Criar um Ventoy pendrive multiboot: o guia definitivo para sua mídia de instalação

Esqueça a formatação constante e gerencie vários sistemas em um único armazenamento portátil!

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • Formatar pendrives para cada nova ISO de sistema operacional consome tempo e exige softwares de extração demorados.
  • O Ventoy resolve o problema criando um ambiente onde você apenas arrasta e solta arquivos .iso, .img, .efi ou .wim.
  • O sistema utiliza uma estrutura dupla com VTOYEFI e ExFAT, garantindo inicialização perfeita em UEFI ou BIOS Legacy.
  • Profissionais de TI consolidam dezenas de instaladores e sistemas de resgate em um único hardware de bolso.
  • A ferramenta é open source sob licença GPLv3+, possui suporte a Secure Boot e permite atualizações sem apagar dados.

Criar um Ventoy pendrive multiboot é a solução definitiva para técnicos e entusiastas que precisam de agilidade na instalação de sistemas. Esqueça o processo demorado de formatar a unidade a cada nova versão de sistema operacional. O Ventoy é uma ferramenta de código aberto que mudou as regras do jogo: basta instalar o programa no drive USB uma única vez e arrastar seus arquivos de imagem diretamente para o dispositivo.

Compatível com Windows e Linux, essa utilidade elimina a necessidade de softwares tradicionais de gravação que extraem e descompactam arquivos. Com suporte contínuo da comunidade sob licença GPLv3+, a ferramenta consolida dezenas de sistemas em um único armazenamento portátil.

O contexto do cenário atual

Historicamente, criar uma mídia de inicialização exigia utilitários como Rufus ou BalenaEtcher. O usuário precisava selecionar uma única ISO, aguardar a extração completa dos arquivos e dedicar o pendrive inteiro para aquele sistema específico. Para ter instaladores do Windows e diferentes distribuições Linux à mão, era necessário carregar vários pendrives no bolso ou formatar o dispositivo constantemente. O Ventoy resolveu esse gargalo logístico ao tratar as imagens de sistema como arquivos comuns.

O que isso significa na prática

  • Para o usuário comum: Fim da complexidade na formatação. O pendrive continua funcionando para guardar fotos, documentos e vídeos, dividindo espaço pacificamente com os instaladores de sistemas operacionais.
  • Para profissionais/empresas: Redução drástica no tempo de preparo de ferramentas de TI. Técnicos de suporte mantêm um arsenal atualizado de sistemas de resgate, antivírus live e instaladores em um único hardware, bastando copiar e colar os novos lançamentos.

Entenda a estrutura de partições

O funcionamento técnico do Ventoy baseia-se na criação inteligente de um ambiente duplo no armazenamento. Durante a instalação inicial, o software divide o pendrive em duas áreas distintas de operação.

  • Partição VTOYEFI: Um espaço oculto e pequeno (cerca de 32MB), estruturado para conter os arquivos de boot, binários do sistema e configurações de inicialização de baixo nível.
  • Partição principal: O espaço restante, formatado em ExFAT (padrão que garante leitura em múltiplos sistemas), onde o usuário apenas solta os arquivos .iso, .img, .efi ou .wim.

Vantagens técnicas e compatibilidade

A flexibilidade estrutural garante a inicialização em praticamente qualquer máquina. O sistema lida com extrema precisão em computadores modernos rodando UEFI e mantém total compatibilidade com placas antigas baseadas em BIOS (Legacy).

Outro destaque técnico vital é o suporte nativo ao Secure Boot. Para contornar as rígidas restrições de segurança das placas-mãe recentes, o Ventoy utiliza um certificado próprio. Esse certificado pode ser matriculado na máquina alvo durante o primeiro boot, permitindo o carregamento de imagens Linux e Windows sem a necessidade de desativar a proteção da placa.

Comandos para instalação direta

O processo de configuração inicial exige atenção na identificação do disco correto, pois a formatação apagará todos os dados prévios do dispositivo. Siga o fluxo técnico abaixo.

1. Download e preparação

Baixe a versão mais recente diretamente do repositório oficial. Extraia o pacote compactado em um diretório de fácil acesso.

2. Instalação no Windows

Acesse a pasta extraída e execute o arquivo Ventoy2Disk.exe. A interface detectará a unidade USB. Selecione o pendrive correto e clique no botão “Install”. Confirme os alertas de segurança sobre a formatação do disco.

3. Instalação via terminal Linux

Acesse a pasta extraída pelo terminal. O primeiro passo é identificar o ponto de montagem do seu pendrive executando o comando de listagem de blocos:

Bash
lsblk

Localize a sua unidade USB na lista (frequentemente identificada como sdb, sdc, etc.). Com o caminho do dispositivo confirmado, execute o script de instalação com privilégios de superusuário, substituindo o “X” pela letra correspondente ao seu pendrive:

Bash
sudo sh Ventoy2Disk.sh -i /dev/sdX

O terminal exigirá a confirmação da operação duas vezes. Digite y e pressione Enter. O script criará as partições VTOYEFI e ExFAT automaticamente.

4. Transferência de imagens

Com a instalação concluída, o sistema montará um volume chamado Ventoy. Copie seus arquivos ISO para dentro dessa unidade raiz. O pendrive está pronto para o boot.

Como atualizar sem perder dados

A arquitetura de partições isoladas entrega um benefício operacional imenso: a atualização do núcleo do programa. Quando uma nova versão da ferramenta é lançada com correções de bugs ou suporte a novos sistemas, você não precisa formatar a unidade de armazenamento.

O instalador possui a opção específica de atualização. No Windows, clique em “Update” na interface gráfica. No Linux, utilize o parâmetro -u no terminal: sudo sh Ventoy2Disk.sh -u /dev/sdX. O software sobrescreve estritamente os arquivos de inicialização na partição oculta. Suas imagens de sistema e arquivos pessoais permanecem intactos, poupando a transferência de gigabytes de dados.

O futuro do gerenciamento de sistemas

A consolidação de ambientes de instalação em um único dispositivo tornou-se o padrão incontestável da indústria de manutenção de software. Manter seu drive pronto para o uso exige apenas acessar os repositórios oficiais, baixar a versão mais recente e transferir suas imagens favoritas. A facilidade de testar novas distribuições ou carregar ferramentas de diagnóstico transformou uma tarefa mecânica em um processo de simples arrastar e soltar arquivos.

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Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre GNU/Linux, Software Livre e Código Aberto, dedica-se a descomplicar o universo tecnológico para entusiastas e profissionais. Seu foco é em notícias, tutoriais e análises aprofundadas, promovendo o conhecimento e a liberdade digital no Brasil.