GNU Linux-libre 6.19-gnu: Limpeza de drivers, suporte a hardware e guia de migração

Soberania do Hardware: GNU Linux-libre 6.19 chega limpando drivers da Intel e devolvendo o controle total do seu PC.

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • Lançamento Oficial: O GNU Linux-libre 6.19 já está disponível, trazendo a limpeza profunda de códigos proprietários do kernel Linux original, garantindo a liberdade de software recomendada pela FSF América Latina.
  • Limpeza de Drivers: Nesta atualização, o foco foi a neutralização de "blobs" nos novos drivers gráficos Intel XE e áudio SDCA, componentes comuns em notebooks vendidos no varejo brasileiro.
  • Atenção ao Hardware: A instalação do GNU Linux-libre desativa placas Wi-Fi e GPUs que dependem de firmware fechado; recomenda-se o uso de adaptadores Atheros ou gráficos integrados antigos.
  • Instalação Facilitada: Usuários de distros populares no Brasil, como Debian, Ubuntu (via Freesh) e Fedora (via RPMFreedom), podem migrar sem compilação manual usando os repositórios oficiais.
  • Segurança e Privacidade: Ao remover códigos "caixa-preta", o GNU Linux-libre 6.19 elimina vetores de ataque ocultos no firmware, ideal para ativistas e empresas que buscam auditoria total do sistema.

O GNU Linux-libre não é apenas uma atualização de software; é uma declaração política em forma de código. Baseado no recém-lançado Linux 6.19, esta versão removeu cirurgicamente todos os “blobs” (códigos binários proprietários) e firmwares ofuscados. Para o usuário, isso significa rodar um sistema onde 100% das instruções enviadas ao processador são auditáveis e livres, garantindo que não existam “caixas-pretas” operando no seu hardware.

Principais novidades da versão 6.19-gnu

A equipe do projeto, liderada por Alexandre Oliva, focou na neutralização de novos vetores de código proprietário que surgiram no kernel original (upstream):

  • Higienização do Intel XE: O novo driver gráfico da Intel (XE), sucessor do i915, recebeu scripts de limpeza ajustados. Isso é crucial pois, embora melhore a compatibilidade com GPUs Intel modernas, o kernel “vanilla” tenta carregar firmwares proprietários para funções de gerenciamento de energia e vídeo, algo que o Linux-libre bloqueia nativamente.
  • Áudio SDCA “Descontaminado”: A nova arquitetura de som Sound Device Control Architecture (SDCA) trouxe, em sua implementação original, carregadores de blobs que foram removidos.
  • Conectividade: Drivers populares como Intel iwlwifi (Wi-Fi), Marvell mwifiex e subsistemas da Qualcomm (Iris, Venus) tiveram seus scripts de limpeza atualizados. Isso impede que o kernel solicite blobs ao sistema, evitando a falsa sensação de que o hardware está “quase” funcionando.

Realidade do Hardware: O que funciona (e o que não funciona)

Antes de instalar o Linux-libre 6.19, é vital entender a “semântica da liberdade”: ao remover os blobs, o kernel perde a capacidade de inicializar hardwares que foram desenhados para depender de segredos industriais.

O que vai parar de funcionar

A “limpeza” mencionada nos destaques acima (Intel iwlwifi, Realtek, etc.) significa que esses componentes ficarão silenciados.

  • Wi-Fi: A maioria das placas internas Intel (Centrino/AX) e Realtek modernas deixarão de responder.
  • GPUs Nvidia Modernas: Sem o firmware assinado, placas recentes (série 10/20/30/40) ficarão presas a modos de vídeo básicos ou não funcionarão.

O que é recomendado (Safe hardware)

Para migrar com sucesso para o Linux-libre 6.19, seu hardware deve ser amigável à liberdade:

  • Wi-Fi: Recomenda-se o uso de adaptadores USB ou placas PCI com chipsets Atheros (ath9k/ath9k_htc), que funcionam nativamente sem blobs.
  • Gráficos: Gráficos integrados Intel (HD Graphics mais antigos) costumam funcionar bem apenas com drivers livres, embora a aceleração 3D pesada em modelos muito novos (Arc/XE) possa ser limitada sem os firmwares do GuC/HuC.

Guia de migração: Assumindo o controle

Se o seu hardware é compatível (ou se você aceita usar um dongle Wi-Fi Atheros), a migração para o kernel 6.19-gnu é o passo final para a soberania digital. Não é necessário compilar nada; o processo substitui o kernel padrão da sua distribuição pelos pacotes auditados da FSFLA.

1. Preparação (Debian/Ubuntu/Mint/Trisquel)

Em vez de baixar pacotes soltos, a rota mais segura semanticamente — para garantir atualizações futuras de segurança — é adicionar o repositório Freesh.

Passo A: Adicionar a chave e o repositório

Bash
wget -O - https://jxself.org/gpg.inc | sudo apt-key add -
echo "deb https://jxself.org/repo/freesh/ suite main" | sudo tee /etc/apt/sources.list.d/freesh.list

(Substitua “suite” pelo codename da sua distro, ex: bookworm, focal, jammy).

Passo B: A troca do Kernel

Este comando instrui o gerenciador de pacotes a remover o kernel genérico (e seus blobs) e instalar a versão livre:

Bash
sudo apt update && sudo apt install linux-libre-standard

Nota técnica: O sistema irá remover pacotes como linux-firmware. Isso é intencional. Ao reiniciar, selecione o Linux-libre no GRUB.

2. Preparação (Fedora/RHEL)

Para usuários do ecossistema RPM, o repositório RPMFreedom cumpre o mesmo papel.

Passo A: Instalar o repositório

Bash
sudo dnf install http://linux-libre.fsfla.org/pub/linux-libre/freed-ora/freed-ora-release.noarch.rpm

Passo B: Instalar a versão 6.19

Bash
sudo dnf install kernel-libre kernel-libre-headers

Caso queira tornar este o kernel padrão e evitar que o Fedora reinstale o kernel “sujo”:

Bash
sudo dnf config-manager --set-disabled fedora-updates

(Nota: Isso requer gerenciamento manual de updates para evitar conflitos).

Disponibilidade

O código-fonte completo e os scripts de “deblobbing” usados para gerar a versão 6.19 estão disponíveis no diretório Git da FSFLA para auditoria pública. Usuários de GNU Guix e Parabola receberão esta atualização automaticamente através de seus canais de rolling release nos próximos dias.

Compartilhe este artigo