FreeCORE surge para manter o legado do TrueNAS CORE no FreeBSD

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...

O sucessor comunitário do TrueNAS CORE!

O TrueNAS CORE construiu sua reputação oferecendo armazenamento robusto com base no FreeBSD e no sistema de arquivos OpenZFS.No entanto, quando a iXsystems decidiu focar seus esforços de desenvolvimento no TrueNAS SCALE, sua variante baseada em Linux, muitos administradores de sistemas que preferiam a arquitetura clássica ficaram sem uma rota de atualização clara. É para preencher essa lacuna que nasceu o projeto FreeCORE.

O FreeCORE é um fork comunitário de código aberto que assume o desenvolvimento do sistema exatamente de onde a iXsystems parou. O objetivo é simples: garantir que os usuários do TrueNAS CORE possam continuar usando uma plataforma moderna, ativamente mantida e baseada em FreeBSD, sem a necessidade de migrar para o Linux.

Por que o FreeCORE foi criado?

Em 2024, a iXsystems anunciou que o TrueNAS CORE entraria em uma fase de engenharia de sustentação. Na prática, isso significou que a versão baseada em FreeBSD deixaria de receber novos recursos, recebendo apenas correções de segurança e estabilidade. Todo o desenvolvimento de ponta, incluindo a nova edição renomeada para TrueNAS Community Edition, foi redirecionado para a base Linux.

Para muitos usuários, essa mudança representou um problema. Ambientes inteiros foram construídos em cima de tecnologias nativas do FreeBSD, como os Jails (para isolamento de serviços) e o hipervisor bhyve (para máquinas virtuais). A migração forçada para o Linux exigiria reestruturar contêineres e abandonar fluxos de trabalho já estabelecidos.

O FreeCORE resolve esse impasse ao assumir o código do TrueNAS CORE 13.3 e transportá-lo de forma independente.

O que muda com a nova versão

A versão atual do projeto (identificada como FreeCORE 15.0 e que já conta com atualizações como a 15.0-U1) dá um salto importante na base do sistema.Enquanto a iXsystems paralisou a linha oficial no FreeBSD 13.3, o FreeCORE atualiza todo o ambiente para o FreeBSD 15.0.

O que o projeto garante para os administradores:

  • Manutenção do OpenZFS: A gestão de armazenamento continua aproveitando a integração profunda com o sistema de arquivos nativo.
  • Sobrevivência dos Jails: O sistema mantém suporte nativo para Jails com opções avançadas de rede (VNET, NAT ou DHCP), essenciais para quem prefere isolamento sem a sobrecarga do Docker.
  • Virtualização com bhyve: Suporte contínuo para quem usa a plataforma nativa de virtualização do FreeBSD.
  • Interface familiar: O painel de administração web mantém a estrutura de navegação e operação consagrada pelo FreeNAS/TrueNAS.

Como funciona a migração

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FreeCORE surge para manter o legado do TrueNAS CORE no FreeBSD 3

O grande apelo técnico do FreeCORE é que ele não exige uma instalação do zero para quem já está no ecossistema legado. Segundo a documentação oficial do projeto, sistemas que rodam o TrueNAS CORE 13.3 podem ser atualizados diretamente (in-place) para o FreeCORE 15.0.

Após esse salto de versão, o servidor passa a seguir a trilha de atualizações da nova comunidade, mantendo as configurações, os pools de armazenamento ZFS e os serviços já configurados.

O código-fonte do FreeCORE é totalmente aberto e está hospedado no Codeberg. A iniciativa prova que, mesmo quando o desenvolvimento corporativo muda de direção, a flexibilidade do software livre permite que as comunidades garantam a sobrevida de ferramentas essenciais para infraestrutura.

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Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre GNU/Linux, Software Livre e Código Aberto, dedica-se a descomplicar o universo tecnológico para entusiastas e profissionais. Seu foco é em notícias, tutoriais e análises aprofundadas, promovendo o conhecimento e a liberdade digital no Brasil.