Ligar um smartphone novo deveria ser uma experiência empolgante. Mas, para muita gente, a primeira sensação é outra: encontrar uma lista de aplicativos que nunca pediu. O bloatware Samsung já é um tema recorrente entre usuários da marca e, agora, uma nova parceria promete reacender essa discussão.
A Samsung anunciou uma colaboração estratégica com a Amazon para levar o Amazon Music pré-instalado em milhões de dispositivos Galaxy ao redor do mundo. Em troca, os consumidores recebem uma oferta promocional que inclui meses gratuitos do serviço de streaming. Parece um bom negócio à primeira vista, mas também reforça uma prática que muitos usuários gostariam de ver desaparecer.
A iniciativa levanta uma questão importante: até que ponto uma promoção justifica ocupar espaço, recursos do sistema e a tela inicial do aparelho com um aplicativo que talvez nunca seja utilizado? Neste artigo, vamos entender o que muda com essa parceria, quais aparelhos serão afetados e o que você pode fazer caso prefira manter seu smartphone o mais limpo possível.
O que está acontecendo com a Samsung e a Amazon?
A Samsung confirmou uma nova parceria global com a Amazon para ampliar a distribuição do Amazon Music dentro do ecossistema Galaxy. Na prática, o aplicativo passará a chegar pré-instalado em diversos smartphones e tablets selecionados vendidos em vários mercados.
A estratégia não é exatamente novidade na indústria. Fabricantes de smartphones frequentemente fecham acordos comerciais com empresas de software para aumentar a visibilidade de determinados serviços. Em troca, recebem incentivos financeiros, fortalecem parcerias comerciais ou agregam ofertas promocionais aos novos aparelhos.
Do ponto de vista do marketing, a iniciativa faz sentido. Do ponto de vista do consumidor, porém, ela pode significar apenas mais um aplicativo ocupando espaço antes mesmo do primeiro uso do dispositivo.

Quais dispositivos serão afetados?
Segundo o anúncio da parceria, milhões de aparelhos Galaxy selecionados passarão a incluir o aplicativo instalado de fábrica.
Embora a empresa não tenha divulgado uma lista completa, a expectativa é que modelos premium e outros dispositivos vendidos globalmente façam parte da iniciativa, incluindo smartphones da linha Galaxy e determinados tablets.
Dependendo da região, a disponibilidade da promoção poderá variar, mas o aplicativo tende a acompanhar o software original dos dispositivos participantes.
O lado positivo (para quem quer usar)
Nem tudo é negativo na parceria.
Quem adquirir um aparelho elegível poderá resgatar, por meio da Galaxy Store, uma oferta de três meses gratuitos do Amazon Music Unlimited.
O serviço oferece acesso a mais de 100 milhões de músicas, suporte a áudio espacial, qualidade em HD e ainda inclui um audiolivro da Audible durante o período promocional.
Após o término da oferta, entretanto, a assinatura passa a ser cobrada automaticamente caso o usuário não realize o cancelamento. O valor gira em torno de US$ 12,99 por mês, podendo variar conforme o país e a moeda local.
Para quem já pretendia assinar o serviço, trata-se de um benefício interessante. Já para quem utiliza Spotify, YouTube Music, Apple Music ou simplesmente não deseja outro aplicativo de streaming, a novidade perde boa parte do apelo.
O problema do bloatware Samsung
É aqui que começa a principal discussão.
O chamado bloatware consiste em aplicativos instalados previamente pelo fabricante ou por parceiros comerciais, muitas vezes sem qualquer solicitação do usuário.
No ecossistema Android, essa prática existe há muitos anos e continua sendo alvo de críticas. O motivo é simples: muitos consumidores desejam liberdade para decidir quais aplicativos realmente querem instalar.
Além do espaço ocupado, aplicativos pré-instalados na Samsung podem consumir armazenamento, aparecer constantemente nas pesquisas do sistema, gerar notificações e, em alguns casos, permanecer ativos em segundo plano.
Outro ponto importante é que nem sempre esses aplicativos podem ser removidos completamente.
Em alguns modelos Galaxy, o usuário consegue desinstalar o aplicativo normalmente. Em outros, resta apenas a opção de desativar, impedindo sua execução, mas mantendo arquivos e componentes internos no sistema.
Isso gera uma sensação de perda de controle sobre um aparelho que, afinal, foi comprado pelo próprio consumidor.
A questão fica ainda mais delicada quando lembramos que muitos smartphones atuais já vêm carregados com aplicativos do Google, da Samsung e de outras empresas parceiras. A cada novo acordo comercial, cresce a impressão de que o espaço do usuário se transforma em uma vitrine publicitária.
Como se livrar de aplicativos pré-instalados desnecessários
Se você não pretende utilizar o Amazon Music ou qualquer outro aplicativo instalado de fábrica, existem algumas alternativas.
A primeira delas é verificar se o aplicativo pode ser desinstalado normalmente.
Basta acessar:
Configurações > Aplicativos > Amazon Music > Desinstalar
Caso a opção não esteja disponível, normalmente será possível selecionar Desativar, impedindo que o aplicativo continue funcionando ou apareça entre os apps ativos.
Quem deseja um sistema ainda mais limpo pode recorrer a métodos avançados.
Usuários com conhecimentos técnicos costumam utilizar comandos do ADB (Android Debug Bridge) para remover apps nativos Samsung sem necessidade de desbloquear o aparelho ou obter acesso root.
Esse procedimento exige um computador, a ativação das opções de desenvolvedor e certa familiaridade com linhas de comando. Embora seja relativamente seguro quando executado corretamente, apagar componentes importantes do sistema pode causar instabilidades. Por isso, recomenda-se cautela e pesquisa antes de remover qualquer aplicativo essencial.
Para a maioria das pessoas, simplesmente desativar o aplicativo já elimina praticamente todos os incômodos do uso diário.
Conclusão e reflexões sobre a liberdade do consumidor
A parceria entre Samsung e Amazon certamente possui seu lado positivo. Receber meses gratuitos de um serviço premium pode agradar muitos consumidores, especialmente aqueles interessados em experimentar um novo streaming de música.
O problema é que esse benefício vem acompanhado de uma prática que há anos incomoda parte da comunidade Android: o crescimento constante do bloatware no Galaxy.
Cada novo aplicativo instalado sem autorização reduz um pouco da liberdade que tornou o Android tão popular. Afinal, um smartphone moderno deveria permitir que seu dono escolhesse exatamente quais aplicativos deseja manter — e não o contrário.
Talvez a solução ideal fosse simples: oferecer o benefício promocional durante a configuração inicial do aparelho, permitindo ao usuário decidir se deseja instalar o aplicativo ou não.
Enquanto isso não acontece, resta recorrer às opções de desinstalação, desativação ou às ferramentas avançadas disponíveis para quem prefere um sistema realmente limpo.
