A campanha “Open Always Wins” está por toda parte. Nos estádios, nas transmissões e nas redes sociais ligadas aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, a Samsung aposta alto na visibilidade do Galaxy Z Flip 7 como símbolo de inovação e estilo. A mensagem é clara, abrir o smartphone é vencer as limitações do design tradicional.
Mas existe uma contradição difícil de ignorar. Enquanto o marketing exibe atletas e criadores de conteúdo usando o celular dobrável da Samsung em cenários congelantes, a própria física levanta dúvidas sobre a confiabilidade desse tipo de tela em temperaturas negativas.
Não é a primeira vez que esse debate surge. Desde os primeiros modelos dobráveis, especialistas alertam que materiais flexíveis tendem a perder elasticidade no frio, o que pode afetar diretamente a durabilidade. A pergunta que paira no ar é simples, o Galaxy Z Flip 7 realmente foi feito para resistir às pistas de esqui ou estamos diante de uma aposta mais publicitária do que técnica?
A ciência contra o design: Por que o frio é o inimigo dos dobráveis
Para entender o risco, é preciso olhar além do brilho do design. Telas dobráveis são compostas por camadas plásticas e polímeros que garantem flexibilidade. Em temperaturas moderadas, esses materiais funcionam de forma previsível. No frio extremo, porém, ocorre um fenômeno conhecido como transição vítrea, quando o material se torna mais rígido e menos tolerante a deformações.
Isso significa que abrir e fechar o Galaxy Z Flip 7 em temperaturas muito baixas pode exigir maior esforço mecânico, aumentando o desgaste da dobra central.
Um dado frequentemente citado por engenheiros de materiais ilustra bem o problema. Testes laboratoriais mostram que a resistência pode cair de cerca de 500.000 dobras para apenas 60.000 quando exposta a -20°C. Ainda que esse número represente uma condição extrema, ele ajuda a dimensionar o impacto potencial do frio.
Outro ponto crítico é o adesivo que mantém as camadas da tela unidas. Com a contração térmica, microtensões podem surgir, elevando o risco de marcas permanentes ou até falhas estruturais ao longo do tempo.
Nesse contexto, promover o Galaxy Z Flip 7 em um evento marcado por temperaturas negativas não parece apenas ousado, parece um teste público de engenharia.

O histórico de falhas e a evolução da linha Galaxy Z
A linha Galaxy Z percorreu um longo caminho desde seus primeiros lançamentos. Os modelos iniciais enfrentaram críticas relacionadas à fragilidade, especialmente na região da dobradiça e na camada superior da tela.
Um episódio lembrado por analistas ocorreu em 2021, em Seul, quando uma onda de frio com temperaturas próximas de -18°C levou usuários a relatarem maior rigidez ao abrir seus aparelhos dobráveis. Embora não tenha sido um problema generalizado, o caso reforçou a percepção de que clima extremo não combina com telas flexíveis.
Desde então, a Samsung investiu pesado em melhorias estruturais. Dobradias mais robustas, camadas protetoras reforçadas e certificações contra poeira e água ajudaram a mudar a narrativa do mercado.
O que mudou no Galaxy Z Flip 7?
O Galaxy Z Flip 7 chega cercado por promessas de maior resistência. Espera-se o uso de uma geração mais avançada de Ultra Thin Glass, além de uma dobradiça redesenhada para distribuir melhor a tensão mecânica.
Esses avanços são relevantes e não devem ser ignorados. A indústria amadureceu, e os dobráveis atuais são significativamente mais confiáveis do que os de quatro ou cinco anos atrás.
Ainda assim, existe uma diferença importante entre suportar o uso cotidiano e enfrentar ambientes de frio extremo repetidamente. O desgaste não costuma aparecer no primeiro inverno, mas pode se manifestar após ciclos prolongados de contração e expansão térmica.
Em outras palavras, o Galaxy Z Flip 7 pode até sobreviver às férias na neve, mas a grande incógnita é como estará sua tela depois de vários anos nesse tipo de condição.
Dicas para usar seu Galaxy Z Flip 7 em climas extremos
Se você pretende levar um Galaxy Z Flip 7 para destinos gelados, alguns cuidados simples podem reduzir riscos e preservar o desempenho do aparelho.
O primeiro deles é aproveitar mais a Cover Screen, a tela externa. Checar notificações, controlar músicas ou responder mensagens rápidas sem abrir o dispositivo diminui o número de dobras em temperaturas críticas.
Outro cuidado essencial envolve a bateria. Íons de lítio perdem eficiência no frio, o que pode causar quedas abruptas de carga ou até desligamentos inesperados. Manter o smartphone em um bolso interno, próximo ao corpo, ajuda a conservar o calor.
Também é recomendável evitar abrir o aparelho logo após sair de um ambiente aquecido para o ar gelado. A mudança térmica rápida pode gerar condensação interna.
Por fim, capas com algum isolamento térmico podem oferecer uma camada extra de proteção, especialmente para quem pratica esportes de inverno.
Conclusão: Marketing ousado ou confiança técnica?
Ao destacar o Galaxy Z Flip 7 nos Jogos Olímpicos de Inverno, a Samsung transmite uma mensagem poderosa de confiança no próprio produto. A estratégia reforça o posicionamento da marca como líder em inovação e sugere que os dobráveis já atingiram um novo patamar de maturidade.
Ao mesmo tempo, a ciência lembra que nenhum avanço tecnológico elimina completamente as limitações dos materiais. Frio extremo continua sendo um desafio real para telas flexíveis.
Talvez a melhor leitura dessa campanha seja enxergá-la como um sinal de transição. Os dobráveis estão deixando de ser experimentais e entrando no território do uso cotidiano, mas ainda exigem atenção em cenários mais agressivos.
No fim das contas, a decisão passa pelo perfil do usuário. Quem prioriza design e inovação provavelmente aceitará o risco calculado. Já os mais conservadores podem preferir um modelo tradicional para aventuras na neve.
