Conheça o Niri, o scrollable WM que está roubando a cena (e o trono do Hyprland?)

Escrito por
Narayan Silva
Sou uma entusiasta em Linux com uma enorme curiosidade sobre o mundo e tecnologia. Nunca me interessou ser apenas uma usuária que recebe as coisas como...

O que é um window manager (WM)?

Um Window Manager (WM) é o software responsável por controlar como as janelas se comportam na sua tela: onde elas aparecem, como são decoradas, como se movem e como interagem entre si. Isso é bem diferente de um Ambiente de Desktop completo, como GNOME ou KDE Plasma, que além de gerenciar janelas trazem uma porção de outras coisas prontas: painel de tarefas, configurações de rede, central de notificações, gerenciador de arquivos integrado, temas e por aí vai.

Usar um WM “puro” significa abraçar a filosofia Do It Yourself (DIY), isto é, Faça Você Mesmo. Você começa praticamente do zero: sem barra de status, sem applet de wifi, sem nada além de um fundo preto e um terminal. Você mesmo escolhe (e configura) cada peça do seu ambiente. Isso exige tempo e disposição para ler documentação, pedir ajuda a uma IA (que hoje é possível para agilizar o processo) mas em troca oferece controle total sobre o sistema e um consumo de recursos muito mais enxuto.

Um WM usa janelas em mosaico (tiling), em que se organiza automaticamente as janelas lado a lado, sem sobreposição, otimizando o uso do espaço da tela, em vez de janelas flutuantes (floating), o modelo tradicional onde você posiciona e redimensiona cada janela livremente.

Os WMs mais usados no passado

Durante muito tempo, o reinado dos tiling WMs foi construído em cima do X11, o antigo (porém ainda relevante) servidor gráfico do Linux. E se tem um nome que é sinônimo de “tiling window manager” para uma geração inteira de usuários, esse nome é i3wm. Leve, previsível e extremamente configurável via arquivo texto, o i3 foi o responsável por popularizar essa filosofia entre desenvolvedores e entusiastas de Linux. Outros também eram usados como o bspwm e o AwesomeWM, mas o i3wm, sem dúvida acabou por ganhar mais fama, e é lembrado (e usado) até hoje.

Nessa época, esses WMs eram, sem dúvida, ferramentas de nicho. O público era quase exclusivamente formado por desenvolvedores, sysadmins e usuários avançados dispostos a passar horas lendo wikis e páginas de manual só para ter um sistema funcional. Estética bonita? Isso ficava em segundo plano.

A ascensão do Hyprland e a volta dos WMs

O cenário começou a mudar com a transição gradual do X11 para o Wayland. O novo protocolo trouxe uma arquitetura mais moderna, segura e eficiente — mas também exigiu que praticamente tudo fosse reescrito do zero, abrindo espaço para novos projetos surgirem sem o peso de décadas de legado.

É nesse contexto que o Hyprland explode em popularidade. Diferente dos WMs tradicionais do X11, que precisavam de compositores externos e muito esforço (e gambiarra) para conseguir efeitos visuais decentes, o Hyprland trouxe eye-candy nativo: blur suave, animações fluidas, sombras, transparências e transições — tudo isso rodando de forma performática e “de fábrica” no Wayland.

O resultado foi uma verdadeira febre do “ricing” (o hobby de deixar o sistema Linux visualmente bonito e personalizado). Comunidades no Reddit, vídeos no YouTube se encheram de setups deslumbrantes rodando Hyprland. Isso atraiu um público mais jovem, que não necessariamente buscava produtividade máxima, mas queria também estética, personalização e aquele “uau” visual que antes parecia impossível em um tiling WM.

Niri como novo queridinho

Só que nem tudo são flores. Com o crescimento acelerado, o Hyprland começou a mostrar algumas dores de crescimento: configurações que ficaram cada vez mais complexas, atualizações que quebravam setups que levavam algum tempo para serem corrigidos.

É a partir disso que o Niri entra em cena como um verdadeiro “respiro”. Ele vem ganhando tração justamente por oferecer uma experiência mais estável, com configurações padrão que já funcionam bem sem que você precise mexer em nada logo de cara.

E a diferença não é só de estabilidade: é de paradigma. Enquanto o Hyprland tenta ser o tiling WM “perfeito” (com todas as opções de tiling tradicionais, só que mais bonito), o Niri aposta em um conceito completamente diferente de organizar janelas. E é sobre isso que vamos falar agora.

O que o Niri tem de especial

O grande trunfo do Niri é o conceito de Scrollable Tiling (mosaico rolável). Nos tilings tradicionais, cada nova janela aberta divide o espaço da tela, e depois de um certo número de janelas, tudo fica minúsculo e apertado. O Niri resolve isso de um jeito elegante: em vez de espremer, ele mantém a janela atual em tela cheia (ou dividida ao meio) e empurra as demais janelas para o lado, formando uma espécie de trilho horizontal infinito. Para ver as outras janelas, você simplesmente rola para o lado, como se estivesse navegando em um carrossel.

Quem já usou a extensão PaperWM do GNOME vai reconhecer a ideia na hora — o Niri traz essa mesma filosofia, só que como um compositor Wayland nativo e independente, sem depender de nenhum ambiente de desktop por trás.

Outros diferenciais importantes:

  • Escrito em Rust: isso garante segurança de memória e um código mais robusto, o que conquista a simpatia de boa parte da comunidade Linux moderna, cada vez mais preocupada com esses aspectos.
  • Estabilidade e simplicidade: a configuração é feita em KDL, uma linguagem simples e legível, que sem o mesmo impacto visual imediato do Hyprland, entrega igual poder de personalização — com muito menos chance de quebrar algo em uma atualização.
  • Foco em Wayland nativo: o Niri não tenta recriar velhos hábitos e conceitos do X11. Ele foi pensado para tirar o máximo proveito do que o protocolo Wayland já oferece, sem gambiarras de compatibilidade.

Conclusão

O Niri não chegou necessariamente para “matar” o Hyprland — os dois podem, e devem, coexistir na cena Linux. O que ele traz de verdade é um paradigma diferente: em vez de tentar ser o tiling WM perfeito nos moldes tradicionais, ele propõe uma nova forma de pensar o espaço de trabalho, com o conceito de scrollable tiling, aliado a muito mais estabilidade, segurança e simplicidade. Se o Hyprland trouxe a estética de volta para os WMs, o Niri pode ser o próximo passo: unir essa mesma modernidade a uma base mais sólida e confiável para o dia a dia.

(este texto foi escrito com auxílio de IA)

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Sou uma entusiasta em Linux com uma enorme curiosidade sobre o mundo e tecnologia. Nunca me interessou ser apenas uma usuária que recebe as coisas como elas, supostamente, são, sem questionar nada. Profissionalmente, atuo como psicanalista, e nas horas vagas jogo, crio apps, aprendo coisas.