confiança

A apresentação dos Ray-Ban Gen 3 e dos Ray-Ban Meta Audio mostra que a Meta está adotando uma estratégia de expansão em várias direções. Em vez de apostar em um único formato de óculos inteligente, a empresa está criando produtos para diferentes necessidades: modelos com câmera para captura e recursos avançados e uma alternativa exclusivamente voltada para áudio e IA.

Essa diferenciação pode ser importante para a própria aceitação da categoria. Algumas pessoas podem considerar a câmera indispensável para registrar momentos em primeira pessoa. Outras podem enxergar justamente essa câmera como uma barreira para utilizar óculos inteligentes em ambientes profissionais, sociais ou públicos.

O modelo sem câmera também levanta uma questão interessante para a indústria: será que o futuro dos óculos inteligentes precisa necessariamente incluir captura de imagens?

A resposta ainda não está definida. O sucesso dos Ray-Ban Meta Audio dependerá não apenas da autonomia ou da qualidade sonora, mas da capacidade de convencer consumidores de que colocar uma interface de IA no rosto é realmente mais conveniente do que usar um smartphone ou fones tradicionais.

Ao mesmo tempo, os Ray-Ban Gen 3 mostram que a Meta continua investindo pesado na ideia de transformar os óculos em uma plataforma de computação pessoal. Câmeras melhores, microfones mais eficientes, áudio espacial, inteligência artificial e maior autonomia aproximam o produto de uma categoria própria.

O ponto mais interessante do Connect 2026 talvez esteja justamente nessa coexistência. A Meta não está dizendo que existe apenas uma maneira de usar óculos inteligentes. Está experimentando diferentes níveis de captura, áudio, IA e interação, enquanto tenta descobrir até onde os consumidores estão dispostos a levar essa tecnologia.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.