Extensões maliciosas do Chrome roubam dados de milhões

Malware disfarçado de IA transforma extensões do Chrome em ferramentas de espionagem.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

As extensões maliciosas do Chrome estão se tornando uma das maiores ameaças digitais de 2026. Aproveitando a explosão de ferramentas de Inteligência Artificial e produtividade, cibercriminosos passaram a distribuir complementos aparentemente úteis, muitos com nomes inspirados em plataformas populares como Gemini e ChatGPT, mas que na prática funcionam como sofisticados mecanismos de espionagem.

Pesquisas recentes conduzidas pelas empresas de segurança Socket e LayerX revelaram campanhas organizadas capazes de atingir milhões de usuários em navegadores baseados no Google Chrome. O objetivo é claro: capturar credenciais, códigos de autenticação, dados corporativos e até o histórico completo de navegação.

O alerta é especialmente crítico para profissionais de marketing digital, administradores de páginas e qualquer pessoa que utilize serviços corporativos online. O que parece ser apenas uma extensão inocente pode, na verdade, abrir uma porta permanente para invasores.

O perigo no Meta Business Suite e Facebook

Uma das descobertas mais preocupantes envolve a extensão CL Suite, criada para se passar por uma ferramenta de automação do Meta Business Suite e do Facebook.

Após instalada, a extensão solicita permissões amplas, muitas vezes ignoradas pelos usuários. Com isso, ela consegue:

• Monitorar sessões ativas
• Interceptar formulários
• Ler dados inseridos em painéis administrativos

O ataque vai além do roubo de login e senha. A CL Suite foi projetada para capturar códigos 2FA baseados em TOTP, o que praticamente neutraliza uma das camadas de segurança mais recomendadas atualmente.

O método é silencioso: a extensão observa o momento em que o usuário digita o código temporário e o envia automaticamente para servidores controlados pelos criminosos. Em alguns casos analisados, listas de contatos comerciais também foram exfiltradas.

Isso transforma a ameaça em um risco corporativo, não apenas individual. Uma única conta comprometida pode resultar em:

• Sequestro de páginas empresariais
Golpes com anúncios fraudulentos
• Vazamento de dados de clientes
• Prejuízo financeiro direto

Para equipes de marketing, o impacto pode ser devastador.

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Fonte: Frandroid

A armadilha das extensões de inteligência artificial

Outra campanha identificada pelos pesquisadores foi apelidada de AiFrame, uma referência ao uso massivo de iFrame para espionagem.

O grupo por trás da operação publicou 32 extensões perigosas que prometiam recursos como geração automática de texto, resumos inteligentes e assistentes de e-mail.

Entre os nomes que mais chamaram atenção estão:

  • AI Frame Assistant
  • Smart AI Writer
  • ComposeAI Helper
  • QuickMail AI
  • Inbox AI Summarizer
  • GPT Mail Enhancer
  • Reader AI Pro
  • TabMind AI

O funcionamento do ataque é tecnicamente sofisticado.

Após a instalação, a extensão injeta um iFrame invisível nas páginas abertas. Esse elemento permite que o malware:

• Leia conteúdos exibidos no navegador
• Capture mensagens do Gmail
• Extraia anexos
• Registre URLs visitadas
• Colete tokens de autenticação

Como tudo acontece dentro da sessão legítima do usuário, muitos sistemas de detecção não identificam a atividade como suspeita.

Outro fator que torna essas extensões maliciosas do Chrome especialmente perigosas é o uso de páginas oficiais de loja, avaliações falsas e descrições bem escritas, aumentando drasticamente a taxa de instalação.

Em alguns casos, os complementos permaneceram ativos por meses antes de serem denunciados.

O caso VK Styles e o histórico de navegação

Nem todos os ataques focam diretamente em credenciais. Alguns miram algo igualmente valioso: comportamento digital.

A extensão VK Styles, popular entre usuários da rede social VKontakte, foi associada a uma operação muito maior, composta por 287 extensões interligadas.

O objetivo principal era coletar:

• Histórico de navegação
• Termos pesquisados
• Sites visitados
• Interesses do usuário

Esses dados eram então vendidos para corretores de informações, alimentando um ecossistema bilionário de publicidade invasiva e perfis comportamentais.

Embora pareça menos grave que o roubo de senhas, esse tipo de vigilância permite criar ataques extremamente direcionados, com maior probabilidade de sucesso.

Especialistas alertam que campanhas desse tipo representam uma evolução do malware tradicional: em vez de destruir sistemas, elas monetizam cada clique.

Como se proteger e identificar extensões maliciosas

Diante do crescimento das extensões perigosas, adotar uma postura preventiva deixou de ser opcional.

Veja as principais recomendações de especialistas:

  • Revise permissões com atenção: Se uma extensão pede acesso a “todos os sites”, isso já deve ser considerado um sinal de alerta.
  • Instale apenas o essencial: Quanto menos extensões, menor a superfície de ataque.
  • Evite ferramentas recém-publicadas: Extensões novas ainda não passaram pelo escrutínio da comunidade.
  • Use perfis separados no navegador: Manter um perfil exclusivo para trabalho reduz danos caso uma conta seja comprometida.
  • Desconfie de promessas exageradas: Assistentes de IA milagrosos geralmente escondem riscos.
  • Remova o que você não usa: Extensões abandonadas podem ser vendidas para grupos maliciosos sem que o usuário perceba.
  • Mantenha autenticação forte: Mesmo com 2FA e TOTP, evite instalar qualquer software que possa observar sua tela ou capturar entradas.

Uma boa prática adicional é revisar manualmente sua lista de extensões hoje mesmo. Muitos usuários se surpreendem ao encontrar complementos esquecidos, instalados anos atrás.

Conclusão

O crescimento das extensões maliciosas do Chrome mostra que o navegador se tornou um dos principais campos de batalha da segurança digital em 2026.

Criminosos entenderam que atacar diretamente o usuário é mais eficiente do que tentar invadir grandes servidores. Basta convencer alguém a clicar em “Adicionar ao navegador”.

A combinação de IA, engenharia social e malware altamente discreto elevou o nível da ameaça.

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