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Cibersegurança

Proteção contra golpes no Android chega a mais marcas

Google amplia a proteção contra fraudes no Android e leva alertas inteligentes a celulares Xiaomi, Motorola, OnePlus e outras marcas.

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A proteção contra golpes no Android está prestes a alcançar mais smartphones, incluindo modelos de fabricantes como Xiaomi, Motorola, OnePlus, OPPO, vivo e realme. O Google anunciou, em 14 de outubro de 2026, uma expansão das ferramentas de segurança que antes estavam disponíveis em uma seleção mais restrita de aparelhos, especialmente os da linha Pixel. A iniciativa combina inteligência artificial, alertas sobre mensagens suspeitas e novas barreiras contra técnicas de engenharia social usadas para roubar dinheiro e assumir contas pessoais.

A mudança chega em um momento em que os golpes digitais se tornam mais sofisticados, com criminosos recorrendo a falsas centrais bancárias, links fraudulentos, números de telefone falsificados e até vozes clonadas por inteligência artificial. Segundo o Google, seus sistemas integrados de detecção identificam mais de 5 milhões de chamadas e mensagens suspeitas de fraude por mês. Esse número ajuda a dimensionar o problema, embora não represente necessariamente a quantidade de ataques bloqueados com sucesso.

Durante o Mês da Conscientização sobre Segurança Cibernética, a empresa também anunciou melhorias no Google Mensagens, proteção de informações confidenciais durante o compartilhamento de tela e mecanismos para dificultar o desvio de chamadas. O objetivo é tornar os recursos de segurança mais acessíveis, sem depender exclusivamente de um smartphone Pixel para obter determinadas proteções.

Proteção contra golpes no Android chega a mais fabricantes

A expansão contempla aparelhos de HONOR, Infinix, iQOO, itel, JOVI, Motorola, OPPO, OnePlus, realme, TECNO, vivo e Xiaomi. A lista inclui marcas populares em diferentes mercados, ampliando o alcance potencial das ferramentas de detecção de fraudes para além do ecossistema de dispositivos fabricados pelo próprio Google.

A novidade mais relevante é a expansão dos alertas de golpes em notificações de aplicativos de mensagens. Em vez de depender apenas dos filtros de spam de um serviço específico, o Android pode analisar notificações compatíveis e identificar padrões associados a tentativas de fraude.

Entretanto, a inclusão de uma fabricante na lista não significa que todos os seus smartphones receberão imediatamente todos os recursos. A disponibilidade varia conforme o modelo, a versão do Android, os componentes de software e a região. O Google não apresenta a expansão como uma atualização universal e simultânea para todos os aparelhos dessas marcas.

Isso significa que usuários de celulares Xiaomi, Motorola e OnePlus devem acompanhar as atualizações do sistema e dos aplicativos Google para verificar quando as proteções estarão disponíveis em seus dispositivos.

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Imagem: Miro Medium

Como funcionam os alertas de mensagens suspeitas

O mecanismo de detecção de golpes em conversas analisa notificações recebidas de aplicativos compatíveis para procurar indícios de fraude. A ideia é alertar o usuário antes que ele abra uma mensagem potencialmente perigosa ou siga as instruções de um criminoso.

Um exemplo comum envolve mensagens que se passam por bancos, transportadoras ou órgãos públicos. O texto pode afirmar que existe uma compra suspeita, uma encomenda retida ou uma conta prestes a ser bloqueada. Em seguida, exige que a vítima clique em um link, informe dados pessoais ou forneça um código de autenticação.

Quando o sistema identifica sinais compatíveis com esse tipo de abordagem, ele pode apresentar um aviso de possível golpe na notificação. O usuário recebe contexto adicional para avaliar a mensagem antes de prosseguir.

A ferramenta não depende exclusivamente da presença de palavras conhecidas em listas de spam. Os mecanismos de análise procuram padrões suspeitos de comunicação e pedidos que aparecem frequentemente em tentativas de engenharia social.

Ainda assim, um alerta não é uma garantia absoluta de fraude, assim como a ausência de aviso não comprova que uma mensagem seja legítima. Criminosos modificam constantemente seus textos e estratégias, e mensagens fraudulentas bem elaboradas podem escapar dos filtros.

Gemini e inteligência artificial reforçam a detecção de fraudes

O Google também está ampliando o uso de inteligência artificial para enfrentar golpes mais difíceis de reconhecer. A estratégia combina diferentes mecanismos, incluindo processamento local no dispositivo e análises adicionais em uma camada de proteção opcional do Google Mensagens.

O Gemini Nano permite executar determinadas tarefas de inteligência artificial diretamente em smartphones compatíveis. Nesse modelo, a análise acontece no próprio aparelho, reduzindo a necessidade de enviar o conteúdo para servidores externos. A tecnologia pode ajudar a avaliar links desconhecidos e identificar sinais de risco antes que o usuário os abra.

Para situações mais complexas, o novo modo de proteção aprimorada do Google Mensagens oferece verificações adicionais em um ambiente de nuvem projetado para proteger os dados processados. O recurso é opcional e foi concebido para identificar estratégias de fraude que podem passar despercebidas pelos filtros tradicionais.

As duas abordagens têm funções complementares. O processamento local favorece a privacidade e permite análises no dispositivo, enquanto a infraestrutura de nuvem pode ampliar a capacidade de avaliação em determinados cenários.

O usuário, porém, deve observar quais recursos estão disponíveis no aparelho e quais configurações precisam ser ativadas. A presença do Gemini no ecossistema Android não significa que todos os celulares tenham os mesmos modelos de IA ou as mesmas capacidades de processamento.

Novas proteções contra engenharia social e roubo de dados

Os golpes modernos não dependem apenas de mensagens falsas. Muitas campanhas combinam uma conversa convincente com instruções para compartilhar a tela, abrir o aplicativo do banco ou alterar configurações do telefone. Essa combinação pode permitir que criminosos acompanhem ações da vítima e obtenham informações necessárias para assumir contas.

Para enfrentar essas situações, o Google está adicionando novas camadas de proteção contra engenharia social no Android, com foco em dois momentos críticos: quando informações confidenciais aparecem na tela e quando alguém tenta redirecionar chamadas para interceptar códigos de segurança.

Compartilhamento de tela com ocultação de informações confidenciais

O compartilhamento de tela é útil para reuniões, suporte técnico e ajuda remota. Entretanto, também pode ser explorado por golpistas que convencem a vítima a compartilhar o conteúdo do celular enquanto acessa uma conta bancária ou realiza uma operação financeira.

Imagine uma pessoa que recebe uma ligação de alguém se passando por funcionário do banco. O suposto atendente afirma que precisa verificar uma transação e orienta a vítima a abrir o aplicativo financeiro e compartilhar a tela. Durante o procedimento, senhas, informações de pagamento e outros dados podem ficar visíveis para o criminoso.

O Android já oferece mecanismos para ocultar determinadas informações confidenciais em aplicativos nativos. A novidade é a expansão dessa proteção para o Google Chrome e o Android WebView, componente usado por aplicativos para exibir conteúdo da web.

Com a mudança, campos de login e telas de pagamento compatíveis podem ser ocultados automaticamente durante sessões de compartilhamento de tela, reduzindo o risco de exposição acidental de informações como credenciais e dados de cartões. O recurso está sendo distribuído para dispositivos com Android 15 ou versões posteriores, conforme a disponibilidade da atualização.

Essa proteção é especialmente importante porque muitos serviços financeiros utilizam páginas web para autenticação, confirmação de operações e preenchimento de formulários. Ao ampliar a cobertura para o Chrome e o WebView, o Google procura reduzir uma brecha que poderia permanecer aberta mesmo quando o sistema já protegia telas de aplicativos nativos.

A medida, contudo, não substitui o cuidado durante chamadas de suporte. Ocul­tar campos sensíveis não impede que um golpista manipule a vítima para realizar uma transferência, aprovar uma operação ou revelar informações verbalmente.

Nunca compartilhe a tela com alguém que entrou em contato inesperadamente alegando representar seu banco. Se houver suspeita, encerre a ligação e procure os canais oficiais da instituição por conta própria.

Bloqueio de golpes que exploram o encaminhamento de chamadas

Outra novidade procura impedir uma técnica menos conhecida, mas potencialmente perigosa: o encaminhamento fraudulento de chamadas telefônicas.

Nesse tipo de golpe, o criminoso tenta redirecionar as chamadas recebidas pela vítima para outro número. Se o procedimento funcionar, ligações destinadas ao proprietário do aparelho, inclusive aquelas relacionadas à recuperação de contas, poderão chegar ao atacante.

O risco aumenta quando combinado ao roubo de senhas de uso único, conhecidas pela sigla OTP. Esses códigos são utilizados para confirmar logins, validar transações ou recuperar o acesso a serviços. Ao controlar o destino das chamadas, o golpista pode tentar receber códigos de verificação enviados por determinados serviços e utilizá-los para assumir contas.

Uma das técnicas envolve convencer a vítima a digitar um código MMI no discador do telefone. Esses códigos permitem acessar funções da rede móvel, incluindo configurações de encaminhamento de chamadas em operadoras compatíveis.

A pessoa acredita que está executando um procedimento de segurança, mas pode estar autorizando o redirecionamento das ligações para um número controlado pelo criminoso.

A proteção anunciada pelo Google atua em duas frentes. Primeiro, o Android passa a bloquear aplicativos que tentem ativar silenciosamente o encaminhamento de chamadas em segundo plano. Segundo, o sistema pode emitir um aviso antes que um código de encaminhamento digitado manualmente produza efeito, oferecendo uma oportunidade para interromper a ação.

O recurso de proteção contra encaminhamento está previsto para começar a chegar aos aparelhos Pixel e a outros dispositivos selecionados no início de dezembro de 2026. Portanto, o anúncio não significa que todos os smartphones Android já estejam protegidos por essa camada adicional.

Para os usuários, a principal recomendação é não digitar códigos fornecidos por desconhecidos durante uma ligação. Bancos e empresas legítimas não precisam que o cliente execute comandos suspeitos no discador para cancelar uma suposta fraude.

O futuro da segurança no ecossistema Android

A expansão anunciada em outubro mostra uma mudança importante na estratégia do Google: levar a proteção contra golpes no Android a um número maior de fabricantes, em vez de manter determinados recursos concentrados nos smartphones Pixel.

A iniciativa também acompanha uma transformação no próprio comportamento dos criminosos. Mensagens fraudulentas estão mais convincentes, números podem ser falsificados e ferramentas de inteligência artificial facilitam a criação de textos personalizados e a imitação de vozes. Por isso, depender apenas da capacidade do usuário de reconhecer um golpe se tornou uma estratégia insuficiente.

A combinação de detecção de mensagens suspeitas, análise de links, proteção durante o compartilhamento de tela e bloqueio de encaminhamentos indevidos cria diferentes barreiras contra essas ameaças. Se uma camada falhar, outra poderá ajudar a reduzir o risco de exposição ou de comprometimento da conta.

Entretanto, a expansão não elimina as diferenças entre os aparelhos. A disponibilidade dos recursos depende de fatores como fabricante, modelo, versão do Android e distribuição regional. Além disso, algumas proteções exigem ativação voluntária, e determinados recursos utilizam tecnologias que não estão presentes em todos os smartphones.

A privacidade também merece atenção. O processamento local pode evitar que o conteúdo analisado seja enviado para servidores externos, enquanto as verificações em nuvem seguem um modelo diferente de tratamento de dados. No caso do Google Mensagens, o modo de proteção aprimorada é opcional, e os usuários devem consultar as informações apresentadas nas configurações para compreender as condições de funcionamento.

Como verificar se seu celular está protegido

Para aproveitar as novidades, vale conferir se o sistema e os aplicativos responsáveis pelas proteções estão atualizados.

  1. Atualize o Android: abra as configurações do smartphone e procure a seção de atualização de software. Instale as atualizações disponíveis para o seu modelo.
  2. Verifique o Google Mensagens: mantenha o aplicativo atualizado pela loja oficial e procure as opções relacionadas à detecção de golpes e à proteção aprimorada, quando disponíveis.
  3. Confira as configurações de segurança: pesquise por termos como detecção de golpes nas configurações do aparelho. Os nomes e caminhos podem variar entre fabricantes.
  4. Desconfie de urgência e pedidos de códigos: não informe senhas, códigos OTP ou dados bancários a pessoas que entram em contato inesperadamente.
  5. Evite compartilhar a tela com desconhecidos: especialmente durante acessos a aplicativos bancários, pagamentos ou procedimentos de recuperação de contas.

O Google não garante que todas as tentativas de fraude serão identificadas. A combinação de recursos automáticos com hábitos seguros continua sendo essencial para proteger informações pessoais e financeiras.

A expansão representa um avanço para quem utiliza smartphones Android de diferentes fabricantes, mas o benefício real dependerá da chegada das atualizações a cada aparelho. Verificar as configurações de segurança, manter o sistema atualizado e desconfiar de solicitações incomuns continua sendo a melhor maneira de reduzir o risco de cair em golpes digitais.

QUEM ESCREVE
Jardeson Márcio

Sobre o autor

Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.