O Google se consolidou como o primeiro lugar onde milhões de pessoas buscam respostas sobre sintomas, exames e doenças. Antes mesmo de marcar uma consulta, usuários recorrem à busca como se fosse uma triagem inicial. Com a introdução dos Google AI Overviews, esse comportamento ganhou uma nova camada de risco, já que respostas automáticas passaram a resumir temas médicos complexos com aparência de autoridade. Em janeiro de 2026, após uma série de críticas e alertas de especialistas, o Google decidiu remover funcionalidades de IA em buscas sensíveis de saúde. A medida trouxe à tona um debate urgente sobre os perigos da IA do Google na saúde e os limites éticos do uso de inteligência artificial em contextos médicos.
A promessa dos resumos de IA era facilitar o acesso à informação, mas, quando aplicada à medicina, essa simplificação mostrou falhas graves. O episódio reforça que tecnologia sem contexto clínico pode comprometer diretamente a segurança do usuário.
O que deu errado nos resumos de IA do Google
Os erros identificados nos Google AI Overviews não se limitaram a detalhes técnicos, mas envolveram interpretações equivocadas de informações médicas críticas. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em buscas relacionadas a testes de função hepática. A IA apresentou intervalos considerados “normais” para exames de fígado de forma genérica, sem explicar que esses valores variam conforme idade, sexo, uso de medicamentos e histórico de doenças. Para muitos usuários, a resposta passou a impressão de que alterações nos resultados não exigiam avaliação médica imediata.
Outro exemplo preocupante envolveu buscas sobre câncer. Em determinadas consultas, os resumos automáticos sugeriram ajustes alimentares e interpretações simplificadas de dados clínicos, ignorando que qualquer orientação relacionada a oncologia depende do tipo de tumor, do estágio da doença e do tratamento adotado. Especialistas alertaram que esse tipo de resposta pode induzir decisões equivocadas, atrasar diagnósticos e estimular a automedicação.
Esses episódios ganharam repercussão internacional, inclusive em reportagens do The Guardian, que destacaram como alucinações de IA podem se tornar especialmente perigosas quando aplicadas à saúde. Diferentemente de erros em buscas comuns, falhas médicas afetam diretamente a segurança do paciente.

O risco das informações sem contexto clínico
O maior problema dos resumos automáticos não está apenas em errar, mas em ignorar o contexto individual. Modelos de linguagem não conhecem o paciente, não têm acesso ao histórico clínico e não conseguem avaliar sintomas associados. Ainda assim, as respostas eram exibidas no topo da busca, com formatação destacada, o que aumenta a percepção de confiabilidade.
Na prática, a IA desconsidera variáveis essenciais como idade, comorbidades, uso contínuo de medicamentos e fatores genéticos. Um valor aceitável para um adulto jovem pode ser alarmante para um idoso, assim como uma recomendação alimentar genérica pode ser inadequada ou até perigosa para alguém em tratamento oncológico. Essa ausência de nuance reforça os perigos da IA do Google na saúde, especialmente quando o usuário interpreta a resposta como um parecer médico.
A resposta do Google e as remoções de emergência
Diante da pressão de profissionais de saúde, pesquisadores e instituições médicas, o Google adotou medidas emergenciais. A empresa confirmou a remoção de determinados termos e tipos de consulta do alcance dos Google AI Overviews, incluindo buscas como “intervalo normal de exames de sangue” e outras relacionadas a diagnósticos sensíveis.
Em seus comunicados, o Google afirmou que os resumos de IA não foram projetados para substituir médicos e que a ferramenta serve apenas como apoio informativo. A empresa também reforçou avisos de que as respostas não constituem aconselhamento médico. No entanto, críticos apontam que esses alertas são insuficientes quando a informação aparece de forma destacada e direta para o usuário leigo.
Para muitos especialistas, a retirada parcial das funcionalidades foi uma tentativa de conter danos imediatos, mas não resolve o problema estrutural. O episódio evidencia que a adoção de IA em saúde avançou mais rápido do que os mecanismos de validação científica e revisão humana necessários para garantir confiabilidade.
IA e saúde em 2026: onde traçamos a linha?
Em 2026, a presença da inteligência artificial na área da saúde é inevitável. Algoritmos já auxiliam médicos na análise de exames de imagem, na triagem de pacientes e na gestão hospitalar. A diferença fundamental está no ambiente controlado, com supervisão profissional, em contraste com o acesso direto ao público geral por meio de mecanismos de busca.
O caso dos Google AI Overviews levanta uma questão central, quem assume a responsabilidade quando uma IA erra em saúde. Embora as Big Techs afirmem que apenas organizam informações disponíveis, na prática elas influenciam decisões reais. A linha entre informar e orientar é tênue, e cruzá-la sem curadoria médica pode gerar consequências graves.
Especialistas defendem que conteúdos médicos produzidos por IA devem ser limitados a explicações educacionais amplas ou passar por revisão clínica rigorosa. Reduzir o tom de autoridade, explicitar limitações e evitar interpretações de exames são passos essenciais para diminuir os riscos e preservar a confiança do usuário.
Conclusão: tecnologia poderosa exige responsabilidade
A decisão do Google de recuar em funcionalidades de IA voltadas à saúde funciona como um alerta para todo o setor de tecnologia. Os perigos da IA do Google na saúde mostram que inovação sem responsabilidade pode comprometer a segurança do paciente e gerar desinformação em larga escala. Resumos automáticos podem ajudar a entender conceitos gerais, mas se tornam perigosos quando simplificam diagnósticos, exames e tratamentos complexos.
Para o usuário comum, a lição é clara, a busca pode ser um ponto de partida, mas nunca deve substituir a avaliação de um profissional de saúde. Para as empresas de tecnologia, o recado é direto, confiança se constrói com cautela, transparência e limites bem definidos.
Você confiaria em uma resposta de IA para interpretar um exame ou orientar uma decisão médica importante? Deixe sua opinião nos comentários e participe desse debate essencial sobre o futuro da tecnologia na saúde.
