TigerVNC 1.16.0 finalmente encara o Wayland com o w0vncserver e muda os atalhos do viewer

Wayland ganha um servidor VNC dedicado, e o viewer fica mais prático no teclado.

Por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
7 min

Compartilhar uma sessão Wayland via VNC sempre foi um ponto de atrito no Linux, seja por limitações do modelo de segurança do compositor, seja por gambiarras envolvendo XWayland. O TigerVNC 1.16.0 ataca esse gargalo com um novo back-end de servidor, o w0vncserver, e ainda aproveita para modernizar o viewer com atalhos renovados, melhor interceptação de chaves e ajustes de usabilidade para sessão remota.

Destaques do TigerVNC 1.16.0 (jan/2026)

  • w0vncserver: novo servidor para compartilhar desktops Wayland (sessão local).
  • Atalhos renovados: o controle do viewer deixa de depender do “modo F8” e ganha um sistema novo de shortcuts.
  • Teclas de sistema em modo janela: envio de chaves de sistema fica mais acessível, sem exigir fullscreen.
  • Interceptação de chaves melhorada: avanços no Windows e macOS (no Mac, com aprovação explícita do usuário).
  • Histórico de servidores pesquisável e mais responsividade ao redimensionar a janela da sessão.

O que muda na prática para usuários Linux

w0vncserver: VNC para a sessão Wayland que você já está usando

O grande anúncio do 1.16.0 é o w0vncserver, um servidor voltado para compartilhar a sessão Wayland local. A ideia é bem direta: se o x0vncserver era a forma “sem criar uma nova sessão” no mundo X11, o w0vncserver tenta ocupar esse mesmo papel no Wayland, respeitando o modelo moderno de permissão e captura de tela.

Na prática, isso conversa com uma dor real do desktop Linux atual: Wayland não foi desenhado para permitir que qualquer processo capture a tela e intercepte entrada livremente. Então, quando uma implementação VNC tenta “fazer como sempre”, costuma esbarrar em bloqueios de segurança. Com o w0vncserver, o TigerVNC sinaliza que a estratégia não é brigar com o Wayland, e sim usar o caminho esperado pelo ecossistema.

O que esperar:

  • Melhor alinhamento com GNOME e KDE Plasma em Wayland.
  • Uma abordagem mais consistente com permissões, confirmação do usuário e políticas do compositor.

O que não muda (ainda) para certos cenários:

  • Se você precisa de sessões headless ou múltiplas sessões independentes como “VNC clássico”, isso continua sendo um caso diferente do “compartilhar a sessão local”. O w0vncserver é sobre sharing da sessão que já está aberta.

Atalhos do viewer: adeus dependência do F8, olá sistema novo

O TigerVNC 1.16.0 também mexe em um hábito antigo de quem usa VNC todo dia: o menu e as ações via F8. Em vez de centralizar comandos no atalho tradicional, o viewer ganha um novo sistema de atalhos para tarefas como:

  • alternar tela cheia,
  • controlar o comportamento de redirecionamento de teclas de sistema,
  • e acessar funções do viewer com menos fricção durante uma sessão remota.

Além disso, há um ganho bem prático: agora o viewer suporta enviar teclas de sistema mesmo em modo janela, o que reduz aquela sensação de “preciso estar em fullscreen para conseguir controlar direito” em alguns fluxos.

Interceptação de chaves: melhorias importantes em Windows e macOS

Quem alterna entre Linux, Windows e macOS em ambientes mistos vai notar o foco do 1.16.0 em “teclas difíceis”:

  • Windows: melhora na interceptação e encaminhamento de chaves de sistema, com a ressalva clássica de que Ctrl+Alt+Delete não entra nesse jogo.
  • macOS: o viewer passa a usar um método diferente de interceptação, mas isso exige aprovação explícita do usuário no sistema, algo coerente com o modelo de privacidade do macOS.

Esse conjunto de mudanças é menos “chamativo” do que o w0vncserver, mas costuma ser o tipo de ajuste que separa uma sessão remota “ok” de uma sessão remota realmente produtiva.

Usabilidade: histórico pesquisável e resize mais responsivo

Há duas melhorias pequenas no texto do release, mas grandes no dia a dia:

  • Campo de servidor com histórico pesquisável: ótimo para quem alterna entre muitos hosts (homelab, clientes, VMs, bastion).
  • Redimensionamento mais responsivo: menos “travadas” e melhor sensação ao ajustar a janela, especialmente em telas HiDPI e setups com scaling.

Também há menção a melhoria no viewer Java, com controle mais fino de scaling, o que pode ser relevante para quem ainda depende dele em ambientes mais específicos.

Compatibilidade: RHEL 10 entra, Ubuntu 20.04 e RHEL 7 saem

O TigerVNC 1.16.0 adiciona pacotes para RHEL 10 e, ao mesmo tempo, remove pacotes para Ubuntu 20.04 e RHEL 7.

Para o Linux, isso é um recado duplo:

  1. O projeto está acompanhando as bases mais novas, que tendem a empurrar Wayland como padrão e restringir integrações “antigas”.
  2. Legado custa caro. Manter builds e compatibilidade para distros já fora do foco principal vira um freio para evoluções como o w0vncserver.

Um detalhe importante:

O fim do suporte a Ubuntu 20.04 é aquele tipo de corte impopular, mas previsível: quando uma base vira “legado”, ela passa a bloquear a modernização do stack (toolchains, bibliotecas, integrações e, agora, o próprio caminho Wayland). O ponto mais interessante é que o TigerVNC 1.16.0 não trata Wayland como “modo alternativo”, ele cria um servidor dedicado (w0vncserver) e assume a transição como inevitável. Para o desktop Linux, isso é um sinal claro: a era do “VNC do jeito antigo” vai continuar existindo em nichos, mas o mainstream vai depender cada vez mais de back-ends alinhados ao modelo de portais, permissões e captura do Wayland.

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