AirPods com câmera vazam no macOS Tahoe 26.7

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

AirPods com câmera vazam no macOS Tahoe 26.7 RC e revelam Visual Intelligence integrada à Siri.

AirPods com câmera voltam ao centro das atenções após um vídeo de demonstração escondido no macOS Tahoe 26.7 Release Candidate (RC) revelar, de forma inesperada, como a Apple pretende transformar seus fones em sensores capazes de interpretar o ambiente ao redor do usuário. O material mostra um usuário segurando um livro enquanto a Siri apresenta uma experiência baseada em Visual Intelligence.

A descoberta é especialmente relevante porque não se trata apenas de mais uma referência encontrada em código. O vídeo fornece uma representação visual de um produto que até agora vinha sendo sustentado principalmente por rumores, protótipos e referências internas. Ao mesmo tempo, os arquivos dos sistemas da Apple já haviam apontado para o codinome B790 e para um dispositivo capaz de processar imagens capturadas por câmeras posicionadas nas laterais da cabeça.

O resultado é uma mudança importante na proposta dos AirPods. Em vez de funcionarem apenas como dispositivos de áudio, os fones da Apple com câmera poderão atuar como uma espécie de extensão visual da inteligência artificial, permitindo que a Siri compreenda aquilo que o usuário está vendo sem depender diretamente da câmera do iPhone.

O vazamento do macOS Tahoe revela como os AirPods com câmera funcionam

O vídeo encontrado no macOS Tahoe 26.7 RC apresenta uma situação simples, mas significativa. Um usuário segura um livro diante de si enquanto uma narração atribuída à Siri explica a capacidade de Visual Intelligence de tornar aquilo que está no campo de visão “salvável” para consulta posterior.

A demonstração ajuda a esclarecer a finalidade das câmeras. Ao contrário de uma câmera convencional de smartphone ou de óculos inteligentes voltados à captura de fotos e vídeos, os sensores dos AirPods seriam utilizados principalmente como entrada visual para a inteligência artificial.

Na prática, o usuário poderia olhar para determinado objeto, texto, ponto turístico ou outra informação e pedir ajuda à Siri. O sistema analisaria a cena e utilizaria esse contexto para responder ou executar uma ação.

Essa arquitetura combina diretamente com as referências encontradas anteriormente no iOS 27. Um arquivo interno associado ao B790 descrevia o processamento de duas imagens provenientes de câmeras posicionadas em lados diferentes da cabeça do usuário, com a imagem de um lado sendo processada antes da outra.

A utilização de dois sensores pode oferecer uma vantagem importante: percepção espacial. Como cada câmera observaria a cena a partir de uma posição ligeiramente diferente, o sistema poderia extrair mais informações sobre profundidade e localização dos objetos.

Isso não significa necessariamente que os AirPods produzirão imagens com qualidade fotográfica. A proposta parece ser justamente o oposto: usar sensores compactos e eficientes para fornecer à IA informações suficientes para compreender o contexto.

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Imagem: 9to5Mac

Diferenças de design e hastes mais espessas

As imagens apresentadas no material vazado indicam um design muito próximo ao dos atuais AirPods Pro, mas com alterações perceptíveis. As hastes parecem mais espessas e alongadas, característica que pode estar relacionada à necessidade de acomodar componentes adicionais.

É justamente nessa região que os sensores de câmera poderiam ser instalados. A posição é estratégica porque permite que cada fone acompanhe aproximadamente a direção para a qual a cabeça do usuário está apontada.

A mudança também explica por que a Apple teria escolhido integrar câmeras aos fones em vez de simplesmente adicionar mais sensores ao iPhone. Os AirPods acompanham o usuário durante todo o dia e podem oferecer à inteligência artificial uma perspectiva mais natural do ambiente.

O conceito aproxima os fones da categoria dos wearables de computação contextual, na qual o dispositivo deixa de esperar uma ação explícita do usuário e passa a compreender melhor a situação ao redor.

Alertas no sistema e os desafios com cabelos cobrindo o sensor

A integração de câmeras tão pequenas também cria problemas bastante específicos. Um deles é a possibilidade de cabelos, acessórios ou outros elementos obstruírem os sensores instalados nas hastes.

Referências relacionadas ao projeto já levantaram justamente esse tipo de preocupação, algo que demonstra como o posicionamento físico das câmeras será tão importante quanto o software responsável pela interpretação das imagens.

Esse detalhe parece trivial, mas pode afetar diretamente a experiência. Diferentemente de uma câmera de smartphone, que normalmente fica exposta na traseira do aparelho, uma câmera instalada próxima à orelha pode sofrer interferências dependendo do penteado, acessórios usados ou até mesmo da posição do fone.

Por isso, o sistema precisará identificar quando a entrada visual está comprometida e informar o usuário. A existência de mecanismos de detecção de obstrução também seria importante para evitar que a Siri responda com base em imagens incompletas ou incorretas.

Codinomes B790 e B798: a estratégia dupla da Apple

Um dos pontos mais intrigantes dessa história está na existência de B790 e B798.

O B790 apareceu em arquivos do iOS 27 associados a uma experiência de Visual Intelligence capaz de trabalhar com duas câmeras posicionadas na cabeça do usuário. A proximidade do código com o B788, associado aos AirPods Pro 3, ajudou a reforçar a interpretação de que se trata de uma nova geração de AirPods.

Já o B798 vinha sendo citado anteriormente em relatos sobre os AirPods equipados com câmeras. Informações atribuídas a Mark Gurman indicaram que esse projeto teria sido deslocado de 2026 para 2027, enquanto um segundo produto, identificado como B790, estaria mais avançado e apareceria no planejamento interno da Apple para este ano.

Essa diferença alimentou uma dúvida importante: B790 e B798 são dois produtos diferentes ou identificadores de diferentes fases de desenvolvimento?

Ainda não existe confirmação pública suficiente para responder definitivamente. A interpretação mais cautelosa é considerar que a Apple pode estar trabalhando em mais de uma variante ou geração de hardware, enquanto os diferentes códigos representam projetos ou estágios distintos.

O vídeo encontrado no macOS Tahoe 26.7, porém, torna a história do B790 muito mais interessante. Pela primeira vez, existe uma demonstração visual que combina com as referências de software anteriormente encontradas.

Isso não significa que todos os detalhes estejam confirmados. Nome comercial, especificações das câmeras, resolução, autonomia, preço e disponibilidade continuam desconhecidos. O vazamento mostra a direção tecnológica, mas não substitui um anúncio oficial da Apple.

O futuro dos wearables com câmera e da IA contextual

Se os AirPods com câmera chegarem ao mercado, a mudança será maior do que simplesmente adicionar sensores a um produto popular.

O conceito coloca os fones no centro de uma nova interface entre usuário, inteligência artificial e ambiente físico. O smartphone deixa de ser necessariamente o ponto de entrada para cada interação visual.

Imagine caminhar por uma cidade e perguntar à Siri qual é o edifício à sua frente. Ou olhar para um produto em uma prateleira e perguntar quais são suas características. Ou ainda visualizar uma placa, documento ou objeto e pedir uma explicação sem precisar tirar o iPhone do bolso.

Esses cenários representam a evolução da computação contextual, na qual a IA recebe informações do ambiente e consegue responder de maneira mais adequada à situação.

A tecnologia também poderá ter aplicações relevantes em acessibilidade, navegação e produtividade. A combinação entre câmera, áudio e assistente de voz cria uma interface particularmente interessante para pessoas que precisam obter informações sobre elementos visuais sem interagir constantemente com uma tela.

Mas existe um problema que a Apple terá de enfrentar com cuidado: privacidade.

Uma câmera posicionada discretamente em um fone de ouvido é muito menos evidente do que a câmera de um smartphone. Quem estiver próximo pode não saber se está sendo observado ou se o sensor está ativo. Essa questão já é apontada como um dos principais desafios para a adoção de wearables com câmeras.

A Apple provavelmente precisará deixar extremamente claro quando os sensores estão capturando informações, como esses dados são processados e quais informações deixam o dispositivo.

Esse equilíbrio será decisivo. A tecnologia pode tornar os AirPods muito mais inteligentes, mas a confiança do público dependerá de controles de privacidade tão bem resolvidos quanto a própria inteligência artificial.

O vazamento do macOS Tahoe 26.7 RC mostra, portanto, mais do que um novo acessório. Ele revela uma possível mudança de paradigma para os AirPods: de fones que reproduzem o mundo digital para dispositivos que também observam o mundo físico e o transformam em contexto para a IA.

Se a Apple conseguir resolver os desafios de bateria, privacidade, posicionamento dos sensores e precisão da Visual Intelligence, os AirPods poderão se tornar uma das peças mais interessantes da próxima geração de dispositivos de inteligência artificial.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.