Campanha com XMRig usa driver vulnerável e IA

Um software pirata pode estar transformando seu computador em uma máquina de mineração clandestina, com técnicas avançadas que exploram o kernel e evitam detecção.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Um simples software pirata pode ser suficiente para transformar seu computador em uma máquina de mineração clandestina. Essa é a base de uma nova campanha de mineração ilegal com XMRig, que combina técnicas avançadas como BYOVD, exploração de falhas no kernel, uso de bomba lógica e propagação com comportamento de worm.

A ameaça, identificada por pesquisadores de segurança, mostra como o cenário de segurança digital em 2026 está mais sofisticado e perigoso. Não se trata apenas de um malware comum, mas de uma operação estruturada que busca maximizar o hashrate das vítimas enquanto evita mecanismos tradicionais de detecção.

Para entusiastas de Linux, profissionais de TI e administradores de sistemas, o alerta é claro, o cryptojacking evoluiu.

O perigo mora no software gratuito: o vetor de infecção

A porta de entrada dessa campanha é previsível, mas continua eficaz. Pacotes piratas de suítes de escritório e programas populares estão sendo distribuídos com código malicioso embutido.

Ao executar o instalador adulterado, o usuário ativa um dropper responsável por baixar e configurar o minerador baseado em XMRig. O processo ocorre em segundo plano, sem sinais claros de comprometimento imediato. O que parece economia pode resultar em perda total de controle sobre o sistema.

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Engenharia social e o dropper modular

Os criminosos utilizam engenharia social para dar aparência legítima aos instaladores. Interfaces idênticas às originais, assinaturas falsas e instruções detalhadas ajudam a reduzir suspeitas.

Após a execução, o dropper modular:

  • Verifica se o ambiente é virtualizado ou sandbox.
  • Desativa proteções básicas do sistema.
  • Faz download de módulos adicionais.
  • Inicia o escalonamento de privilégios.

Esse modelo modular permite que os atacantes atualizem o malware de mineração de forma dinâmica, alterando componentes conforme necessário para evitar detecção.

Técnica BYOVD e a exploração do kernel

O diferencial técnico mais preocupante é o uso da técnica BYOVD, sigla para Bring Your Own Vulnerable Driver.

Em vez de explorar uma falha desconhecida, os atacantes instalam deliberadamente um driver legítimo, porém vulnerável, como o WinRing0x64.sys. Isso permite acesso privilegiado ao kernel, contornando mecanismos de proteção do sistema operacional.

Como a vulnerabilidade aumenta o poder de mineração

O driver explorado contém a falha CVE-2020-14979, que possibilita acesso a registradores sensíveis da CPU.

Com isso, o malware consegue:

  • Ajustar parâmetros internos do processador.
  • Reduzir limitações impostas pelo sistema.
  • Otimizar o uso de recursos.

O resultado pode ser um aumento de até 50% no hashrate, ampliando significativamente o retorno financeiro dos criminosos. Para a vítima, isso significa consumo elevado de energia, superaquecimento e degradação do hardware.

A técnica BYOVD também dificulta a detecção, já que o driver utilizado é legítimo e pode estar devidamente assinado.

Inteligência e persistência: bomba lógica e efeito worm

Além da mineração clandestina, a campanha apresenta recursos avançados de persistência.

Bomba lógica com data programada

Pesquisadores identificaram uma bomba lógica programada para ativação até dezembro de 2025. Dependendo das condições, o malware pode:

  • Alterar sua configuração.
  • Baixar novos módulos.
  • Apagar rastros.

Esse mecanismo demonstra planejamento estratégico e dificulta análises forenses tradicionais.

Propagação lateral e dispositivos USB

O comportamento semelhante a worm amplia o impacto do ataque. O malware realiza varreduras na rede local em busca de máquinas vulneráveis, explorando credenciais fracas e compartilhamentos expostos.

Além disso, componentes maliciosos podem ser copiados para dispositivos USB conectados, permitindo que a infecção ultrapasse barreiras de rede e atinja novos ambientes.

Em empresas com segmentação inadequada, o risco é exponencial.

O papel da inteligência artificial na evolução do malware

Outro ponto preocupante envolve o uso de ferramentas baseadas em modelos de linguagem para acelerar o desenvolvimento de código malicioso.

O exploit React2Shell, identificado como CVE-2025-55182, exemplifica como falhas em aplicações modernas podem ser exploradas para execução remota de código. Integrado ao minerador, esse vetor pode comprometer servidores e ambientes corporativos.

Há indícios de que LLMs estejam sendo utilizados para:

  • Gerar variações automáticas de payload.
  • Adaptar scripts de movimentação lateral.
  • Produzir códigos funcionais com menos erros.

A combinação entre inteligência artificial e mineração ilegal eleva o nível da ameaça, tornando ataques mais rápidos, escaláveis e difíceis de detectar.

Conclusão e como se proteger

A nova campanha de mineração ilegal com XMRig mostra que o cryptojacking deixou de ser um ataque simples. Hoje, ele combina técnica BYOVD, exploração de vulnerabilidades como CVE-2020-14979, ativação de bomba lógica, propagação em rede e uso de inteligência artificial.

O impacto vai além da lentidão do sistema. Máquinas comprometidas operam sob estresse constante, com risco de falhas físicas e exposição a outras ameaças.

Para reduzir os riscos:

  • Evite softwares piratas.
  • Mantenha sistema e drivers atualizados.
  • Bloqueie instalação de drivers não autorizados.
  • Monitore uso anormal de CPU e variações de hashrate.
  • Implemente segmentação de rede e controle de dispositivos USB.

Em um cenário de segurança digital cada vez mais complexo, prevenção e boas práticas continuam sendo a defesa mais eficaz.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.