Budgie desktop 10.10 e o roteiro para o Budgie 11: o que muda no desktop linux

A evolução do desktop Linux: estabilidade no presente e inovação total no futuro!

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • O Budgie Desktop 10.10 resolveu a visibilidade de notificações sobre apps em tela cheia movendo OSDs para a camada Overlay.
  • A arquitetura do Budgie Desktop 11 introduz o KConfig XT, garantindo configurações de painel rápidas, seguras e em tempo real.
  • Melhorias na ponte labwc do Budgie Desktop garantem que atalhos de teclado e gestos de touchpad funcionem perfeitamente no Wayland.
  • O Budgie Desktop implementou um workaround inteligente para corrigir cursores invertidos em máquinas virtuais QEMU com aceleração 3D.
  • O roadmap do Budgie Desktop 11 foca no novo shell e no compositor Magpie, reduzindo a dependência de bibliotecas legadas do GNOME.

O Budgie Desktop é um ambiente de trabalho que equilibra a estética moderna com o paradigma tradicional de desktop (menu, barra de tarefas e central de notificações). Originalmente o carro-chefe da distribuição Solus, ele hoje é um projeto independente que busca oferecer uma experiência fluida para quem deseja personalização sem a complexidade excessiva de outros ambientes. Atualmente, o projeto vive um momento de transição: enquanto refina a série 10.10 para garantir estabilidade no protocolo Wayland, a equipe pavimenta o caminho para o Budgie 11, uma reescrita arquitetural profunda focada em modernização e segurança.

Principais novidades da série 10.10

As atualizações recentes focam na “polidez” da experiência do usuário, resolvendo problemas que, embora pequenos, impactavam a fluidez do dia a dia.

Correção de visibilidade em tela cheia (OSD)

Um problema comum era a invisibilidade das barras de volume e brilho (OSDs) ao usar aplicativos em tela cheia (jogos ou vídeos). Isso ocorria porque esses elementos ocupavam a camada Top do protocolo wlr-layer-shell, a mesma dos apps em fullscreen. A solução foi mover os OSDs para a camada Overlay, garantindo que eles sejam renderizados acima de qualquer conteúdo.

Refinamentos na barra de tarefas (Icon Task List)

A lógica de interação com grupos de janelas foi corrigida. Agora, ao clicar em um grupo de aplicativos ativos, todas as janelas são minimizadas; se o grupo estiver inativo, todas são restauradas. Além disso, foi corrigido um erro de inversão no comportamento do clique do meio do mouse, que agora respeita corretamente a configuração de abrir novas instâncias de um app.

Ponte com o compositor labwc

Para usuários que utilizam o labwc (um compositor Wayland), a integração foi aprimorada para que as alterações feitas no Budgie Control Center (como atalhos de teclado) sejam refletidas instantaneamente. Houve também um ajuste na tecla “Super_L” (a tecla Windows), garantindo que ela abra o menu do Budgie conforme o esperado, em vez de seguir o comportamento padrão do GNOME.

O roteiro para o Budgie 11 (Preview 1)

YouTube video

O Budgie 11 representa o futuro do ambiente, e a equipe detalhou o que estará presente no primeiro “Preview” público. O foco não é apenas visual, mas uma mudança na infraestrutura de software.

Budgie-shell e Magpie

O novo shell trará suporte nativo a múltiplos painéis com diferentes âncoras e posições na tela. O gerenciador de janelas, Magpie, está recebendo suporte para “meta-ações”, que facilitam o gerenciamento de janelas (Alt+Tab) e o sistema de janelas lado a lado (tiling).

O que virá no Preview 1:

  • Extensões do Painel: Menu Budgie, lista de tarefas, indicadores de status (bateria e volume), bandeja do sistema e relógio.
  • Central Raven: Controle de volume por aplicativo e exibição de notificações (embora ainda não persistentes).
  • Configuração via KConfig XT: Uma mudança técnica importante onde as configurações do painel passam a ser declarativas. Isso permite que o sistema detecte mudanças no arquivo de configuração em tempo real e as aplique sem a necessidade de reiniciar o ambiente.

Impacto e repercussão técnica

A decisão de criar uma nova classe Path na biblioteca principal (libBudgieShell) demonstra uma preocupação crescente com segurança. Essa classe centraliza a construção de caminhos de arquivos, protegendo o sistema contra ataques de “traessia de diretório” (directory traversal) e links simbólicos maliciosos que poderiam comprometer os perfis de usuário.

Outro ponto que merece destaque é o “workaround” implementado para o QEMU e gnome-boxes. Usuários relataram que o cursor do mouse aparecia invertido em máquinas virtuais com aceleração 3D ativada. A equipe do Budgie implementou uma detecção automática do driver virgl para desativar os cursores de hardware (WLR_NO_HARDWARE_CURSORS), resolvendo o problema visual de forma imediata enquanto aguarda uma correção definitiva no código do QEMU.

Resumo técnico

  • Camadas de Desktop: O Budgie Desktop View agora utiliza a camada BOTTOM, o que torna as transições de papel de parede muito mais limpas, sem a necessidade de reiniciar os ícones da área de trabalho.
  • Arquitetura de Painéis: Cada painel no Budgie 11 terá seu próprio UUID e será armazenado em uma estrutura de diretórios baseada em perfis (~/.config/budgie-desktop/shell/profiles/).
  • Sincronização de Periféricos: A integração com o Wayland agora sincroniza automaticamente o método de rolagem do touchpad diretamente das configurações do sistema.
  • Funcionalidades Pendentes: Melhorias como caminhos de salvamento personalizados para capturas de tela e integração com o Crystal Dock ainda estão em fase de revisão.

Disponibilidade

As melhorias do Budgie 10.10 já estão chegando às distribuições de lançamento contínuo (rolling release), como Solus e Arch Linux. Para o Budgie 11, não há uma data oficial de lançamento para o “Preview 1”, visto que a equipe está priorizando a estabilidade da nova arquitetura antes de disponibilizá-la para o público geral. Usuários interessados podem acompanhar o progresso através dos quadros de desenvolvimento públicos do projeto.

Compartilhe este artigo