A adoção do iOS 26 começou de forma muito mais lenta do que a Apple costuma registrar em grandes atualizações de sistema. Dados da Statcounter referentes a janeiro de 2026 mostram um cenário incomum, apenas 16% dos iPhones ativos já rodam o novo sistema, enquanto o iOS 18 segue dominante, com cerca de 60% de participação. O contraste chama atenção porque, historicamente, a Apple sempre se beneficiou de uma migração rápida graças ao seu ecossistema fechado e ao longo suporte a dispositivos antigos. Desta vez, no entanto, fatores técnicos e estéticos se combinaram para frear a adoção do iOS 26, criando um raro momento de resistência coletiva dos usuários.
Essa desaceleração não pode ser explicada apenas por cautela natural. O iOS 26 representa uma mudança visual profunda, adiciona novas camadas de processamento gráfico e introduz recursos de inteligência artificial que, na prática, não alcançam a maioria da base instalada. O resultado é um sistema percebido como bonito, mas pesado, inovador, porém limitado, moderno, mas nem sempre funcional para todos.
O fator Liquid Glass e a polêmica visual na adoção do iOS 26
O elemento mais visível do iOS 26 é o novo design Liquid Glass, apresentado pela Apple como uma evolução da linguagem visual iniciada anos atrás. O conceito aposta em transparências dinâmicas, camadas sobrepostas e efeitos de profundidade que simulam vidro líquido reagindo ao toque e ao movimento do aparelho. Em telas OLED modernas, o efeito é impactante e tecnicamente impressionante.
Na prática, porém, muitos usuários relatam uma experiência cansativa. O excesso de transparência dificulta a leitura em determinadas condições de luz, especialmente ao ar livre. Ícones e textos, que antes se destacavam com clareza no iOS 18, agora competem com fundos animados e reflexos artificiais. Para profissionais de UX e UI, a crítica é ainda mais direta, o Liquid Glass prioriza estética sobre hierarquia visual, reduzindo contraste e aumentando a carga cognitiva do usuário.
Outro ponto recorrente é a sensação de confusão. Elementos flutuantes, sombras suaves e animações constantes criam um ambiente visualmente rico, mas menos previsível. Usuários acostumados à simplicidade funcional do iOS 18 relatam que tarefas simples exigem mais atenção. Esse desconforto estético tem impacto direto na adoção do iOS 26, já que design não é apenas aparência, mas usabilidade e eficiência no dia a dia.

Desempenho e bateria: o medo de atualizar no iOS 26
Além da questão visual, o desempenho se tornou um fator decisivo para muitos usuários evitarem a atualização. Relatos frequentes em fóruns e redes sociais apontam aumento no consumo de energia, aquecimento do aparelho e queda de desempenho em modelos lançados entre 2020 e 2022. Mesmo quando esses problemas não são críticos, a percepção de risco pesa contra a adoção do iOS 26.
O design Liquid Glass, com seus efeitos de profundidade e animações contínuas, exige mais da GPU e do processador. Em aparelhos mais antigos, isso se traduz em ciclos de renderização mais longos e maior gasto energético. A saúde da bateria se tornou uma preocupação central, especialmente para usuários que já enfrentam degradação natural após anos de uso.
A própria Apple tem adotado um tom mais cauteloso em seus comunicados. Embora oficialmente recomende a atualização, a empresa destaca melhorias graduais previstas para versões intermediárias, o que muitos interpretam como um reconhecimento implícito de que o iOS 26 ainda não atingiu maturidade plena. Para quem depende do iPhone como ferramenta de trabalho, a estabilidade do iOS 18 parece, hoje, uma escolha mais segura.
Inteligência artificial para poucos e a fragmentação no iOS 26
Outro fator crucial para entender a baixa adoção do iOS 26 é a forma como a Apple implementou seus recursos de IA. A chamada Apple Intelligence foi anunciada como um dos grandes pilares do novo sistema, prometendo automação inteligente, assistentes contextuais e processamento local avançado para proteger a privacidade.
O problema é que esses recursos só funcionam plenamente no iPhone 15 Pro ou em modelos superiores. Isso cria uma fragmentação inédita no ecossistema iOS. Para milhões de usuários com iPhone 13, 14 ou versões padrão do 15, a atualização não entrega o principal diferencial tecnológico prometido. Na prática, eles recebem um novo design mais pesado e possíveis impactos em desempenho, sem acesso às funcionalidades de IA que justificariam o upgrade.
Essa limitação afeta diretamente o incentivo para migrar. Diferentemente de atualizações anteriores, em que quase todos os usuários ganhavam novos recursos relevantes, o iOS 26 estabelece uma divisão clara entre dispositivos de elite e o restante da base instalada. Para muitos, permanecer no iOS 18 significa manter estabilidade, desempenho consistente e uma experiência conhecida, sem abrir mão de funções essenciais.
Conclusão: vale a pena atualizar para o iOS 26 agora?
A análise dos dados da Statcounter e das reações dos usuários aponta para um cenário claro, a baixa adoção do iOS 26 não é um acidente, mas o resultado de escolhas estratégicas da Apple. O design Liquid Glass divide opiniões, o impacto em desempenho e saúde da bateria gera insegurança e a Apple Intelligence, restrita a poucos modelos, limita o valor percebido da atualização.
Isso não significa que o iOS 26 seja um fracasso definitivo. Historicamente, a Apple corrige excessos e otimiza sistemas ao longo do ciclo de vida. Versões como 26.3 ou 26.4 tendem a reduzir consumo energético, ajustar animações e refinar o design para melhorar a legibilidade. Se essas melhorias vierem acompanhadas de uma expansão gradual dos recursos de IA, a adoção do iOS 26 pode crescer de forma mais consistente ao longo de 2026.
Por enquanto, a decisão de atualizar depende do perfil do usuário. Donos de iPhones mais recentes, especialmente da linha Pro, podem aproveitar melhor as novidades. Já para quem prioriza estabilidade, autonomia de bateria e uma interface funcional, permanecer no iOS 18 não é apenas aceitável, é uma escolha racional. A resistência atual mostra que, pela primeira vez em anos, os usuários estão dispostos a dizer não a uma grande atualização do iOS, pelo menos até que ela prove, na prática, seu valor.
