Ubuntu ou Linux Mint: Qual a melhor opção para o seu fluxo de trabalho?

Inovação estrutural vs. Refinamento da experiência do usuário.

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...

O Ubuntu, desenvolvido pela Canonical, e o Linux Mint, mantido pela comunidade com base no próprio Ubuntu, representam os dois pilares mais sólidos do ecossistema Linux para desktops. Enquanto o Ubuntu foca em inovação de interface e suporte corporativo, o Mint prioriza a familiaridade e o refinamento da experiência “out-of-the-box”.

RecursoUbuntu (LTS)Linux Mint
Base de pacotesDebian/UbuntuUbuntu (ou Debian na edição LMDE)
Interface padrãoGNOME CustomizadoCinnamon, MATE ou Xfce
Gerenciamento de pacotesAPT e Snap (prioritário)APT e Flatpak (prioritário)
KernelHWE (Hardware Enablement)Estável/Conservador
Suporte CorporativoCanonical (Ubuntu Pro)Suporte Comunitário

Performance e consumo

A performance entre as duas distribuições é similar no núcleo do sistema, mas diverge significativamente no uso de recursos da interface gráfica. O Ubuntu utiliza uma versão modificada do GNOME, que tende a consumir mais memória RAM em repouso (geralmente entre 800MB e 1.2GB). A aceleração de hardware e a renderização de Wayland são pontos fortes aqui, oferecendo fluidez em hardwares modernos.

O Linux Mint, especialmente na versão Cinnamon, é otimizado para hardware com recursos moderados. O consumo de RAM inicial costuma ser inferior ao do Ubuntu, e a interface baseada em X11 (com suporte experimental a Wayland em versões recentes) oferece uma resposta mais imediata em GPUs legadas. Além disso, o Mint evita o uso de pacotes Snap, que no Ubuntu podem causar tempos de inicialização de aplicativos levemente superiores devido à natureza de montagem de arquivos compactados.

Ecossistema e ferramentas

O Ubuntu é a vitrine tecnológica da Canonical. Ele introduz o formato de pacotes Snap, que facilita a distribuição de softwares proprietários e atualizados, mas gera debates sobre a centralização da Snap Store. É a escolha padrão para desenvolvedores que precisam de certificações de nuvem (AWS, Azure) e ferramentas nativas de Docker e Kubernetes.

O Linux Mint adota uma postura mais conservadora e voltada ao usuário final. Ele substitui a loja do Ubuntu por um Gerenciador de Aplicativos próprio que integra Flatpak nativamente, rejeitando o uso de Snaps por padrão. O Mint também inclui os “Mint Tools”, um conjunto de utilitários (como o Timeshift para backups e o Gerenciador de Drivers) que simplificam tarefas administrativas que, no Ubuntu, muitas vezes exigem o uso do terminal.

Curva de aprendizado

A UX (User Experience) do Ubuntu é distinta. O dock lateral e o fluxo de trabalho do GNOME incentivam o uso de atalhos de teclado e uma mentalidade mais próxima do que se vê no macOS. Para usuários vindos do Windows, pode haver um período de adaptação inicial.

O Linux Mint é frequentemente citado como a melhor porta de entrada para novos usuários. A interface Cinnamon segue o paradigma clássico de desktop (menu iniciar, barra de tarefas inferior e ícones no desktop), tornando a transição do Windows quase instantânea. A configuração de codecs multimídia e drivers proprietários é oferecida logo no assistente de boas-vindas, reduzindo drasticamente a necessidade de intervenção técnica manual.

Qual escolher?

A decisão deve ser baseada na sua familiaridade com interfaces modernas e na necessidade de suporte corporativo.

Imagem do Desktop do Ubuntu com GNOME.
Ubuntu ou Linux Mint: Qual a melhor opção para o seu fluxo de trabalho? 4
  • Escolha o Ubuntu se: Você busca um sistema com suporte a tecnologias de ponta, planeja trabalhar com desenvolvimento de software voltado para servidores ou prefere uma interface moderna e baseada em gestos.
Imagem do desktop do Linux Mint com Cinnamon
Ubuntu ou Linux Mint: Qual a melhor opção para o seu fluxo de trabalho? 5
  • Escolha o Linux Mint se: Você deseja um sistema que “apenas funcione” desde o primeiro boot, prefere a disposição clássica de menus ou possui um hardware com alguns anos de uso que exige maior economia de recursos.

Compartilhe este artigo