Doom na panela de pressão: entusiasta leva clássico FPS para a Krups Cook4Me

Quando até a panela de pressão se torna um console: Doom no toque da Krups Cook4Me.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Se você achava que rodar Doom na panela de pressão era impossível, prepare-se para se surpreender. O entusiasta de hardware Aaron Christophel provou que, com criatividade e engenharia reversa, até mesmo um eletrodoméstico de cozinha pode se tornar uma plataforma para jogos clássicos. Utilizando a Krups Cook4Me, uma panela de pressão inteligente com tela sensível ao toque, Christophel conseguiu portar o lendário FPS, mostrando que o poder de processamento hoje está em lugares que nem imaginamos. Este feito reforça a tradição da comunidade gamer e hacker de levar Doom a dispositivos inusitados, de calculadoras a smartwatches, e agora, à panela de pressão.

O hardware por trás do cozimento

A Krups Cook4Me não é apenas uma panela. Sob seu visual elegante, ela esconde um processador Renesas R7S721031VZ, com arquitetura ARM9, que opera a 400 MHz. Acompanhando o chip, existem 128 MB de RAM e 128 MB de memória Flash, suficientes para tarefas que vão muito além de cozinhar arroz ou ensopados. Esse hardware robusto foi originalmente projetado para gerenciar receitas, controlar a pressão e interagir com o usuário via tela sensível ao toque, mas acabou se tornando o palco perfeito para um hack de hardware criativo.

Além da CPU e da memória, a tela da Cook4Me, que parece simples, permite uma resolução mínima de 480×272 pixels, mas é totalmente funcional para exibir gráficos de Doom, ainda que de forma compacta. Aaron explorou cada detalhe do circuito, demonstrando que a presença de hardware potente em gadgets do dia a dia é muito mais comum do que imaginamos.

Doom
Imagem: YouTube

Engenharia reversa e execução

Portar Doom em eletrodomésticos exige mais do que só ter uma CPU decente. Christophel precisou realizar uma verdadeira engenharia reversa do firmware da Krups Cook4Me. Isso envolveu extrair o sistema operacional embarcado, compreender como a interface da tela sensível ao toque se comunica com o microcontrolador e adaptar o código do jogo para funcionar dentro das limitações do hardware.

YouTube video

Para controlar o personagem e disparar tiros, ele utilizou toques na tela, transformando os comandos da cozinha em inputs do FPS. A adaptação foi tão precisa que o jogo roda em velocidade próxima à original, mantendo a jogabilidade clássica, provando que com conhecimento técnico e paciência, praticamente qualquer dispositivo inteligente pode se tornar uma plataforma de entretenimento inesperada.

Por que as fabricantes colocam tanto poder em panelas?

Você pode estar se perguntando: por que uma panela precisa de tanto processamento? A resposta está no mundo da IoT (Internet das Coisas). Fabricantes como a Krups optam por chips robustos e memórias generosas por diversos motivos: padronização de hardware entre produtos, redução de custos de escala, suporte a atualizações de software e garantia de resposta rápida da interface.

Esses componentes acabam sendo subutilizados na função original, mas tornam o dispositivo perfeito para experimentos de hardware, como o feito com Doom na panela de pressão. A abundância de processamento em gadgets cotidianos é um reflexo de como a tecnologia se tornou onipresente, oferecendo oportunidades para hackers, desenvolvedores e curiosos explorarem novas possibilidades.

Conclusão e impacto

O feito de Aaron Christophel não é apenas uma curiosidade divertida: ele evidencia a criatividade e a engenhosidade da comunidade tech. Rodar Doom em eletrodomésticos mostra que, com conhecimento em hardware, firmware e software, até os objetos mais banais podem se tornar plataformas de inovação.

Enquanto a indústria continua inserindo hardware potente em gadgets do dia a dia, podemos esperar mais experiências inusitadas, desde jogos clássicos em utensílios domésticos até experimentos educacionais com dispositivos IoT. A mensagem é clara: a tecnologia está em todo lugar, e a imaginação humana é o limite para o que podemos fazer com ela.

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