Dispositivos vestíveis da Apple: óculos inteligentes, AirPods com câmera e pingente de IA

A Apple quer transformar o iPhone no cérebro de um ecossistema de IA distribuído pelo corpo.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

A Apple parece estar preparando uma nova ofensiva no segmento de dispositivos vestíveis da Apple, e desta vez o objetivo vai além de criar acessórios elegantes. Segundo vazamentos recentes da indústria, a empresa trabalha em um conjunto de hardware de IA que inclui óculos inteligentes da Apple, AirPods com câmera e até um misterioso pingente com foco em inteligência artificial. Mais do que produtos isolados, a estratégia aponta para um ecossistema onde o iPhone se torna o centro insubstituível de uma rede de sensores, câmeras e microfones espalhados pelo corpo do usuário.

Essa mudança sugere uma transição importante. A Apple não quer substituir o iPhone imediatamente, mas sim estender sua vida útil e relevância por meio de dispositivos que funcionam como “extensões sensoriais”. No centro dessa transformação está a evolução da Siri e o conceito de Visual Intelligence, que promete transformar o smartphone em um verdadeiro cérebro ambiental.

O renascimento dos óculos inteligentes (Projeto N50)

Entre os projetos mais comentados está o Projeto N50, nome interno atribuído aos novos óculos inteligentes da Apple. Diferentemente do Apple Vision Pro, esses óculos não teriam uma tela avançada de realidade mista. A proposta seria mais discreta, leve e integrada ao cotidiano.

A ideia é simples, mas ambiciosa: óculos comuns com câmeras de alta qualidade, microfones e sensores capazes de capturar o ambiente em tempo real. Esses dados seriam processados pelo iPhone, que executaria tarefas de inteligência visual da Apple para identificar objetos, traduzir textos, reconhecer pessoas ou fornecer informações contextuais.

O design sem tela reduz custos, peso e complexidade, aproximando o produto de algo que realmente pode ser usado o dia inteiro. Ao invés de competir diretamente com headsets de realidade aumentada robustos, a Apple pode apostar em uma abordagem semelhante à da Meta, que já investe em óculos com câmeras e integração com assistentes virtuais.

Nesse cenário, os dispositivos vestíveis da Apple deixam de ser apenas complementos e passam a ser sensores distribuídos. O iPhone continua responsável pelo processamento mais pesado, preservando autonomia de bateria nos óculos e mantendo a arquitetura centralizada.

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Imagem: Phone Arena

AirPods Pro com “olhos”

Outro vazamento intrigante envolve uma futura geração dos AirPods com câmera. Embora a ideia pareça estranha à primeira vista, a implementação pode ser menos invasiva do que se imagina.

Os rumores apontam para câmeras infravermelhas integradas aos fones, combinadas com um possível chip H3 mais avançado. O objetivo não seria gravar vídeos tradicionais, mas fornecer dados espaciais e contextuais para a Siri. Com isso, os AirPods poderiam “ver” o ambiente, identificar gestos, direções do olhar e até interpretar situações ao redor do usuário.

Imagine pedir à Siri informações sobre um prédio à sua frente ou perguntar o que é um produto em uma prateleira apenas apontando a cabeça. Com a integração da Visual Intelligence, os AirPods com câmera funcionariam como sensores adicionais para o iPhone, enriquecendo a compreensão contextual.

Além disso, câmeras infravermelhas podem melhorar recursos de áudio espacial e interação com dispositivos como o Vision Pro. Isso reforça a visão de que os dispositivos vestíveis da Apple não competem entre si, mas trabalham de forma complementar.

Se essa estratégia se confirmar, a Apple estará criando uma malha sensorial pessoal: óculos capturam imagens frontais, AirPods analisam som e profundidade, e o iPhone orquestra tudo com processamento local e, quando necessário, na nuvem.

O pingente de IA: o sucessor espiritual do AirTag

Talvez o produto mais curioso seja o chamado “pingente de IA”. Diferentemente do AirTag, que é focado em rastreamento, esse novo acessório teria um papel mais ativo na captura de dados ambientais.

A comparação com dispositivos como o Humane AI Pin é inevitável. No entanto, ao contrário de startups que tentam substituir o smartphone, a Apple parece apostar na complementaridade. O pingente funcionaria como um nó adicional de “olhos e ouvidos” para o iPhone.

Equipado com microfones e possivelmente uma câmera compacta, o dispositivo poderia captar comandos de voz de forma mais natural e identificar elementos visuais em situações onde o usuário não está usando óculos. Ele poderia ser usado preso à roupa, como um acessório discreto, expandindo ainda mais o alcance do hardware de IA da empresa.

Essa abordagem reforça o conceito de computação ambiental. O iPhone deixa de ser apenas um objeto na mão e passa a operar como um hub central de sensores distribuídos pelo corpo. A soma desses elementos cria uma experiência contínua, em que a Siri está sempre pronta para interpretar o contexto.

Privacidade e o ecossistema Android

A introdução de câmeras sempre ativas em óculos e fones levanta questões importantes sobre privacidade. A Apple construiu sua reputação com forte ênfase em processamento local e proteção de dados. Porém, a presença constante de sensores visuais pode gerar desconforto social e debates regulatórios.

Para manter a confiança do público, a empresa precisará adotar indicadores visuais claros de gravação, limitar armazenamento e priorizar processamento no dispositivo. A inteligência visual da Apple provavelmente dependerá de modelos otimizados para rodar localmente, reduzindo o envio de dados à nuvem.

Enquanto isso, o ecossistema Android não deve ficar parado. Samsung e Google já investem em IA embarcada, chips dedicados e integração entre smartphones e wearables. Caso a Apple avance com seus óculos inteligentes da Apple e AirPods com câmera, é provável que vejamos respostas diretas com produtos similares integrados ao Android.

A disputa pode acelerar a evolução do mercado de dispositivos vestíveis da Apple e seus concorrentes, tornando a IA ambiental um padrão da indústria. O diferencial estará na integração de software, na eficiência energética e na confiança do usuário.

Conclusão e o futuro sem telas

Os vazamentos sobre óculos, AirPods e o pingente de IA indicam que a Apple não está apenas criando novos gadgets, mas redesenhando o papel do iPhone. Ao transformar seus dispositivos vestíveis da Apple em extensões sensoriais, a empresa reforça o smartphone como centro de processamento e inteligência contextual.

Se essa estratégia for bem executada, o iPhone pode se tornar ainda mais essencial, não por ter uma tela maior ou mais potente, mas por ser o cérebro de um ecossistema invisível de sensores. O conceito de hardware de IA distribuído sugere um futuro em que interagimos menos com telas e mais com o ambiente ao nosso redor.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.