AirDrop no Android chega a mais celulares com expansão do Quick Share

Quick Share leva AirDrop no Android para além dos Pixels

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Durante anos, o compartilhamento rápido de arquivos entre Android e iOS foi marcado por limitações e incompatibilidades. Mas esse cenário está prestes a mudar. O “muro” finalmente caiu: o Quick Share está expandindo sua capacidade de funcionar como um verdadeiro AirDrop no Android, levando a experiência além da linha Pixel após um período inicial de testes no Pixel 10.

A novidade representa um passo importante rumo à interoperabilidade entre plataformas que historicamente competem, mas que agora começam a conversar melhor. Para usuários que vivem em ecossistemas mistos, ou que simplesmente desejam transferir arquivos sem fricção, a mudança promete ser transformadora.

Com a expansão prevista para 2026, o Google sinaliza uma nova fase para o compartilhamento Android e iPhone, tornando o processo mais simples, rápido e universal.

O que o Google confirmou oficialmente

A confirmação veio diretamente de Eric Kay, vice-presidente de Engenharia do Google, durante uma apresentação em Taipei. Segundo o executivo, 2025 foi um ano crucial de trabalho interno para garantir que o sistema fosse estável, seguro e compatível com dispositivos Apple.

Kay destacou que a equipe concentrou esforços em resolver problemas clássicos da comunicação entre plataformas, como autenticação, descoberta de dispositivos e consistência na transferência de arquivos. O objetivo foi criar uma experiência que “simplesmente funciona”, sem exigir configurações complexas do usuário.

Embora o Google não tenha divulgado todos os detalhes técnicos, ficou claro que a expansão do Quick Share estillo AirDrop faz parte de uma estratégia maior para reduzir barreiras dentro do ecossistema móvel. A empresa entende que os consumidores não querem mais pensar em protocolos, apenas em enviar um arquivo rapidamente.

Outro ponto importante mencionado por Eric Kay foi a confiabilidade. Transferências interrompidas ou falhas de conexão sempre foram uma dor para usuários que tentam compartilhar arquivos entre sistemas diferentes. O trabalho de engenharia buscou justamente eliminar essas fricções.

Android Quick Share
Imagem: PhoneArena

Como funciona o AirDrop no Android

Na prática, o Quick Share combina Bluetooth para descoberta de dispositivos próximos e Wi-Fi Direct para realizar transferências em alta velocidade. Essa arquitetura já era eficiente dentro do Android, mas agora foi adaptada para “conversar” melhor com o protocolo usado pela Apple.

Para que o compartilhamento Android e iPhone funcione corretamente, ainda será necessário que o dispositivo Apple esteja configurado para visibilidade — normalmente a opção “Todos por 10 minutos”. Essa etapa continua sendo uma camada de segurança importante para evitar transferências indesejadas.

O avanço aqui está na experiência: em vez de depender de aplicativos de terceiros, links temporários ou serviços na nuvem, o usuário poderá enviar fotos, vídeos ou documentos quase instantaneamente.

Essa evolução reforça a ideia de interoperabilidade Google e Apple, algo que até poucos anos atrás parecia improvável. Hoje, a pressão regulatória e a demanda do consumidor têm incentivado as gigantes da tecnologia a adotar padrões mais abertos.

Quais celulares devem receber primeiro

Embora o Google não tenha divulgado uma lista oficial, o histórico de parcerias permite prever quem deve sair na frente.

A Samsung aparece como candidata natural, especialmente com o possível lançamento da linha Galaxy S26. A empresa já trabalha próxima ao Google em diversas integrações e costuma ser rápida na adoção de novos recursos do Android.

A Nothing também surge como forte concorrente para receber cedo o AirDrop no Android, já que a marca aposta em diferenciação por software e experiência do usuário.

Fabricantes que utilizam plataformas Snapdragon podem ter vantagem inicial, principalmente se houver otimizações específicas no nível do chipset para melhorar a descoberta de dispositivos e a estabilidade das transferências.

Motorola e Xiaomi, com grande presença global, também são nomes difíceis de ignorar. Caso a expansão aconteça de forma ampla, o impacto poderá ser sentido rapidamente por milhões de usuários.

Vale lembrar que movimentos assim costumam acontecer em ondas: primeiro os modelos premium, depois os intermediários e, por fim, aparelhos mais acessíveis.

Além dos arquivos: Facilitando a migração do iOS para o Android

Durante sua fala, Eric Kay também mencionou uma segunda frente estratégica: tornar a mudança do iPhone para o Android menos trabalhosa.

Isso inclui ferramentas mais inteligentes para transferir contatos, fotos, mensagens e até preferências do sistema. A ideia é reduzir o atrito psicológico e técnico que ainda impede muitos usuários de trocar de plataforma.

Quando combinado ao Quick Share, esse esforço cria um cenário interessante. Se compartilhar arquivos entre amigos e familiares deixar de ser um problema, um dos maiores argumentos para permanecer no ecossistema Apple perde força.

Na prática, estamos vendo o Google atacar um ponto sensível da experiência digital moderna: a liberdade de escolha sem penalidades.

Conclusão: O fim da fragmentação no compartilhamento

A chegada do AirDrop no Android para além dos Pixels pode marcar o começo de uma nova era para o compartilhamento móvel. Menos barreiras significam mais conveniência, mais produtividade e menos dependência de soluções improvisadas.

Para o ecossistema Android, o ganho é estratégico. Recursos que antes pareciam exclusivos da Apple passam a ter equivalentes competitivos — e agora, interoperáveis.

Se a promessa se concretizar, enviar arquivos entre plataformas diferentes deixará de ser um problema técnico e passará a ser apenas um gesto simples do dia a dia.

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