AMD ROCm no Ubuntu 26.04 LTS terá atualizações via SRU

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Atualizações contínuas do ROCm tornam o Ubuntu 26.04 LTS mais competitivo para IA

A corrida pela liderança em Inteligência Artificial não depende apenas de modelos mais avançados. O software que conecta aplicações ao hardware também desempenha um papel fundamental. É nesse cenário que o AMD ROCm ganha destaque no Ubuntu 26.04 LTS, oferecendo uma plataforma cada vez mais madura para acelerar cargas de trabalho de IA, computação científica e aprendizado de máquina.

Com a chegada do Ubuntu 26.04 LTS, instalar o ecossistema ROCm tornou-se mais simples graças à integração direta com os repositórios da distribuição. No entanto, a velocidade com que a indústria de IA evolui cria um desafio para qualquer sistema de suporte de longo prazo. Novas versões do ROCm surgem frequentemente com melhorias de desempenho, suporte a hardware recente e recursos importantes para desenvolvedores.

Para resolver esse problema, a Canonical anunciou uma nova estratégia de manutenção para o ROCm no Ubuntu. Em vez de deixar os usuários presos a uma única versão durante todo o ciclo de vida da distribuição, a empresa pretende utilizar Stable Release Updates (SRUs) para entregar versões mais recentes do software, mantendo o equilíbrio entre inovação e estabilidade.

Essa mudança representa um passo importante para fortalecer a presença da AMD no ecossistema Linux e tornar o Ubuntu uma plataforma ainda mais atrativa para projetos de Inteligência Artificial.

O que muda com as atualizações estáveis do ROCm no Ubuntu

As versões LTS do Ubuntu são conhecidas pela estabilidade. Essa característica é essencial para servidores corporativos, ambientes de produção e organizações que precisam de previsibilidade durante vários anos.

Normalmente, uma versão LTS recebe correções de segurança e ajustes de estabilidade, mas evita mudanças significativas em componentes centrais. Embora essa filosofia funcione muito bem para a maioria dos cenários, ela pode se tornar uma limitação no universo da Inteligência Artificial.

O desenvolvimento de IA acontece em um ritmo extremamente acelerado. Frameworks modernos dependem constantemente de otimizações em drivers, bibliotecas matemáticas e ferramentas de aceleração por GPU. Quando essas melhorias demoram a chegar aos usuários, parte do potencial do hardware acaba sendo desperdiçada.

Para evitar esse cenário, a Canonical decidiu expandir o uso dos SRUs (Stable Release Updates) para o ecossistema ROCm. Na prática, isso permitirá que versões mais recentes sejam disponibilizadas ao longo do ciclo de vida do Ubuntu 26.04 LTS.

A iniciativa busca oferecer uma experiência mais próxima da encontrada em ambientes de desenvolvimento modernos, sem exigir que usuários recorram a repositórios externos ou atualizações completas da distribuição.

Além disso, a estratégia reduz a distância entre as versões disponibilizadas pela AMD e aquelas efetivamente utilizadas pelos desenvolvedores no Ubuntu.

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Imagem: Phoronix

O roteiro de versões: do ROCm 7.2 ao ROCm 8.0

O plano inicial envolve a atualização do pacote atualmente disponível para versões mais recentes da série ROCm 7.x.

A primeira etapa prevê a chegada do ROCm 7.2, trazendo melhorias de desempenho, correções e avanços na compatibilidade com novas gerações de hardware AMD.

Posteriormente, outras versões da linha 7.x deverão ser incorporadas conforme passarem pelos processos de validação e certificação conduzidos pela Canonical. Essa abordagem permitirá que os usuários acompanhem a evolução da plataforma sem abrir mão da estabilidade característica do Ubuntu LTS.

O objetivo de longo prazo é preparar o terreno para a chegada do ROCm 8.0, uma das atualizações mais aguardadas pela comunidade.

Essa nova geração do ROCm deverá introduzir mudanças estruturais importantes na pilha de software da AMD. Internamente, o trabalho vem sendo associado ao projeto conhecido como “The Rock”, que busca reorganizar componentes fundamentais da plataforma para melhorar escalabilidade, manutenção e desempenho.

Ao estabelecer um processo contínuo de atualização desde agora, a Canonical espera tornar a transição para o ROCm 8.0 muito mais tranquila quando a nova versão estiver pronta para adoção ampla.

Os desafios técnicos da atualização contínua

Levar versões mais novas do ROCm para uma distribuição LTS não é uma tarefa simples.

Um dos maiores desafios enfrentados pela Canonical está relacionado à ABI (Application Binary Interface), ou Interface Binária de Aplicativo.

De forma simplificada, a ABI define como programas compilados interagem com bibliotecas compartilhadas presentes no sistema operacional. Quando uma biblioteca sofre alterações incompatíveis, aplicações que dependem dela podem apresentar falhas ou até deixar de funcionar.

Esse problema se torna ainda mais sensível em ambientes de Inteligência Artificial.

Muitas ferramentas utilizadas por pesquisadores e empresas dependem diretamente das bibliotecas do ROCm. Frameworks de treinamento, bibliotecas de inferência e aplicações científicas frequentemente possuem integração profunda com o ecossistema de aceleração por GPU.

Uma atualização inadequada poderia causar incompatibilidades inesperadas após um simples apt upgrade, gerando impactos em ambientes de produção.

Por esse motivo, a Canonical está adotando uma abordagem cuidadosa para validar cada nova versão. Antes de chegar aos usuários, as atualizações passam por extensos testes de compatibilidade, regressão e estabilidade.

O objetivo é garantir que os benefícios das novas versões sejam entregues sem comprometer aplicações existentes.

Essa preocupação é um dos fatores que diferenciam a estratégia da Canonical de um simples repositório de software atualizado constantemente.

Lemonade Server e Lemonade Desktop ampliam suporte à IA

Outra novidade anunciada pela Canonical envolve os projetos Lemonade Server e Lemonade Desktop.

A iniciativa busca expandir o suporte a aceleração de Inteligência Artificial para além das GPUs tradicionais, incorporando também as novas NPUs (Neural Processing Units) da AMD.

As NPUs vêm ganhando espaço rapidamente no mercado de computadores pessoais e servidores voltados para IA. Diferentemente das GPUs, esses aceleradores foram projetados especificamente para executar tarefas relacionadas a inferência e processamento neural com maior eficiência energética.

Com o Lemonade, a Canonical pretende facilitar a integração dessas tecnologias ao Ubuntu.

Os pacotes serão distribuídos tanto por meio do sistema tradicional APT quanto através do formato Snap, permitindo diferentes modelos de implantação para usuários domésticos, desenvolvedores e ambientes corporativos.

A estratégia reflete uma tendência crescente da indústria. O futuro da computação acelerada não depende apenas de CPUs e GPUs. Cada vez mais sistemas utilizam arquiteturas híbridas que combinam diferentes tipos de processadores especializados.

Ao investir simultaneamente em GPUs Radeon, ROCm e NPUs AMD, o Ubuntu posiciona-se para acompanhar essa transformação tecnológica.

Conclusão e o futuro da computação acelerada no Ubuntu

A decisão da Canonical de fornecer versões mais recentes do AMD ROCm por meio de Stable Release Updates representa uma mudança importante para o ecossistema de Inteligência Artificial no Linux.

Em vez de permanecer limitado à versão disponível no lançamento da distribuição, o Ubuntu 26.04 LTS passará a acompanhar de forma mais próxima a evolução do software de aceleração da AMD.

A iniciativa beneficia desenvolvedores, pesquisadores, cientistas de dados e empresas que dependem de desempenho máximo em suas cargas de trabalho. Ao mesmo tempo, a Canonical mantém o foco na estabilidade, realizando testes rigorosos para minimizar riscos relacionados a compatibilidade e quebras de ABI.

Somado aos avanços representados pelos projetos Lemonade Server e Lemonade Desktop, o novo modelo de distribuição reforça a ambição da Canonical de transformar o Ubuntu em uma das principais plataformas para desenvolvimento e implantação de Inteligência Artificial de código aberto.

Para a comunidade Linux, a mensagem é clara: o futuro da IA no Ubuntu será mais atualizado, mais acessível e cada vez mais preparado para aproveitar todo o potencial do hardware AMD.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.