Ataque DDoS recorde de 31,4 Tbps expõe risco em Android TVs

O maior ataque DDoS já registrado mostra como dispositivos domésticos podem virar armas digitais.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

O mundo da cibersegurança acaba de testemunhar um marco preocupante: um ataque DDoS recorde que atingiu impressionantes 31,4 terabits por segundo (Tbps). Mesmo tendo durado apenas 35 segundos, o volume foi suficiente para entrar para a história como um dos maiores já registrados, reforçando o crescimento acelerado dos ataques hipervolumétricos.

Por trás desse evento está a botnet AISURU, também associada ao malware Kimwolf, uma infraestrutura altamente sofisticada que transformou milhões de dispositivos conectados em armas digitais. Dados divulgados pela Cloudflare revelam não apenas a magnitude do ataque, mas também uma tendência clara: a internet está se tornando um campo cada vez mais hostil.

Como resposta, a Google liderou uma ação decisiva para desmantelar a rede proxy IPIDEA, um dos pilares dessa operação criminosa. O episódio serve como alerta urgente sobre os riscos da segurança Android e o perigo silencioso que pode estar dentro das casas dos próprios utilizadores.

O crescimento dessas campanhas em 2025 e 2026 mostra que ataques massivos deixaram de ser exceção e passaram a representar uma ameaça estrutural para empresas, governos e utilizadores comuns.

O que é a botnet AISURU/Kimwolf e como ela opera

A botnet AISURU, impulsionada pelo malware Kimwolf, é uma rede de dispositivos comprometidos controlados remotamente por operadores maliciosos. Seu objetivo principal é gerar tráfego massivo para derrubar serviços online, caracterizando o que especialistas classificam como o maior ataque DDoS já observado em termos de volume instantâneo.

A infraestrutura dependia fortemente da IPIDEA, uma rede de proxies que mascarava a origem das conexões e dificultava a identificação dos responsáveis. Esse tipo de arquitetura permite que criminosos distribuam o tráfego entre milhares, ou até milhões, de IPs diferentes.

O resultado é devastador: sistemas tradicionais de mitigação simplesmente não conseguem reagir com rapidez suficiente quando a enxurrada de dados atinge dezenas de terabits por segundo.

Ataque DDoS
Imagem: Cloudflare

O perigo das Android TVs de marcas desconhecidas

Um dos aspectos mais alarmantes deste ataque DDoS recorde foi a origem dos dispositivos utilizados. Grande parte da botnet era composta por Android TVs de baixo custo, muitas vezes vendidas sem certificações de segurança ou suporte adequado a atualizações.

Esses aparelhos frequentemente chegam ao consumidor com firmware desatualizado, credenciais padrão, falhas conhecidas não corrigidas e lojas de apps paralelas com software malicioso.

Depois de infectados, passam a agir como verdadeiros “zumbis digitais”, participando de ataques sem qualquer sinal visível para o dono.

Para o utilizador comum, a TV continua funcionando normalmente, enquanto, nos bastidores, contribui para derrubar serviços ao redor do mundo.

Números alarmantes: o relatório da Cloudflare sobre o ataque DDoS recorde

Segundo a Cloudflare, o cenário atual indica uma escalada agressiva. O relatório mais recente aponta um aumento de 121% nos grandes ataques DDoS em comparação com o período anterior.

O ataque de 31,4 Tbps não foi um caso isolado, mas parte de uma onda crescente de ofensivas automatizadas, mais rápidas e mais difíceis de conter.

Outro dado que chama atenção é a posição do Brasil, que aparece com frequência entre os principais alvos globais. Isso acontece por diversos fatores como ampla base de utilizadores conectados, digitalização acelerada de serviços, infraestruturas ainda em amadurecimento e alto consumo de dispositivos IoT.

Para empresas brasileiras, isso significa que investir em mitigação deixou de ser opcional.

Para utilizadores, o alerta é igualmente sério: qualquer dispositivo vulnerável pode ser recrutado.

A contra-ofensiva: Google e o desmantelamento da rede proxy

Diante da gravidade do ataque DDoS recorde, a Google iniciou uma ofensiva jurídica e técnica para derrubar os domínios ligados à IPIDEA.

A operação envolveu a identificação da infraestrutura criminosa, ações legais contra operadores, bloqueio de domínios e a interrupção de serviços proxy utilizados pela botnet.

Esse tipo de resposta mostra uma mudança importante na indústria: grandes empresas de tecnologia estão adotando uma postura mais ativa contra ameaças globais.

Ainda assim, especialistas alertam que derrubar uma botnet raramente significa eliminá-la por completo. Operadores costumam reconstruir suas redes rapidamente usando novos servidores e variantes de malware.

Em outras palavras, a batalha é contínua.

Como se proteger de botnets IoT e evitar o próximo ataque DDoS recorde

Embora pareça um problema distante, a proteção começa dentro de casa. Melhorar a segurança Android e dos dispositivos conectados reduz significativamente o poder dessas redes.

Especialistas recomendam algumas práticas essenciais.

  • Evite dispositivos extremamente baratos ou de procedência duvidosa. O baixo custo muitas vezes reflete ausência de suporte de segurança.
  • Mantenha o sistema sempre atualizado. Atualizações corrigem vulnerabilidades exploradas por malware.
  • Nunca instale apps piratas ou fora das lojas oficiais. Eles são um dos principais vetores de infecção.
  • Troque senhas padrão imediatamente. Credenciais fáceis são as primeiras tentativas dos atacantes.
  • Desative serviços que você não usa, como acesso remoto.
  • Use redes Wi-Fi protegidas com criptografia forte.

Pequenas atitudes podem impedir que seu aparelho seja transformado em parte do próximo maior ataque DDoS.

Conclusão e o futuro da cibersegurança

O episódio do ataque DDoS recorde deixa uma mensagem clara: a escala das ameaças digitais está entrando em um novo patamar.

Defesas baseadas apenas em hardware local já não são suficientes. O futuro aponta para proteções automatizadas, inteligência artificial aplicada à mitigação e infraestrutura cada vez mais apoiada na nuvem.

Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade dos consumidores. Cada dispositivo inseguro conectado à internet amplia o poder dessas redes maliciosas.

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