O Ubuntu, desenvolvido pela Canonical, e o Linux Mint, mantido pela comunidade com base no próprio Ubuntu, representam os dois pilares mais sólidos do ecossistema Linux para desktops. Enquanto o Ubuntu foca em inovação de interface e suporte corporativo, o Mint prioriza a familiaridade e o refinamento da experiência “out-of-the-box”.
| Recurso | Ubuntu (LTS) | Linux Mint |
| Base de pacotes | Debian/Ubuntu | Ubuntu (ou Debian na edição LMDE) |
| Interface padrão | GNOME Customizado | Cinnamon, MATE ou Xfce |
| Gerenciamento de pacotes | APT e Snap (prioritário) | APT e Flatpak (prioritário) |
| Kernel | HWE (Hardware Enablement) | Estável/Conservador |
| Suporte Corporativo | Canonical (Ubuntu Pro) | Suporte Comunitário |
Performance e consumo
A performance entre as duas distribuições é similar no núcleo do sistema, mas diverge significativamente no uso de recursos da interface gráfica. O Ubuntu utiliza uma versão modificada do GNOME, que tende a consumir mais memória RAM em repouso (geralmente entre 800MB e 1.2GB). A aceleração de hardware e a renderização de Wayland são pontos fortes aqui, oferecendo fluidez em hardwares modernos.
O Linux Mint, especialmente na versão Cinnamon, é otimizado para hardware com recursos moderados. O consumo de RAM inicial costuma ser inferior ao do Ubuntu, e a interface baseada em X11 (com suporte experimental a Wayland em versões recentes) oferece uma resposta mais imediata em GPUs legadas. Além disso, o Mint evita o uso de pacotes Snap, que no Ubuntu podem causar tempos de inicialização de aplicativos levemente superiores devido à natureza de montagem de arquivos compactados.
Ecossistema e ferramentas
O Ubuntu é a vitrine tecnológica da Canonical. Ele introduz o formato de pacotes Snap, que facilita a distribuição de softwares proprietários e atualizados, mas gera debates sobre a centralização da Snap Store. É a escolha padrão para desenvolvedores que precisam de certificações de nuvem (AWS, Azure) e ferramentas nativas de Docker e Kubernetes.
O Linux Mint adota uma postura mais conservadora e voltada ao usuário final. Ele substitui a loja do Ubuntu por um Gerenciador de Aplicativos próprio que integra Flatpak nativamente, rejeitando o uso de Snaps por padrão. O Mint também inclui os “Mint Tools”, um conjunto de utilitários (como o Timeshift para backups e o Gerenciador de Drivers) que simplificam tarefas administrativas que, no Ubuntu, muitas vezes exigem o uso do terminal.
Curva de aprendizado
A UX (User Experience) do Ubuntu é distinta. O dock lateral e o fluxo de trabalho do GNOME incentivam o uso de atalhos de teclado e uma mentalidade mais próxima do que se vê no macOS. Para usuários vindos do Windows, pode haver um período de adaptação inicial.
O Linux Mint é frequentemente citado como a melhor porta de entrada para novos usuários. A interface Cinnamon segue o paradigma clássico de desktop (menu iniciar, barra de tarefas inferior e ícones no desktop), tornando a transição do Windows quase instantânea. A configuração de codecs multimídia e drivers proprietários é oferecida logo no assistente de boas-vindas, reduzindo drasticamente a necessidade de intervenção técnica manual.
Qual escolher?
A decisão deve ser baseada na sua familiaridade com interfaces modernas e na necessidade de suporte corporativo.
- Escolha o Ubuntu se: Você busca um sistema com suporte a tecnologias de ponta, planeja trabalhar com desenvolvimento de software voltado para servidores ou prefere uma interface moderna e baseada em gestos.
- Escolha o Linux Mint se: Você deseja um sistema que “apenas funcione” desde o primeiro boot, prefere a disposição clássica de menus ou possui um hardware com alguns anos de uso que exige maior economia de recursos.
