Atualizações críticas de segurança no Zoom e GitLab exigem ação imediata

Falhas graves no Zoom e no GitLab colocam empresas em risco e exigem atualização imediata.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Falhas críticas de execução remota de código (RCE) estão entre as ameaças mais perigosas da atualidade, pois permitem que atacantes assumam o controle completo de servidores e sistemas corporativos. Quando esse tipo de vulnerabilidade atinge ferramentas amplamente utilizadas em ambientes profissionais, como Zoom e GitLab, o risco deixa de ser pontual e passa a comprometer redes inteiras, fluxos de trabalho e dados sensíveis.

Nos alertas mais recentes, o Zoom corrigiu uma vulnerabilidade com pontuação CVSS 9.9, próxima do nível máximo de severidade, enquanto o GitLab solucionou falhas que permitem bypass de 2FA e ataques de negação de serviço (DoS). Esses problemas afetam diretamente plataformas de comunicação e desenvolvimento, dois pilares essenciais da infraestrutura corporativa moderna.

Diante desse cenário, a atualização imediata não é opcional. A permanência em versões vulneráveis expõe empresas a invasões, interrupções operacionais e possíveis incidentes de segurança com alto impacto financeiro e reputacional.

Gravidade máxima: A vulnerabilidade RCE no Zoom Node

O caso mais crítico envolve a CVE-2026-22844, falha corrigida pelo Zoom e classificada com CVSS 9.9. A vulnerabilidade afeta o Zoom Node, também conhecido como MMR (Meeting Media Router), componente responsável por gerenciar o tráfego de áudio, vídeo e dados das reuniões.

O Zoom Node é amplamente utilizado em ambientes corporativos, especialmente em implantações híbridas ou locais, onde o controle sobre o fluxo de mídia é essencial. Por operar no núcleo da comunicação, qualquer falha nesse componente representa um risco elevado para toda a infraestrutura conectada.

De acordo com a análise técnica, um participante de reunião poderia explorar a vulnerabilidade para executar comandos arbitrários no sistema afetado. Esse cenário caracteriza uma falha de RCE, permitindo que um invasor execute código remotamente, instale softwares maliciosos, movimente-se lateralmente na rede ou comprometa outros serviços internos.

O impacto é agravado pelo fato de o ataque poder ser iniciado a partir de uma sessão legítima, o que dificulta a detecção imediata por mecanismos tradicionais de segurança.

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Imagem: TheHackerNews

Versões afetadas e correção

As versões vulneráveis incluem implementações específicas do Zoom Meeting Hub (ZMH) e do MC MMR, utilizadas principalmente por organizações de médio e grande porte. O fornecedor confirmou que o problema foi corrigido por meio de atualizações que reforçam a validação de entradas e eliminam a possibilidade de execução não autorizada de comandos.

Administradores que utilizam Zoom Node devem verificar imediatamente as versões em produção e aplicar as correções disponibilizadas. Manter componentes de comunicação desatualizados amplia significativamente a superfície de ataque da rede corporativa.

GitLab: Riscos de negação de serviço e falhas de autenticação

O GitLab, nas edições CE (Community Edition) e EE (Enterprise Edition), também recebeu atualizações críticas para corrigir múltiplas vulnerabilidades. Diferentemente do caso do Zoom, os problemas aqui envolvem tanto a integridade da autenticação quanto a disponibilidade do serviço.

Como o GitLab concentra código-fonte, pipelines de CI/CD, chaves de acesso e informações estratégicas, qualquer exploração bem-sucedida pode gerar efeitos em cadeia, afetando aplicações em produção e a segurança da cadeia de suprimentos de software.

Evasão de autenticação de dois fatores (CVE-2026-0723)

A vulnerabilidade CVE-2026-0723 está relacionada à autenticação de dois fatores (2FA). Em determinadas condições, um invasor poderia contornar a etapa adicional de verificação, reduzindo a eficácia do mecanismo de proteção e permitindo acesso não autorizado a contas protegidas.

Esse tipo de falha é especialmente sensível porque o 2FA é amplamente adotado como camada essencial de defesa contra o uso indevido de credenciais comprometidas. Quando essa barreira é enfraquecida, o risco de acesso indevido a repositórios privados e recursos críticos aumenta consideravelmente.

Em ambientes corporativos, isso pode resultar na alteração de código, inserção de backdoors e comprometimento de pipelines automatizados de entrega.

Ataques de negação de serviço (DoS)

Além da falha de autenticação, o GitLab corrigiu vulnerabilidades que possibilitam ataques de negação de serviço (DoS), incluindo a CVE-2025-13927 e outros problemas relacionados ao processamento de dados malformados.

Essas falhas permitem que atacantes enviem requisições especialmente construídas, explorando deficiências na validação de entradas e causando consumo excessivo de recursos. O efeito prático pode ser a indisponibilidade parcial ou total da plataforma, interrompendo atividades de desenvolvimento e operações críticas.

Para organizações que dependem do GitLab como ferramenta central de versionamento e automação, um ataque de DoS pode gerar atrasos significativos, prejuízos operacionais e impacto direto na entrega de produtos e serviços.

Como proteger seu ambiente e conclusão

Os incidentes recentes envolvendo Zoom e GitLab reforçam a importância de tratar ferramentas de comunicação e desenvolvimento como componentes críticos de segurança. Essas plataformas não são apenas auxiliares do negócio, mas parte fundamental da infraestrutura corporativa.

Manter sistemas atualizados reduz drasticamente o risco de exploração de falhas conhecidas, como RCE, DoS e problemas de 2FA. Nesse contexto, atrasar a aplicação de correções significa aceitar riscos elevados e desnecessários.

A recomendação é direta. Verifique agora mesmo as versões em uso, aplique as atualizações de segurança disponibilizadas e revise seus processos internos de monitoramento e resposta a incidentes. Compartilhar esse alerta com equipes de infraestrutura, desenvolvimento e segurança é um passo essencial para reduzir a exposição e fortalecer a postura defensiva da organização.

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