Futuro dos smartphones: Elon Musk e o plano da Samsung com Galaxy AI

Elon Musk diz que smartphones vão acabar, e a Samsung pode já estar pronta

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

O futuro dos dispositivos móveis virou assunto quente depois que Elon Musk afirmou, em uma conversa no podcast The Joe Rogan Experience, que os smartphones tradicionais e os aplicativos como conhecemos estão com os dias contados. Segundo Musk, em apenas cinco a seis anos, não teremos mais apps nem sistemas operacionais clássicos; em vez disso, nossa interação digital será mediada por inteligência artificial capaz de antecipar nossas necessidades e entregar conteúdo gerado em tempo real a partir de uma IA centralizada, com os aparelhos funcionando apenas como “edge nodes” ou nós terminais dessa inteligência distribuída.

Enquanto a visão de Musk soa radical, gigantes como a Samsung já estão movendo peças no tabuleiro tecnológico para posicionar seus dispositivos para essa transição, com foco no Galaxy AI, nova estratégia de software e hardware baseada em IA que promete tornar a experiência móvel mais intuitiva, contextual e preditiva. Neste artigo analisamos as previsões de Musk e o que a Samsung tem feito para não apenas sobreviver, mas liderar nesse cenário de mudança.

O conceito de “edge node” e a morte das lojas de aplicativos

Musk sugere que o modelo atual de smartphones, baseado em sistemas operacionais com lojas de aplicativos e navegação por toques e menus, está fadado a desaparecer. Na sua visão, o futuro é dominado por dispositivos que agem como interfaces inteligentes, conectados a sistemas de inteligência artificial que sabem interpretar intenções e transformá-las em ações sem que o usuário precise abrir um app ou navegar por telas.

A expressão “edge node” refere-se a essa ideia de que o hardware local, o dispositivo em si, seja um telefone fino ou outro formato — existe apenas para capturar entrada do usuário e exibir saída visual ou sonora, enquanto o processamento pesado e a lógica de tomada de decisão ficam em servidores remotos ou núcleos de IA. Isso se conecta diretamente com tendências como computação de borda e modelos de grande linguagem que antecipam e geram informações de forma contextual.

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Por que tocar na tela se tornou “lento” para a IA

O argumento de que interfaces baseadas em toque são “lentas” ou ineficientes para IA tem dois lados. Por um lado, nossa interação com telas envolve múltiplos passos: abrir um app, navegar entre telas, esperar resposta. Em um mundo ideal de IA generativa essa fricção desapareceria, com a interface respondendo diretamente a comandos naturais ou até antecipando preferências. Por outro, esse salto exige avanços significativos em latência de rede, capacidade de processamento local e modelos de IA altamente integrados com contexto pessoal e privacidade, algo que muitos desenvolvedores e pesquisadores ainda consideram um desafio técnico e ético.

De fato, Musk acredita que daqui a pouco tempo a IA ultrapassará não apenas tarefas pontuais, mas será capaz de dominar nossa interação digital sem a necessidade de camadas intermediárias como menus e botões.

A estratégia da Samsung: Do Galaxy AI ao suporte a Linux

Enquanto alguns veem o futuro sem smartphones como um fim, a Samsung está abraçando a ideia de que o dispositivo móvel é apenas o ponto de contato da IA com o usuário, e está moldando sua estratégia para tornar esse ponto de contato o mais rico e adaptativo possível.

One UI e a evolução do Galaxy AI

A Samsung transformou sua interface de usuário, a One UI, em uma plataforma orientada por IA, com recursos que vão além de atalhos e assistentes básicos. A One UI 7, por exemplo, já integra funcionalidades do Galaxy AI de forma nativa em muitos modelos Galaxy, trazendo ferramentas como assistentes de escrita, tradução, criação de conteúdo e automatização de tarefas diretamente à palma da mão, com integração cada vez mais profunda com o Google Gemini.

Essa abordagem mostra que a Samsung está tentando eliminar parte da fricção ao usar múltiplos apps para tarefas simples: em vez de abrir um editor de texto para corrigir um e-mail, ou outro para resumir uma conversa, a IA integrada faz isso de forma contextual e fluida. A meta é estabelecer que a inteligência artificial é a interface, não apenas uma ferramenta extra.

Além disso, há expectativas de que versões futuras, como a One UI 8.5, tragam ainda mais funções inteligentes, como resumos automáticos de notificações, assistentes contextuais avançados e automação de ações complexas.

Hardware e chips: Mais que software

Por trás desse movimento está também uma camada de estratégia de hardware. A linha Galaxy S25 e futuros modelos utilizam chips personalizados e unidades de processamento neural (NPU) que permitem processamento de IA de forma mais eficiente diretamente no dispositivo, reduzindo a dependência exclusiva de serviços em nuvem e melhorando desempenho, autonomia e privacidade.

Samsung também está investindo pesadamente em tecnologias de memória e semicondutores voltados para IA, o que não só impulsiona seus próprios dispositivos, mas também coloca a empresa em posição de fornecer componentes críticos para servidores e infraestruturas de IA maiores. Essa verticalização fortalece sua posição em um mercado que, segundo muitos analistas, será dominado por soluções híbridas entre borda e nuvem.

Suporte ao Linux e desenvolvimento

Nos bastidores, há discussão ativa dentro da comunidade de usuários e desenvolvedores sobre o suporte a ambientes Linux completos em dispositivos Galaxy, o que poderia transformar um smartphone em uma verdadeira plataforma de desenvolvimento móvel e servidor portátil. Embora esse suporte ainda seja limitado ou em fase inicial em betas de software, a ideia de oferecer ambientes completos para desenvolvedores aponta para um futuro em que dispositivos móveis não são apenas consumidores de IA, mas também poderosos nós de criação e testes.

Neuralink vs. smartphone: Onde o hardware físico sobrevive?

Se Musk acredita que a IA vai tornar os smartphones obsoletos, ele também olha para tecnologias como Neuralink, que visa conectar cérebros diretamente a interfaces digitais. Isso abre um debate profundo: será que dispositivos físicos (sejam eles Galaxy ou outro formato) sobreviverão quando a interação humana com o digital for tão natural quanto pensar?

Atualmente, tecnologias como Neuralink ainda estão em estágios preliminares de uso seguro e eficaz em humanos, com questões éticas, legais e técnicas a serem resolvidas antes de um uso amplo. Mesmo assim, elas representam uma visão em que o hardware tradicional pode se tornar periférico a interfaces neurais integradas, onde o cérebro, não os dedos ou vozes, comanda a IA.

Nesse futuro hipotético, um dispositivo físico poderia existir apenas como terminal visual/auditivo, ou até ser substituído por interfaces biométricas mais diretas, mas isso ainda está distante e cheio de desafios práticos. O cenário provável para a próxima década é de coexistência, em que dispositivos como os Galaxy continuam evoluindo enquanto interfaces neurais começam a se solidificar em nichos especializados.

Conclusão e o impacto no ecossistema Android

A previsão de Musk sobre o fim dos smartphones pode soar extrema, mas ela nos obriga a repensar o papel dos dispositivos móveis e das lojas de aplicativos no futuro tecnológico. A estratégia da Samsung, com Galaxy AI e uma One UI cada vez mais integrada à IA, mostra que grandes fabricantes já estão preparando aparelhos e experiências para uma era em que a inteligência artificial é o centro da interação humana com a tecnologia.

Isso significa que, mesmo que aparelhos físicos não desapareçam tão rápido quanto Musk sugere, o modo como os usamos já está mudando. Interfaces mais inteligentes, preditivas e contextuais estão transformando smartphones Galaxy em hubs de IA que eliminam parte da fricção antiga dos sistemas atuais, aproximando-nos da visão de um futuro movido por IA antecipativa e generativa.

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