Android 17 Beta 1 acaba com apps estirados e prepara o Aluminium OS

Android 17 Beta 1 redefine as telas grandes e abre caminho para o futuro unificado do Aluminium OS.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Android 17 Beta 1 marca o início de uma nova fase para o ecossistema do Android, deixando claro que a era dos aplicativos “estirados” em telas grandes está com os dias contados. A nova versão não traz apenas ajustes pontuais, ela redefine regras fundamentais para desenvolvedores e sinaliza um movimento estratégico da Google rumo à unificação de plataformas, preparando terreno para o aguardado Aluminium OS, sucessor do ChromeOS.

O recado é direto: tablets, dobráveis e dispositivos híbridos não são mais acessórios no ecossistema, eles são prioridade. E com isso, acaba a principal desculpa usada por muitos desenvolvedores para ignorar a otimização de apps para telas maiores.

O fim dos apps “estirados”: o que muda no Android 17 Beta 1

Com o Android 17 Beta 1, a Google remove a possibilidade de desenvolvedores desativarem as restrições de orientação e redimensionamento em dispositivos com largura mínima superior a 600 dp, o famoso parâmetro sw > 600dp, usado para caracterizar telas grandes.

Na prática, isso significa que aplicativos não poderão mais forçar exibição fixa em modo retrato ou simplesmente ocupar a tela inteira de forma desproporcional em tablets e dobráveis. O sistema agora exige suporte adequado a redimensionamento e múltiplas proporções.

Essa mudança impacta diretamente apps que até então optavam por bloquear rotação ou evitar layouts responsivos. O sistema passa a impor um comportamento adaptativo, incentivando layouts que aproveitam melhor o espaço disponível.

Trata-se de uma decisão estrutural. Em vez de depender apenas de boas práticas recomendadas, o Android 17 Beta 1 transforma a otimização para telas grandes em requisito técnico.

Android 17
Imagem: Android Police

Impacto em dobráveis e tablets no Android 17 Beta 1

Para quem utiliza dobráveis ou tablets, o ganho é imediato. A experiência deixa de ser uma versão ampliada de um app de celular e passa a se aproximar de um ambiente realmente produtivo.

Em dispositivos dobráveis, especialmente quando abertos, a mudança evita que aplicativos fiquem centralizados com barras pretas ou proporções estranhas. O conteúdo passa a se ajustar dinamicamente, respeitando o formato expandido.

Nos tablets, o efeito é ainda mais evidente. Aplicativos poderão exibir painéis laterais, menus contextuais e áreas de trabalho mais amplas de forma nativa. Isso aproxima o uso do que já vemos em desktops e sistemas como o macOS, reforçando a ideia de convergência.

Para desenvolvedores, o desafio é claro. Será necessário revisar layouts, adotar componentes responsivos e testar aplicações em diferentes formatos de tela. Em contrapartida, o ecossistema se fortalece, e a qualidade geral dos aplicativos tende a subir.

Aluminium OS: o verdadeiro motivo por trás das mudanças no Android 17 Beta 1

Por trás dessas alterações técnicas está uma estratégia maior. O Aluminium OS, apontado como sucessor do ChromeOS, surge como peça central da visão de longo prazo da Google.

O ChromeOS já vinha se aproximando do Android, especialmente com suporte a aplicativos móveis e integração com o ecossistema da empresa. Agora, o movimento parece inverso: o Android 17 Beta 1 começa a assumir características mais robustas, típicas de um sistema operacional de produtividade.

Ao exigir suporte real a telas grandes, a Google está preparando o terreno para um sistema unificado que funcione tanto em dispositivos móveis quanto em laptops e híbridos. O Aluminium OS pode representar essa fusão definitiva, combinando a base Linux com a flexibilidade do Android e recursos avançados de janelas, multitarefa e gerenciamento de aplicativos.

Esse movimento posiciona a empresa de forma mais competitiva frente ao macOS e ao Windows, especialmente em dispositivos ARM. A consolidação de um único ecossistema simplifica desenvolvimento, reduz fragmentação e amplia a base de usuários para aplicativos otimizados.

Em outras palavras, o que parece ser apenas uma exigência técnica no Android 17 Beta 1 pode, na verdade, ser o primeiro passo concreto rumo a uma nova geração de dispositivos híbridos baseados em Linux.

Outras novidades do Android 17 Beta 1 e o novo canal Canary

Além das mudanças estruturais para telas grandes, o Android 17 Beta 1 também traz ajustes visuais e estratégicos no ciclo de testes.

O Pixel Launcher apresenta refinamentos sutis na organização de widgets e menus, com foco em maior clareza visual e adaptação a diferentes densidades de tela. Alguns menus passam a adotar layouts mais compactos, favorecendo multitarefa em janelas redimensionáveis.

Outra novidade relevante é a introdução de um novo canal Canary para testes. Inspirado no modelo já utilizado no Chrome, o canal Canary permite que desenvolvedores e entusiastas experimentem recursos extremamente preliminares, antes mesmo de chegarem às versões Beta tradicionais.

Essa divisão cria uma dinâmica mais ágil de desenvolvimento. Recursos experimentais podem ser testados rapidamente, enquanto a versão Beta mantém maior estabilidade para o público geral.

Para quem acompanha o ecossistema de perto, o canal Canary é um indicativo de que a Google quer acelerar inovação, especialmente em áreas relacionadas a desktop mode, janelas flutuantes e produtividade em telas grandes.

Conclusão: o futuro do Android além do celular

O Android 17 Beta 1 não é apenas mais uma atualização anual. Ele representa uma mudança de postura. Ao impor suporte adequado a redimensionamento e telas grandes, a Google redefine o padrão mínimo de qualidade para aplicativos no ecossistema.

Essa decisão fortalece tablets e dobráveis, melhora a experiência do usuário e prepara o caminho para o Aluminium OS, que pode consolidar a unificação entre dispositivos móveis e computadores.

Para entusiastas de tecnologia e desenvolvedores, o momento é empolgante. Estamos assistindo à transformação do Android em algo maior do que um sistema para smartphones. Ele caminha para se tornar a base de uma nova geração de dispositivos híbridos e produtivos.

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