CEO da Samsung quer mais dados para agentes de IA

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Samsung aposta em agentes de IA mais inteligentes, mas o debate sobre privacidade cresce.

Os agentes de IA estão no centro da próxima grande transformação da tecnologia móvel, mas essa evolução pode exigir algo que nem todos estão dispostos a oferecer: mais acesso aos seus dados pessoais. Em declarações recentes, TM Roh, CEO da divisão de dispositivos da Samsung, defendeu que a próxima geração da Galaxy AI dependerá de um relacionamento de maior confiança entre usuários e inteligência artificial, permitindo que esses sistemas compreendam hábitos, preferências e contexto para agir de forma autônoma.

A afirmação reacende um debate que acompanha a evolução da inteligência artificial desde seu surgimento: até que ponto vale abrir mão da privacidade em troca de conveniência? Enquanto fabricantes disputam a liderança da nova corrida pela IA ativa, cresce também a preocupação com a segurança das informações utilizadas para alimentar esses modelos inteligentes.

O momento não poderia ser mais estratégico. Às vésperas do Galaxy Unpacked de julho de 2026, evento que deverá apresentar os novos Galaxy Z Fold 8, Galaxy Z Flip 8 e Galaxy Watch 9, a Samsung deixa claro que o diferencial da próxima geração de dispositivos não será apenas o hardware, mas principalmente a capacidade da inteligência artificial de atuar como uma verdadeira assistente pessoal.

O que são os agentes de IA e a era da IA ativa

Durante anos, os assistentes virtuais funcionaram de maneira reativa. O usuário fazia uma pergunta, emitia um comando ou solicitava uma tarefa, e a inteligência artificial respondia.

A visão apresentada por TM Roh vai além desse modelo.

Segundo o executivo, a indústria caminha para uma fase conhecida como IA ativa, na qual os agentes de IA deixam de apenas responder solicitações para antecipar necessidades, tomar decisões autorizadas e executar ações em nome do usuário.

Na prática, isso significa uma inteligência artificial capaz de:

  • Agendar compromissos automaticamente ao detectar conflitos na agenda.
  • Reservar restaurantes conforme seus hábitos e localização.
  • Responder mensagens considerando seu contexto.
  • Organizar viagens utilizando informações do calendário, e-mails e preferências anteriores.
  • Controlar dispositivos inteligentes da casa sem necessidade de comandos constantes.

Esse conceito aproxima os smartphones de uma espécie de secretário digital permanente, capaz de compreender o cotidiano do usuário em tempo real.

A promessa é sedutora. Quanto menos intervenções humanas forem necessárias, maior será a sensação de praticidade oferecida pela tecnologia.

O problema é que, para atingir esse nível de autonomia, a inteligência artificial precisa conhecer muito mais sobre quem a utiliza.

Galaxy AI

O ecossistema conectado como fonte de dados

É justamente aqui que o ecossistema da Samsung ganha protagonismo.

Hoje, um usuário da marca pode utilizar simultaneamente:

  • Smartphone Galaxy
  • Galaxy Watch
  • Galaxy Buds
  • Smart TV Samsung
  • Tablets Galaxy
  • Eletrodomésticos inteligentes
  • Dispositivos SmartThings

Cada equipamento coleta informações diferentes.

O relógio registra frequência cardíaca, qualidade do sono e atividades físicas.

O smartphone conhece localização, aplicativos utilizados, contatos e rotina diária.

A televisão identifica preferências de entretenimento.

Os dispositivos domésticos monitoram horários, consumo de energia e padrões de uso.

Separadamente, esses dados possuem valor limitado.

Juntos, eles constroem um retrato extremamente detalhado da rotina do usuário.

É exatamente essa integração que torna possível a chamada IA ativa, já que os agentes de IA precisam de contexto para agir de maneira realmente inteligente.

Quanto maior a integração entre dispositivos, maior tende a ser a capacidade de personalização oferecida pela Galaxy AI.

O dilema da privacidade: conveniência versus segurança

Naturalmente, essa visão desperta preocupações.

Especialistas em privacidade digital alertam que sistemas cada vez mais inteligentes também se tornam cada vez mais dependentes da coleta contínua de informações pessoais.

Não se trata apenas de armazenar fotos ou contatos.

Uma IA capaz de organizar toda a rotina pode ter acesso a:

  • Histórico de localização
  • Dados biométricos
  • Informações de saúde
  • Calendário
  • Conversas
  • Hábitos financeiros
  • Preferências pessoais
  • Rotinas familiares

Mesmo quando essas informações permanecem protegidas, a simples concentração de tantos dados em um único ecossistema amplia o impacto potencial de falhas de segurança ou acessos indevidos.

Outro ponto levantado por defensores da privacidade envolve o chamado efeito da confiança gradual.

À medida que os usuários percebem benefícios práticos, tendem a conceder permissões cada vez mais amplas sem avaliar completamente quais informações estão compartilhando.

É um processo silencioso, mas extremamente poderoso.

Quanto mais útil a IA se torna, maior costuma ser a disposição das pessoas em abrir mão de parte da privacidade.

A promessa do Samsung Knox e do processamento local

A Samsung reconhece esse desafio e tem buscado apresentar a segurança como parte central da estratégia da Galaxy AI.

Um dos principais pilares continua sendo o Samsung Knox, plataforma de proteção presente nos dispositivos Galaxy há vários anos.

Além disso, a empresa vem ampliando o uso de processamento local, reduzindo a necessidade de enviar informações sensíveis para servidores externos.

Nesse modelo, diversas tarefas de inteligência artificial acontecem diretamente no aparelho.

Essa abordagem oferece vantagens importantes:

  • Menor exposição de dados pessoais
  • Resposta mais rápida
  • Redução da dependência da nuvem
  • Maior controle sobre informações confidenciais

Ainda assim, nem todas as funcionalidades conseguem operar exclusivamente de forma local.

Modelos mais avançados continuam exigindo integração com serviços em nuvem, especialmente quando envolvem grandes modelos de linguagem ou sincronização entre diversos dispositivos.

Na prática, o futuro provavelmente será híbrido, combinando processamento local com recursos baseados na nuvem.

Como os agentes de IA devem ganhar destaque no Galaxy Unpacked

O Galaxy Unpacked de julho de 2026 deverá representar um dos momentos mais importantes da estratégia de inteligência artificial da Samsung.

Além da expectativa em torno dos novos Galaxy Z Fold 8 e Galaxy Z Flip 8, o evento também deve apresentar o Galaxy Watch 9, reforçando ainda mais a integração entre hardware e software.

Embora as melhorias físicas dos dobráveis continuem chamando atenção, o foco da empresa parece migrar para aquilo que acontece nos bastidores.

A inteligência artificial deverá conectar todos esses dispositivos em um único ambiente inteligente, compartilhando contexto entre eles para oferecer experiências mais naturais.

Imagine iniciar uma conversa no smartphone, continuar no relógio e concluir em uma TV conectada, enquanto um agente de IA organiza lembretes, identifica conflitos na agenda e sugere ações automaticamente.

Esse tipo de integração representa exatamente a visão defendida por TM Roh.

O dispositivo deixa de ser apenas um equipamento eletrônico e passa a funcionar como uma extensão permanente da vida digital do usuário.

Conclusão: você está pronto para abrir mão da privacidade?

A chegada dos agentes de IA marca uma mudança profunda na forma como interagimos com a tecnologia. Se antes a inteligência artificial aguardava comandos, agora ela caminha para antecipar decisões, compreender contextos e atuar de maneira cada vez mais autônoma.

Essa transformação promete ganhos reais de produtividade, personalização e conveniência. Ao mesmo tempo, exige um nível inédito de confiança entre usuários e empresas de tecnologia, já que essas soluções dependem de um volume crescente de informações pessoais para entregar todo o seu potencial.

A estratégia apresentada pela Samsung demonstra que o futuro da Galaxy AI será construído sobre um delicado equilíbrio entre inovação e proteção de dados. Recursos como o Samsung Knox e o processamento local ajudam a reduzir riscos, mas dificilmente eliminam todas as preocupações relacionadas à privacidade.

No fim das contas, a grande questão talvez não seja se a inteligência artificial precisará de mais dados para evoluir. A pergunta mais importante é outra: quanto da sua rotina você estaria disposto a compartilhar para que uma IA trabalhe em seu lugar?

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.