Pwn2Own Automotive 2026 expõe Tesla hackeada e 37 vulnerabilidades zero-day

Por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...
7 min

O primeiro dia do Pwn2Own Automotive 2026, realizado em Tóquio, já entrou para a história da cibersegurança automotiva. Em poucas horas de competição, pesquisadores conseguiram comprometer sistemas críticos de veículos elétricos, estações de carregamento e plataformas amplamente usadas pela indústria, incluindo o sistema de infoentretenimento da Tesla. O impacto foi imediato e chamou a atenção de fabricantes, especialistas em segurança e consumidores ao redor do mundo.

Ao todo, foram reveladas 37 vulnerabilidades zero-day, falhas até então desconhecidas pelos fabricantes e que poderiam ser exploradas em cenários reais. As demonstrações renderam mais de US$ 500 mil em prêmios, reforçando o peso do evento como um dos principais catalisadores para a melhoria da segurança em veículos conectados e infraestruturas críticas.

Mais do que um espetáculo técnico, o Pwn2Own Automotive 2026 cumpre um papel essencial ao expor fragilidades antes que criminosos possam explorá-las. Em um cenário em que carros são cada vez mais definidos por software, conectividade e serviços em nuvem, a competição ajuda a elevar o nível de proteção de sistemas que fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas.

Invasão ao sistema da Tesla e recompensas massivas

Um dos momentos mais comentados do primeiro dia foi a apresentação da equipe Synacktiv, que conseguiu explorar falhas no sistema de infoentretenimento da Tesla. O ataque foi realizado por meio de um vetor físico, utilizando uma porta USB, algo que reforça como acessos aparentemente simples ainda podem representar riscos significativos.

De forma resumida, o ataque via USB envolve a conexão de um dispositivo especialmente preparado que explora falhas no tratamento de dados ou no gerenciamento de drivers do sistema. A partir dessa brecha inicial, os pesquisadores conseguiram escalar privilégios até obter acesso de root, o nível mais alto de controle em um sistema baseado em Linux.

Além da Tesla, a equipe também demonstrou um ataque bem-sucedido contra um receptor de mídia da Sony, evidenciando que o ecossistema automotivo é composto por múltiplos fornecedores e camadas de software. Cada componente vulnerável amplia a superfície de ataque e aumenta a complexidade da defesa, um desafio constante para montadoras e parceiros tecnológicos.

Vulnerabilidades em carregadores de veículos elétricos (VE)

Outro destaque do dia foi a exploração de falhas em estações de carregamento de veículos elétricos, um alvo cada vez mais sensível à medida que a adoção de VEs cresce globalmente. As equipes Fuzzware.io, DDOS e PetoWorks apresentaram ataques bem-sucedidos contra diferentes modelos e fabricantes de carregadores.

Entre as marcas afetadas estão Alpitronic, Autel, ChargePoint, Grizzl-E e Phoenix Contact, todas amplamente utilizadas em redes públicas e privadas de recarga. As falhas permitiram desde acesso não autorizado a interfaces administrativas até a execução remota de código, dependendo do cenário demonstrado.

O risco vai além de um simples mau funcionamento do carregador. Vulnerabilidades nesse tipo de infraestrutura podem levar a interrupções em larga escala, manipulação de cobrança, ataques à rede elétrica local e até servir como ponto de entrada para outras redes conectadas. O primeiro dia do Pwn2Own Automotive 2026 deixou claro que a segurança desses dispositivos precisa ser tratada como prioridade estratégica.

O papel do Automotive Grade Linux e a segurança automotiva

Grande parte dos ataques apresentados teve como alvo sistemas baseados em Automotive Grade Linux (AGL), uma plataforma open source amplamente adotada para sistemas IVI e outras funções automotivas. O uso de Linux traz vantagens claras, como flexibilidade, transparência e um ecossistema robusto de desenvolvimento, mas também exige práticas rigorosas de atualização e hardening.

No contexto do Pwn2Own, todas as vulnerabilidades demonstradas seguem um processo responsável de divulgação. Os fabricantes afetados recebem um prazo padrão de 90 dias para corrigir as falhas antes que detalhes técnicos sejam tornados públicos. Esse modelo equilibra a necessidade de transparência com a proteção dos usuários finais.

A presença do AGL no centro das discussões reforça um ponto importante, segurança automotiva não é apenas um problema de hardware, mas um desafio contínuo de software, processos e resposta a incidentes. Para usuários de Linux e profissionais de segurança da informação, o evento oferece um retrato realista das ameaças e das oportunidades de melhoria.

O que esperar dos próximos dias de competição

Se o primeiro dia já revelou 37 vulnerabilidades zero-day, a expectativa para o segundo e o terceiro dia do Pwn2Own Automotive 2026 é ainda maior. Historicamente, as demonstrações mais complexas e ataques encadeados costumam aparecer à medida que a competição avança e as equipes ajustam suas abordagens.

Em comparação com as edições de 2024 e 2025, o evento de 2026 mostra uma escalada clara tanto no número de falhas quanto na sofisticação dos ataques. A diversidade de alvos também aumentou, abrangendo desde veículos completos até componentes específicos da infraestrutura de recarga e sistemas de comunicação.

Essa evolução indica que os hackers éticos estão acompanhando de perto a transformação do setor automotivo e direcionando seus esforços para os pontos mais críticos do ecossistema. Para a indústria, isso representa um alerta, mas também uma oportunidade valiosa de aprendizado.

Conclusão e o futuro da cibersegurança veicular

O primeiro dia do Pwn2Own Automotive 2026 deixou uma mensagem clara, a segurança em carros conectados e veículos elétricos está evoluindo, mas ainda enfrenta desafios significativos. A exposição de uma Tesla hackeada, junto a falhas em carregadores e plataformas amplamente utilizadas, mostra que nenhum player está imune.

Ao mesmo tempo, a maturidade do setor é evidenciada pela disposição das empresas em participar do evento, aceitar a divulgação responsável e investir em correções rápidas. Esse ciclo de ataque, correção e melhoria contínua é essencial para construir confiança em um mercado cada vez mais dependente de software.

E você, como enxerga a segurança dos carros conectados que já fazem parte do nosso dia a dia? Deixe seu comentário e participe da discussão sobre o futuro da segurança automotiva.

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