O dia que muitos usuários temiam parece estar cada vez mais próximo, os anúncios no WhatsApp deixaram de ser apenas um rumor distante e começam a ganhar forma concreta dentro do aplicativo. A mais recente versão beta do mensageiro revela que a Meta está preparando um novo modelo de monetização, que pode mudar de forma definitiva a experiência de quem usa o app diariamente no Brasil e no mundo.
A descoberta foi feita a partir da análise do WhatsApp Beta 2.26.3.9, que trouxe novas linhas de código e strings de texto sugerindo uma assinatura do WhatsApp voltada especificamente para quem deseja remover publicidade. Na prática, isso indica que o aplicativo caminha para um modelo híbrido, gratuito com anúncios para a maioria e pago para usuários que não querem esse tipo de interrupção.
Esse movimento não surge do nada. Ele faz parte de uma estratégia mais ampla da Meta, que já testa abordagens semelhantes no Facebook e no Instagram, especialmente em mercados onde a pressão regulatória sobre privacidade e uso de dados é maior.
Entenda o que foi descoberto na versão beta
A análise do código da versão 2.26.3.9 do WhatsApp Beta revelou strings bastante diretas, mencionando explicitamente a possibilidade de uma assinatura para remover anúncios. Os textos encontrados indicam que usuários poderão optar por um plano pago para ter uma experiência sem publicidade, algo inédito na história do mensageiro.
Essas referências internas não aparecem por acaso. Normalmente, quando o WhatsApp adiciona esse tipo de string ao código, significa que a funcionalidade já está em estágio avançado de planejamento ou testes internos. Ainda não há confirmação oficial nem valores definidos, mas o conceito do serviço já está claramente delineado.
Outro ponto relevante é que as strings fazem menção clara a anúncios, reforçando que a Meta vê a publicidade no WhatsApp como um pilar estratégico de receita no futuro. A assinatura surge, portanto, como uma alternativa para quem prefere pagar em vez de aceitar a exibição de anúncios.

Onde os anúncios devem aparecer
Segundo o que foi identificado no código, os anúncios no WhatsApp não devem atingir as conversas privadas entre usuários, pelo menos neste primeiro momento. O foco inicial está em duas áreas específicas do aplicativo, os Status e os Canais.
Nos Status, o formato deve ser semelhante ao que já existe no Instagram Stories, com anúncios intercalados entre as postagens de contatos. Já nos Canais, a publicidade pode aparecer como conteúdos promovidos, sugerindo marcas, empresas ou criadores que pagaram para ampliar seu alcance.
A Meta parece consciente de que inserir anúncios dentro das conversas privadas seria uma linha delicada demais, especialmente considerando o discurso histórico do WhatsApp sobre privacidade e criptografia de ponta a ponta. Ainda assim, o simples fato de haver publicidade no aplicativo já representa uma mudança significativa de filosofia.
O modelo “pay or consent” da Meta
O que está sendo desenhado para o WhatsApp segue um modelo que a Meta já colocou em prática na Europa, conhecido como “pay or consent”. Nesse formato, o usuário tem duas opções claras, aceitar a coleta de dados e a exibição de anúncios ou pagar uma assinatura para ter uma experiência mais limpa e com maior controle sobre a privacidade.
Esse modelo surgiu como resposta direta à pressão de reguladores europeus, que exigem mais transparência e opções reais de consentimento. A solução encontrada pela Meta foi transformar a privacidade em um diferencial pago, algo que muitos críticos consideram controverso.
No contexto brasileiro, a reação pode ser mista. Por um lado, há usuários dispostos a pagar por conveniência e menos anúncios. Por outro, o WhatsApp sempre foi visto como um serviço essencial, gratuito e quase universal, o que torna a ideia de uma assinatura do WhatsApp algo sensível.
Além disso, a chegada do chamado WhatsApp Premium pode reacender debates sobre desigualdade digital, já que uma parte da população pode acabar restrita à versão com anúncios, enquanto outra desfruta de uma experiência sem interrupções.
Conclusão: o impacto para usuários brasileiros
Tudo indica que o WhatsApp gratuito, como conhecemos hoje, está evoluindo para um modelo híbrido. A introdução de anúncios no WhatsApp, combinada com uma opção de assinatura paga, mostra que a Meta está disposta a monetizar sua maior plataforma de mensagens de forma mais agressiva.
Para o usuário, isso significa escolhas. Aceitar a publicidade no WhatsApp como parte do uso gratuito, pagar por uma experiência sem anúncios ou até mesmo considerar alternativas como Telegram ou Signal, que reforçam o discurso de privacidade e menor dependência de anúncios.
A grande questão é como o público brasileiro vai reagir. Você pagaria por uma assinatura para não ver anúncios no WhatsApp ou migraria para outro aplicativo? Esse movimento pode redefinir não apenas o futuro do WhatsApp, mas também o equilíbrio entre privacidade, conveniência e custo nos aplicativos de comunicação.
