Depois de três anos sem uma versão “marco”, o projeto lançou o GNU Guix 1.5.0, com imagens ISO e de máquina virtual, além de tarballs para instalar o gerenciador de pacotes sobre outras distribuições GNU/Linux. Para quem já usa Guix, a atualização segue simples, via guix pull.
Destaques
- Retorno após 3 anos e estreia de um ciclo anual de lançamentos
- Migração coletiva para o Codeberg, com contribuições via pull requests
- Atualizações centrais como Linux-libre 6.17.12, GCC 15.2.0 e GNU Shepherd 1.0
- Segurança reforçada com daemon rootless por padrão em sistemas “externos” e correções de múltiplas CVEs
- Marco de confiança na cadeia de suprimentos com full-source bootstrap para Zig e Mono
- CLI mais potente, incluindo o novo comando
guix locate
Retorno “triunfal” e novo processo de releases
O Guix sempre teve DNA de rolling release, com novidades chegando continuamente para quem atualiza com guix pull. O problema é que isso, na prática, acabou virando um gargalo para consolidar um release “oficial” com processo claro. O Guix 1.5.0 chega justamente como resposta a essa lacuna: ele marca a retomada após três anos e inaugura um processo de lançamento anual, criado para dar previsibilidade ao projeto e reduzir o risco de novos hiatos longos.
Nos bastidores, a mudança não é só de calendário. O projeto também adotou um processo formal de decisão por consenso, criando os Guix Consensus Documents (GCDs) para propor e aprovar mudanças significativas de forma mais estruturada.
Base técnica mais robusta: kernel, toolchain e init
Na camada mais “visível”, o Guix 1.5.0 consolida atualizações que colocam a distribuição no ritmo do ecossistema atual:
- Kernel padrão atualizado para Linux-libre 6.17.12
- Toolchain com GCC 15.2.0 e stack moderna em torno de LLVM 21.1.8
- Atualizações relevantes de aplicações e desktops, incluindo GNOME 46 e KDE Plasma 6.5
- Navegadores e editor com versões recentes, como Emacs 30.2, Icecat 140 e LibreWolf 140
No Guix System, um ponto particularmente relevante é a adoção do GNU Shepherd 1.0. Além de modernizar a base de serviços, essa versão adiciona capacidades como serviços temporizados e suporte a kexec para reboot, além de trazer novos serviços para logs e rotação que passam a ser usados no lugar de alternativas anteriores.
Segurança: daemon rootless por padrão e correções de CVEs
O avanço mais estratégico do release é a segurança “por construção”. O Guix agora permite operar o daemon sem privilégios de root, reduzindo o impacto de vulnerabilidades de escalonamento de privilégios.
Na prática, o modo rootless vira o padrão quando você instala o Guix 1.5.0 sobre distribuições que não são o Guix System (os chamados “foreign systems”). No Guix System, esse modo ainda exige habilitação explícita na configuração, ajustando (privileged? #f) em guix-configuration.
Esse desenho se apoia em user namespaces e, para reduzir fricção em ambientes com políticas restritivas, o projeto também passou a incluir perfis AppArmor instalados por padrão nesses sistemas externos.
Além disso, o daemon recebeu correções para as CVEs CVE-2024-27297, CVE-2024-52867, CVE-2025-46415, CVE-2025-46416 e CVE-2025-59378.
Confiança na cadeia de suprimentos: full-source bootstrap para Zig e Mono
O Guix tem uma proposta diferenciada quando o assunto é “confiança no build”: reduzir dependências de binários pré-compilados no caminho até construir os próprios compiladores, enfrentando o clássico problema do trusting trust.
No Guix 1.5.0, o projeto destaca a chegada de full-source bootstraps para os compiladores Zig e Mono. Traduzindo em impacto prático: isso fortalece a rastreabilidade e a auditabilidade do ecossistema, um ponto cada vez mais crítico na conversa moderna sobre supply chain de software.
CLI e empacotamento: SBOM, containers e novos formatos
Quem usa Guix como ferramenta em pipelines e ambientes de desenvolvimento também ganha novidades diretas:
guix graphagora exporta em GraphML e CycloneDX JSON, ampliando o uso do Guix para gerar SBOM com granularidade profundaguix shellem containers evolui com--nesting(usar Guix dentro do container) e--emulate-fhs(rodar software que espera um layout FHS)guix packrecebe backends para RPM e AppImage, mirando distribuição de pacotes para usuários fora do Guix- Chega o novo
guix locate, pensado para responder rápido à pergunta “qual pacote fornece este arquivo?”
Migração para Codeberg e organização do ecossistema
No lado de colaboração, o projeto migrou repos, rastreadores e fluxo de contribuição para o Codeberg, consolidando tudo em um único lugar. O modelo também muda na prática: contribuições passam a ser feitas via pull requests, substituindo o formato tradicional de patch series.
O Guix também ganhou um agregador oficial de posts da comunidade, o Planet, acessível em planet.guix.gnu.org, reforçando a circulação de novidades e discussões técnicas do ecossistema.
Suporte a arquiteturas: RISC-V e avanços no GNU Hurd
O release amplia o alcance com tarballs para riscv64-linux. Em paralelo, há progresso no suporte experimental ao GNU Hurd em x86_64-gnu, incluindo melhorias gerais, opção no instalador e mecanismos para criar “childhurds” via serviço de sistema.
Como atualizar para o GNU Guix 1.5.0
- Se você já usa Guix (em qualquer sistema), o caminho padrão é executar
guix pulle seguir o fluxo recomendado para atualizar perfis e, se aplicável, o sistema. - Em instalações sobre outras distros (“foreign systems”), vale conferir o status do modo rootless e as permissões de user namespaces, já que o rootless passa a ser o padrão no Guix 1.5.0.
- No Guix System, para habilitar o daemon sem privilégios, ajuste
(privileged? #f)emguix-configuratione reconfigure conforme seu fluxo de administração.
FAQ
O que é o GNU Guix?
O GNU Guix é um gerenciador de pacotes transacional e uma distribuição avançada do sistema GNU. Ele foca em reprodutibilidade, perfis por usuário, upgrades e rollbacks seguros, além de permitir configuração declarativa do sistema quando usado como distribuição.
Como atualizar para o Guix 1.5.0?
Na maioria dos cenários, você atualiza executando guix pull. Em seguida, aplica a atualização aos seus perfis e, no caso do Guix System, reconfigura o sistema pelo método usual do Guix. Em instalações sobre outras distros, o rootless pode exigir que user namespaces e AppArmor estejam alinhados com as políticas do seu sistema.
Quais são as principais novidades de segurança no Guix 1.5.0?
O destaque é o daemon rootless por padrão em sistemas externos ao Guix System, reduzindo o impacto de eventuais falhas de privilégio. O release também inclui correções para múltiplas CVEs do daemon, além de perfis AppArmor instalados por padrão nesses ambientes para facilitar o uso seguro.
