- Lançamento Oficial: O GNU Linux-libre 6.19 já está disponível, trazendo a limpeza profunda de códigos proprietários do kernel Linux original, garantindo a liberdade de software recomendada pela FSF América Latina.
- Limpeza de Drivers: Nesta atualização, o foco foi a neutralização de "blobs" nos novos drivers gráficos Intel XE e áudio SDCA, componentes comuns em notebooks vendidos no varejo brasileiro.
- Atenção ao Hardware: A instalação do GNU Linux-libre desativa placas Wi-Fi e GPUs que dependem de firmware fechado; recomenda-se o uso de adaptadores Atheros ou gráficos integrados antigos.
- Instalação Facilitada: Usuários de distros populares no Brasil, como Debian, Ubuntu (via Freesh) e Fedora (via RPMFreedom), podem migrar sem compilação manual usando os repositórios oficiais.
- Segurança e Privacidade: Ao remover códigos "caixa-preta", o GNU Linux-libre 6.19 elimina vetores de ataque ocultos no firmware, ideal para ativistas e empresas que buscam auditoria total do sistema.
O GNU Linux-libre não é apenas uma atualização de software; é uma declaração política em forma de código. Baseado no recém-lançado Linux 6.19, esta versão removeu cirurgicamente todos os “blobs” (códigos binários proprietários) e firmwares ofuscados. Para o usuário, isso significa rodar um sistema onde 100% das instruções enviadas ao processador são auditáveis e livres, garantindo que não existam “caixas-pretas” operando no seu hardware.
Principais novidades da versão 6.19-gnu
A equipe do projeto, liderada por Alexandre Oliva, focou na neutralização de novos vetores de código proprietário que surgiram no kernel original (upstream):
- Higienização do Intel XE: O novo driver gráfico da Intel (XE), sucessor do i915, recebeu scripts de limpeza ajustados. Isso é crucial pois, embora melhore a compatibilidade com GPUs Intel modernas, o kernel “vanilla” tenta carregar firmwares proprietários para funções de gerenciamento de energia e vídeo, algo que o Linux-libre bloqueia nativamente.
- Áudio SDCA “Descontaminado”: A nova arquitetura de som Sound Device Control Architecture (SDCA) trouxe, em sua implementação original, carregadores de blobs que foram removidos.
- Conectividade: Drivers populares como Intel iwlwifi (Wi-Fi), Marvell mwifiex e subsistemas da Qualcomm (Iris, Venus) tiveram seus scripts de limpeza atualizados. Isso impede que o kernel solicite blobs ao sistema, evitando a falsa sensação de que o hardware está “quase” funcionando.
Realidade do Hardware: O que funciona (e o que não funciona)
Antes de instalar o Linux-libre 6.19, é vital entender a “semântica da liberdade”: ao remover os blobs, o kernel perde a capacidade de inicializar hardwares que foram desenhados para depender de segredos industriais.
O que vai parar de funcionar
A “limpeza” mencionada nos destaques acima (Intel iwlwifi, Realtek, etc.) significa que esses componentes ficarão silenciados.
- Wi-Fi: A maioria das placas internas Intel (Centrino/AX) e Realtek modernas deixarão de responder.
- GPUs Nvidia Modernas: Sem o firmware assinado, placas recentes (série 10/20/30/40) ficarão presas a modos de vídeo básicos ou não funcionarão.
O que é recomendado (Safe hardware)
Para migrar com sucesso para o Linux-libre 6.19, seu hardware deve ser amigável à liberdade:
- Wi-Fi: Recomenda-se o uso de adaptadores USB ou placas PCI com chipsets Atheros (ath9k/ath9k_htc), que funcionam nativamente sem blobs.
- Gráficos: Gráficos integrados Intel (HD Graphics mais antigos) costumam funcionar bem apenas com drivers livres, embora a aceleração 3D pesada em modelos muito novos (Arc/XE) possa ser limitada sem os firmwares do GuC/HuC.
Guia de migração: Assumindo o controle
Se o seu hardware é compatível (ou se você aceita usar um dongle Wi-Fi Atheros), a migração para o kernel 6.19-gnu é o passo final para a soberania digital. Não é necessário compilar nada; o processo substitui o kernel padrão da sua distribuição pelos pacotes auditados da FSFLA.
1. Preparação (Debian/Ubuntu/Mint/Trisquel)
Em vez de baixar pacotes soltos, a rota mais segura semanticamente — para garantir atualizações futuras de segurança — é adicionar o repositório Freesh.
Passo A: Adicionar a chave e o repositório
wget -O - https://jxself.org/gpg.inc | sudo apt-key add -
echo "deb https://jxself.org/repo/freesh/ suite main" | sudo tee /etc/apt/sources.list.d/freesh.list(Substitua “suite” pelo codename da sua distro, ex: bookworm, focal, jammy).
Passo B: A troca do Kernel
Este comando instrui o gerenciador de pacotes a remover o kernel genérico (e seus blobs) e instalar a versão livre:
sudo apt update && sudo apt install linux-libre-standardNota técnica: O sistema irá remover pacotes como linux-firmware. Isso é intencional. Ao reiniciar, selecione o Linux-libre no GRUB.
2. Preparação (Fedora/RHEL)
Para usuários do ecossistema RPM, o repositório RPMFreedom cumpre o mesmo papel.
Passo A: Instalar o repositório
sudo dnf install http://linux-libre.fsfla.org/pub/linux-libre/freed-ora/freed-ora-release.noarch.rpmPasso B: Instalar a versão 6.19
sudo dnf install kernel-libre kernel-libre-headersCaso queira tornar este o kernel padrão e evitar que o Fedora reinstale o kernel “sujo”:
sudo dnf config-manager --set-disabled fedora-updates(Nota: Isso requer gerenciamento manual de updates para evitar conflitos).
Disponibilidade
O código-fonte completo e os scripts de “deblobbing” usados para gerar a versão 6.19 estão disponíveis no diretório Git da FSFLA para auditoria pública. Usuários de GNU Guix e Parabola receberão esta atualização automaticamente através de seus canais de rolling release nos próximos dias.
